Cenário de juros altos, restrição de crédito e a perspectiva de baixa rentabilidade da produção impactaram o desempenho dos segmentos representados pela Abisolo
O mercado de biofertilizantes e fertilizantes especiais encerrou 2025 com faturamento de R$ 25,4 bilhões, resultado 5,5% inferior ao registrado em 2024. Os dados compõem o relatório de inteligência de mercado da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo), publicado no Anuário 2026 da entidade.
Embora a agricultura brasileira tenha colhido uma safra robusta, o ambiente econômico permaneceu desafiador ao longo de 2025. O setor foi impactado pelo aumento dos custos de produção, juros elevados, restrição na oferta de crédito, inadimplência no agro e pela dificuldade de repasse do aumento dos custos ao mercado.
Segundo Roberto Levrero, presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, o desempenho abaixo do registrado em 2024 reflete diretamente as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais ao longo do ano. “O ano de 2025 foi marcado por um ambiente extremamente desafiador para o produtor rural e, consequentemente, para toda a cadeia de insumos. A complexidade desses fatores levou o agricultor a postergar decisões, pressionar por menores preços de insumos e buscar maior cautela na gestão da produção”, analisa Levrero.
De acordo com o levantamento, os segmentos considerados mais “comoditizados” sentiram maior pressão sobre preços e margens, enquanto produtos de maior valor agregado apresentaram comportamento mais resiliente, sustentados pela percepção do produtor sobre a importância dessas tecnologias para o aumento da produtividade e mitigação de riscos no campo.
Apesar da retração do faturamento, de forma geral, não houve redução significativa nos volumes comercializados, demonstrando a manutenção da relevância dos fertilizantes especiais e dos biofertilizantes no manejo agrícola.
Os biofertilizantes registraram crescimento de 76,7%, impulsionados principalmente pela ampliação do número de registros de produtos junto ao Ministério da Agricultura – o que contribui para a consolidação dos dados estatísticos; pela continuidade do aumento da adoção e pela expansão do número de empresas atuando no segmento. Já os fertilizantes orgânicos avançaram 58,5%, movimento favorecido pela recuperação dos preços médios de venda em 2025.
A soja ampliou sua participação nas vendas do setor, passando de 44,1% em 2024 para 48,6% em 2025, consolidando-se como principal cultura consumidora desses insumos. Minas Gerais permaneceu na liderança entre os estados consumidores, respondendo por 22% do faturamento do setor em 2025.
“A conjuntura econômica pressionou toda a cadeia. O setor segue demonstrando capacidade de adaptação e forte compromisso com inovação e sustentabilidade. O produtor continua entendendo que produtividade será cada vez mais decisiva para preservar rentabilidade”, acrescenta Levrero.
O Mercado de Condicionadores de Solo de Base Orgânica em 2025
O segmento de condicionadores de solo de base orgânica apresentou crescimento de 19,4% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando faturamento de R$ 154 milhões. Parte relevante desse resultado está associada à recuperação dos preços médios de venda ao longo do período.
Os produtos classificados como “Classe F” foram os principais responsáveis pelo avanço do segmento, registrando faturamento 71,4% superior ao observado em 2024.
O Mercado de Substratos para Plantas em 2025
O mercado de substratos para plantas encerrou 2025 com faturamento de R$ 517,2 milhões, crescimento de 22,8% em relação ao ano anterior. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento dos preços dos produtos, decorrente da escassez de importantes matérias-primas importadas.
Culturas como café e flores ampliaram a adoção de substratos em 2025, enquanto os segmentos florestais e de cana-de-açúcar para mudas registraram retração. Para 2026, a expectativa da indústria é de continuidade da pressão sobre custos, especialmente em função da dependência de matérias-primas importadas e do cenário econômico ainda instável.
“O setor continua investindo em pesquisa, desenvolvimento e inovação porque entende que produtividade, eficiência e sustentabilidade serão fatores cada vez mais estratégicos para a agricultura brasileira. Mesmo em um cenário desafiador, a demanda por tecnologias de alta performance permanece relevante”, conclui Levrero.
Para acessar o conteúdo completo do Anuário Brasileiro de Tecnologia para Produção Vegetal 2026 na íntegra: www.abisolo.com.br/anuario





