Por Aparecido Mostaço
Todos os dias. Por isso, hoje, quero alimentar essa chama e esperança. Toda dificuldade passa. Como tantas outras já passaram. Mas não deixe o aprendizado passar. Aprenda com os erros e não os repita mais. O agro é movido pelo sol, pela confiança, pela fé, por sua gente e pela eficiência. Movido pelo sol que nasce todos os dias trazendo uma nova oportunidade de lutar, vencer, perder, aprender e recomeçar esse extraordinário ciclo chamado agro.
Ciclo esse que é marcado pela confiança de quem planta sem garantias absolutas do amanhã. Planta, acreditando e não duvidando. É marcado também, pela fé silenciosa e inabalável de quem entende que existem coisas que nenhuma tecnologia consegue controlar: a vontade de trabalhar de sol a sol para que tudo dê certo.
E claro, pela experiência de quem sabe que resultado também nasce de gestão, disciplina financeira e execução eficiente. Os desafios, porém, nunca foram tão grandes. O agro brasileiro convive hoje com juros elevados, crédito restritivo, pressão sobre custos, oscilações cambiais, gargalos logísticos, déficit de armazenagem e eventos climáticos extremos.
Muitos sabem que, em 2025, o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial, o maior número da série histórica, sendo 853 de produtores rurais pessoa física e 753 de pessoas jurídicas ligadas ao agro. Um retrato claro da pressão financeira enfrentada pelo setor. Mas existe uma reflexão importante a ser feita: Aumentar produção de commodities não garante aumento de rentabilidade. Quando o custo cresce mais rápido do que a eficiência, os números deixam de fechar.
Temos que sempre analisar os cases do mundo. Talvez por isso a Holanda seja um dos estudos de caso mais interessantes do mundo. Com apenas 41 mil km², tornou-se o terceiro maior exportador agrícola do planeta em valor monetário. E não porque possui mais terras ou produz mais volume. Mas porque produz com inteligência, tecnologia, logística, agregação de valor e eficiência.
O futuro não pertence apenas a quem produz mais. Pertence a quem consegue transformar produção em maior valor agregado. E isso exige liderança. Liderança não é a autoridade que impõe medo. É a autoridade que inspira confiança em um futuro melhor para todos. Porque não existe alta performance onde existe medo, divisão, vaidade ou ausência de propósito.
No futuro teremos muita tecnologia e inteligência artificial, mas o fator de sucesso será líderes emocionalmente inteligentes. No final, as grandes transformações nunca começam nas planilhas, começam dentro da cultura. E cultura é o nosso jeito de decidir, liderar, produzir e enfrentar os desafios. Talvez por isso a frase de Albert Camus faça tanto sentido para o agro e para a vida: “No meio do inverno, descobri em mim um verão invencível.”
(Aparecido Mostaço é CEO da Energia Humana Consultoria e EHC Capital; 45 anos atuando no Agro e Maratonista Disciplinador)






