- Importação vai a US$ 205,5 bi no ano fiscal, US$ 29 bi a mais do que a exportação
- China é a grande responsável pela perda americana; já o Vietnã compensa em parte
O retorno parcial da China ao mercado americano melhora o saldo comercial do agronegócio do país. O déficit comercial dos Estados Unidos no setor, no entanto, continua elevado, segundo os dados divulgados pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quinta-feira (28).
O agronegócio americano continua perdendo espaço nas exportações e elevando os gastos com importações. Conforme as novas estimativas, as exportações do país ficam em US$ 176,5 bilhões em 2025/26, e as importações, em US$ 205,5 bilhões. O saldo negativo, se confirmadas essas previsões, será de US$ 29 bilhões. Os dados se referem ao ano fiscal, que tem início em outubro e termina em 30 de setembro do ano seguinte.
Além de uma perda do potencial interno de exportações, devido à estabilidade na produção, o mercado americano perdeu força na China, por causa da política agressiva do presidente Donald Trump com seus parceiros comerciais. Os chineses são os principais importadores de produtos agropecuários.
Em 2022, as exportações americanas do setor para os chineses eram de US$ 36 bilhões, valor que deverá ficar em US$ 12 bilhões em 2025/26, indica o Usda. Segundo o governo dos Estados Unidos, a China prometeu comprar US$ 17 bilhões de produtos do setor nos próximos anos. Por ora, os dados desta quinta-feira indicam US$ 6,9 bilhões de outubro de 2025 a março de 2026.
Com a menor participação da China, os americanos exportam menos para a Ásia, embora ganhem espaço no mercado vietnamita, que elevou as compras para US$ 4,3 bilhões no período, 95% a mais do que no ano anterior.
As exportações totais de soja feitas pelos americanos recuaram para US$ 12,4 bilhões nos seis primeiros meses do ano fiscal 2025/26, abaixo dos US$ 16,8 bilhões de igual período anterior. As vendas externas de carnes também caem, mas as de milho sobem. Com relação ao Brasil, os americanos aumentaram as importações para US$ 568 milhões neste ano fiscal, 35% a mais.
Bombas e fome
Enquanto Donald Trump ataca o Irã, aumentam os preços dos alimentos no mundo, e os consumidores têm mais dificuldades para adquiri-los.
Os Estados Unidos não estão imunes a esses efeitos. Economistas do Fed (o banco central dos EUA) de Nova York apontam que 10% dos consumidores americanos têm dificuldades para obter quantidade suficiente de alimentos.
Em 2020, esse percentual era de 4%. As famílias mais afetadas são as com menor renda e com escolaridade baixa.
A política dos republicanos de minar o SNPA (um programa de assistência nutricional suplementar, como um Bolsa Família) coloca o consumidor necessitado ainda mais distante dos alimentos (Folha)






