Roberto Rodrigues voltou a criticar os bloqueios no orçamento do seguro rural e mencionou que o setor vive uma crise sem precedentes.
O ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira (18/6) que o Brasil não tem uma política de renda rural nem estratégia para superar os desafios atuais do campo. Ele voltou a criticar os bloqueios no orçamento do seguro rural e mencionou que o setor vive uma crise sem precedentes, influenciada por questões geopolíticas externas.
“O Brasil não tem uma política de renda rural no campo, não temos estratégia. A primeira coisa que fiz como ministro [entre 2003 e 2006] foi criar o seguro rural. Ele tem 23 anos e nem 5% da área agrícola segurada porque o governo não faz a parte dele. É uma estupidez impressionante porque o seguro rural é uma garantia ao governo”, afirmou no Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), evento realizado em Campo Grande (MS).
Quase metade do orçamento do seguro rural de 2026 foi bloqueada. O recurso disponível caiu de 991,8 milhões para cerca de R$ 530,2 milhões.
Rodrigues também disse que o setor passa por uma crise diferente, por conta das raízes externas, influenciada por impactos das guerras e das questões geopolíticas, como barreiras comerciais.
“Passei por muitas crises, mas nenhuma como essa. Essa crise tem raízes externas, vencê-la vai demorar mais. Esse tsunami que está invadindo a agricultura brasileira e mundial vai passar para trás e vai arrancar quem não tem raiz funda. O conselho é agarrar no chão e fica vivo, porque vai melhorar”, disse Rodrigues no evento.
Segundo ele, as commodities serão a base da economia do mundo em um futuro breve. “Não é coisa longe, é amanhã. [O produtor brasileiro] tem que ficar vivo”, disse. Segundo ele, isso é necessário por conta do potencial que o Brasil tem de aumentar a produção e suprir a demanda mundial por alimentos e energia (Globo Rural)





