Plantio de soja segue lento, mesmo com antecipação em alguns Estados

Semeadura do milho ganhou tração e ultrapassou o ritmo das últimas safras.

Apesar da antecipação do calendário de plantio de soja em alguns Estados, como Goiás e Rio Grande do Sul, e do início da semeadura em diversas regiões produtoras, como Paraná e Mato Grosso, o ritmo de implantação da safra 2026/27 da oleaginosa ainda está abaixo da série histórica.

De acordo com levantamento semanal feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apenas 0,5% da área havia sido plantada no país até 18 de setembro. Houve uma evolução do plantio na última semana. Em 11 de setembro, o percentual semeado estava em apenas 0,1%.

Mesmo assim, o número está abaixo da média dos últimos cinco anos para esta época, de 0,9%, e é parecido com o resultado apurado em 19 de setembro de 2025, quando 0,6% das lavouras haviam sido semeadas.

“De fato houve a antecipação do calendário de plantio, mas o que percebemos na ida a campo é que temos 0,5% semeado, levemente abaixo da série histórica. Ainda não podemos ter a conclusão precipitada de que teremos alguma influência no calendário em relação à semeadura”, disse Naiara Bittencourt, diretora de Política Agrícola e Informações da Conab, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (22/9).

Sílvio Porto, presidente da estatal, reforçou que a semeadura mais cedo é uma aposta de alguns produtores que pode dar certo em regiões onde as chuvas foram regulares e suficientes para o desenvolvimento da cultura. “Percebemos que alguns produtores que estão fazendo isso é quem tem capacidade de irrigação, caso haja qualquer problema de falta de chuva”, disse na coletiva.

Ele ressaltou que o momento climático é diferente, com registro de chuvas antecipadas ou em épocas incomuns em diversas regiões do país. Ele disse que no entorno de Brasília já há lavouras plantadas, mas principalmente onde há sistemas irrigados.

“É muito precipitado falar em movimento de antecipação. Com a ida a campos nos próximos dois meses vamos verificar o quanto isso foi movimento real”, disse Porto. “Se esse movimento de antecipação for concreto e der certo é bom, porque há segurança maior ao ampliar janela de plantio do milho para a segunda safra, mas em função das altas temperaturas, se tiver algum veranico entre outubro e novembro aqui no Centro-Oeste, é sempre um risco grande aos produtores”, concluiu.

De acordo com o levantamento mais recente de progresso de safra da Conab, Mato Grosso já semeou 0,6% da área projetada, ante 0,8% na mesma época de 2025 e 1% da média dos últimos cinco anos. Os agricultores de Mato Grosso do Sul já plantaram 1% da área estimada contra 0,5% em 19 de setembro de 2025, mas abaixo da média de 1,2% das últimas cinco temporadas.

No Paraná, 2% da área já foi semeada, ante 3% em 2025 e 3,6% da média dos anos recentes. Santa Catarina e São Paulo, que registraram médias de 1,2% e 0,4% das áreas semeadas nesta época nos últimos cinco anos, ainda não iniciaram o cultivo na safra 2026/27.

O levantamento considera 12 Estados que concentram 96% da área cultivada de soja no Brasil. Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também não haviam iniciado a semeadura até a última sexta-feira, de acordo com a Conab.

Milho

Já a semeadura do milho 1ª safra ganhou tração e ultrapassou o ritmo das últimas safras. Nos nove Estados que concentram 92% da área cultivada no país, o plantio já alcançou 21,4%, acima dos 20,8% registrados em 19 de setembro de 2025 e dos 19,2% da média das últimas cinco safras para esta época do ano.

O Rio Grande do Sul já semeou 65% da área projetada para esta safra, ritmo mais acelerado que a média recente, de 56%. No Paraná, 43% das lavouras já foram semeadas e em Santa Catarina, 25,6%.

Arroz e feijão

Segundo a Conab, quase 10% da área de arroz já foi plantada até 18 de setembro. O percentual está acima da média dos últimos cinco anos (6,1%) e representa uma aceleração em relação à mesma época de 2025, quando apenas 3,8% das lavouras haviam sido semeadas. O ritmo é mais intenso no Rio Grande do Sul, principal produtor do país, com 10% e em Santa Catarina, com 25%.

No caso do feijão 1ª safra, a área cultivada chegou a 6,7% em 18 de setembro de 2026 ante 8,3% na mesma época de 2025. Em São Paulo, onde o plantio já havia sido encerrado no ano passado, foram semeados 85% da área projetada. Paraná (7%), Santa Catarina (2,9%) e Rio Grande do Sul (19%) completam a lista de Estados que já iniciaram o cultivo (Globo Rural)

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