Ausência do produto do Brasil causaria aumento de preços e tornaria inviável o consumo da bebida nos Estados Unidos, afirma Bill Murray
O presidente da Nacional Coffee Association (NCA), entidade que reúne a indústria e os importadores americanos, Bill Murray, afirmou nesta quinta-feira (21/5) que “sem café brasileiro, não existe mercado americano de café”. Murray participou do Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP).
“Não conseguimos sobreviver sem o café brasileiro, sua alta qualidade e seu bom preço. Ele é essencial para todas as companhias de café nos Estados Unidos”, disse ele, em entrevista após participar de um debate sobre regulação.
Murray destacou que a ausência do produto brasileiro nos blends disponíveis para o consumidor americano causaria aumento de preços no mercado local e tornaria inviável o consumo da bebida no país.
O presidente da NCA disse acreditar que o comércio de café do Brasil com os Estados Unidos pode voltar aos patamares de antes da imposição de tarifas de importação pelo governo de Donald Trump.
Em abril, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações de café brasileiro, informa o relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Ainda assim, o volume caiu 19,52% na comparação com abril do ano passado, de 561,002 mil para 451,506 sacas de 60 quilos.
Somando os quatro primeiros meses do ano, os EUA ficaram em segundo lugar entre os maiores compradores, atrás apenas da Alemanha. Os embarques para os americanos caíram 41,46%, de 2,373 milhões para 1,389 milhões de sacas.
“Precisamos do café brasileiro. Eu estou bastante otimista de que vamos ver, sim, mais exportações”, disse ele.
A cobrança de tarifas de importação chegou a ser de 50%, até que cafés em grão, torrado e moído e descafeinado fossem incluídos em uma lista de exceções. O setor privado brasileiro e americano demanda, em conjunto, a inclusão do café solúvel.
O presidente da NCA não se disse nem otimista, nem pessimista sobre uma mudança na situação do café solúvel brasileiro, mas realista. Ele afirmou acreditar que há argumentos suficientes para uma decisão.
“Muitas pessoas nos Estados Unidos consomem café solúvel e elas estão preocupadas com a situação econômica. Se ficar mais caro, será mais difícil para os americanos comprarem”, disse ele. “O café solúvel também é um insumo importante para a indústria de bebidas prontas para beber em diferentes formulações. Está muito claro que precisamos de uma exceção”, ressaltou.
Murray destacou de forma positiva o trabalho conjunto com os exportadores na promoção do café brasileiro nos Estados Unidos.
E lembrou que, em conjunto com o Cecafé, apresentou argumentos consistentes às autoridades americanas responsáveis pela investigação contra o Brasil.
Ao mesmo tempo em que incluiu o Brasil no tarifaço, o governo dos Estados Unidos abriu um processo com base na seção 301 da lei de comércio americana, questionando práticas comerciais que considera irregulares.
“Temos sido consistentes em afirmar que, sem as exceções ao café brasileiro, os custos vão aumentar, o que pode pressionar a inflação nos Estados Unidos”, afirmou.
No painel de discussões, no seminário, Murray lembrou que a primeira rodada de tarifas de importação imposta pelo governo Donald Trump foi considerada ilegal pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Pontuou, no entanto, que a posição dos magistrados não representa o fim dos riscos de novas tarifas.
Atualmente, está em vigor uma tarifa global de 10% sobre as importações de produtos pelos Estados Unidos. A medida é temporária e seu término está previsto para julho. Ele disse acreditar que a Casa Branca já prepara uma nova ação para manter o uso de tarifas como instrumento político.
“Vimos as maneiras que ele (Trump) usa as tarifas, e ele faz de uma maneira bem heterodoxa. Não é uma situação normal e não vai mudar. Trump vê as tarifas como arma e vai fazer o que entende que deve fazer”, alertou o executivo.
Murray defendeu ainda iniciativas de educação dos consumidores americanos, combatendo a desinformação sobre o café, de forma geral, e o produto brasileiro, de modo particular. Em sua visão, a forma mais eficiente de fazer isso é com informação confiável e agregada sobre o setor.
“A pressão negativa leva à pressão política. Não adianta dizer que o café brasileiro é sustentável. Tem que provar. Precisamos de informação e estatísticas agregadas para pensar nas mensagens educativas”, afirmou (Globo Rural)






