Especialista alerta para a necessidade de planejamento financeiro, revisão contratual e medidas preventivas diante da previsão de instabilidade climática no Sul do Brasil
A intensificação dos efeitos do El Niño no Sul do Brasil já acende um alerta entre produtores rurais, especialmente diante da previsão de aumento das chuvas, instabilidade climática e impactos diretos sobre a produtividade agrícola. Com a possibilidade de novos prejuízos nas lavouras e dificuldades financeiras no campo, especialistas defendem que o agronegócio adote medidas preventivas operacionais, bancárias e jurídicas para reduzir riscos e preservar a atividade.
Diante desse cenário, a advogada Giulia Arndt, especialista em Direito Bancário aplicado ao agronegócio do Maffioletti & Arndt Advogados, destaca que o produtor precisa olhar para além da lavoura e antecipar estratégias de proteção financeira e jurídica. Segundo ela, muitas propriedades ainda operam sem planejamento adequado para momentos de crise climática, o que pode ampliar o endividamento e comprometer a continuidade da produção.
“Os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção. Hoje, o produtor precisa compreender que gestão de risco também passa por organização documental, análise contratual e planejamento bancário. Quem se antecipa consegue ter mais segurança para renegociar operações e preservar sua atividade”, afirma Giulia.
A especialista explica que uma das principais medidas preventivas é a revisão das operações de crédito rural, sobretudo em contratos vinculados à produtividade futura. Ela recomenda que produtores mantenham documentação técnica atualizada, incluindo laudos agronômicos, registros climáticos e comprovações de perdas, materiais que podem ser fundamentais em pedidos de renegociação ou alongamento de dívida.
“Em muitos casos, a legislação e a própria jurisprudência reconhecem o direito do produtor ao alongamento das dívidas quando há frustração de safra causada por fatores climáticos. O problema é que muitos agricultores desconhecem esses mecanismos ou buscam auxílio apenas quando a situação financeira já está agravada”, ressalta.
Giulia também alerta para a importância da análise preventiva de seguros rurais e cláusulas contratuais bancárias. Segundo ela, entender previamente quais eventos estão cobertos e quais obrigações podem ser exigidas pelas instituições financeiras evita conflitos futuros e reduz a vulnerabilidade do produtor em períodos de crise.
Além da proteção individual, a advogada defende maior integração entre produtores, cooperativas, instituições financeiras e poder público para ampliar políticas de prevenção e resposta rápida aos efeitos climáticos. “O agronegócio brasileiro é extremamente dependente de previsibilidade. Quando há instabilidade climática recorrente, é fundamental que existam mecanismos jurídicos e financeiros capazes de garantir fôlego ao produtor para atravessar esses períodos sem comprometer toda a cadeia econômica”, conclui.
Especialistas reforçam que o momento atual exige atenção redobrada dos produtores rurais, especialmente após os impactos registrados nos últimos anos no Sul do país. A orientação é que medidas preventivas sejam adotadas antes do agravamento dos efeitos climáticos, reduzindo riscos financeiros e fortalecendo a capacidade de reação diante de possíveis perdas.





