IAC traz orientações estratégicas para apoiar agricultores diante da alta nos preços de fertilizantes

Crise internacional exige uso racional de insumos e maior eficiência nos investimentos agrícolas

A disparada nos preços dos fertilizantes, provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, ameaça a agricultura brasileira e pode desencadear uma crise histórica. Com a previsão de valores recordes para os fertilizantes, o setor enfrenta riscos que podem repercutir em toda a economia nacional, independentemente da transferência dos custos ao consumidor final. Nesse cenário, agricultores precisam aumentar a eficiência no uso dos insumos. Para apoiá-los, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, divulga três ações essenciais para melhor direcionar os investimentos e manter a produtividade. A primeira recomendação é realizar análise de solo para que fazer uso racional e sob prescrição dos fertilizantes escassos ou caros para a sua condição de solo. A segunda orientação é adotar boas práticas agrícolas que favoreçam a eficiência de uso dos insumos pelas culturas. A terceira é utilizar calcário — insumo de baixo custo e produzido no Brasil — que prepara o solo para o melhor aproveitamento dos nutrientes aplicados e dos já disponíveis no solo.

 “Nosso objetivo é orientar estrategicamente os agricultores diante da muito provável alta nos preços dos fertilizantes, consequência da guerra que, além de inviabilizar rotas de transporte e encarecer os insumos, também vem comprometendo a infraestrutura de produção”, afirma Heitor Cantarella, pesquisador da área de solos e vice-coordenador do IAC, da APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

A análise de solo é a ação fundamental que permite conhecer exatamente o que precisa ser reposto pontualmente. Com esse diagnóstico, o investimento será no produto correto e na dose necessária.

A segunda medida a ser adotada é a calagem, que potencializa o aproveitamento da adubação ao melhorar a disponibilidade e eficiência dos nutrientes. Essa técnica traz diversos benefícios agrícolas a custo acessível, já que o calcário é um recurso abundante no Brasil graças às grandes reservas existentes, o que garante investimento bem inferior em comparação aos insumos importados. Ao ser incorporado ao solo, o calcário corrige sua acidez, tornando-o mais favorável ao crescimento das plantas. Além disso, neutraliza a toxidez do alumínio, que em excesso compromete o desenvolvimento radicular da planta. Com menor acidez e toxidez, as raízes passam a crescer com maior profundidade e vigor. A prática também fornece cálcio e magnésio, nutrientes essenciais à nutrição vegetal, e aumenta a fertilidade do solo ao ampliar a disponibilidade de fósforo e de outros elementos, favorecendo a absorção pelas culturas.

Segundo Cantarella, as boas práticas agrícolas têm o conceito 4C: dose certa, época certa, fertilizante certo e local certo. E o agricultor precisa se atentar a cada um desses fatores para não perder dinheiro. A proposta da economia circular também integra as orientações do IAC. “O produtor pode ainda usar o que ele tem em sua propriedade, como é o caso do estercos e compostos”, orienta.

Segundo Cantarella, para além de antever desafios no setor em que atua e desenvolver previamente soluções, uma instituição de pesquisa como o IAC tem também esse papel de recorrer aos seus pacotes tecnológicos para orientar estrategicamente os agricultores em circunstâncias como a atual, em que o conflito coloca o mercado mundial diante de um desafio geopolítico, fora do eixo das programações científicas agronômicas que, em geral, consideram aspectos relacionados ao ambiente, recursos naturais, sustentabilidade, qualidade e produtividade agrícola.

Por que esse momento requer esses ajustes no uso de fertilizantes?

O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes usados e boa parte desses passam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, bloqueada em meio às negociações diplomáticas entre as partes envolvidas no conflito. Por este Estreito passa grande volume de petróleo mundial, principal matéria-prima de fertilizantes nitrogenados.

Com essa situação, as empresas no Brasil sequer conseguem antecipar os preços dos fertilizantes aos agricultores, pois não sabem a que custo serão importados e por quanto as matérias-primas chegarão ao país. “Para ilustrar essa situação, o enxofre, matéria-prima de vários fertilizantes, principalmente os fosfatados, já aumentou cerca de 300% a 400% desde o início da guerra”, comenta Cantarella.

Nesse contexto, caso os agricultores consigam repassar aos seus produtos o aumento desse aumento de produção, o resultado deve impactar a inflação, com consumidores pagando mais caro. Se eles não conseguirem fazer esse repasse, muito provavelmente suas dívidas crescerão, o que também impactará a situação do país. “Outro complicador é que o cenário de preços elevados de fertilizantes ocorre em um período em que os preços de commodities agrícolas estão deprimidos. Para contribuir nesse cenário, o IAC lança mão de conhecimentos já desenvolvidos e consolidados e reforça as orientações com soluções factíveis para que os produtores possam enfrentar os desafios nessa época de crise”, comenta o especialista em solos no Brasil. 

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