“Não há expectativa de exportação de carne bovina à UE antes de 2 anos”

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18/8) que acredita que o Brasil será reincluído, ainda neste ano, na lista de países aptos a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia. A decisão atual dos europeus é retirar a autorização dada aos exportadores brasileiros a partir de setembro por falta de comprovação de controle do não uso de antimicrobianos nas cadeias animais.

Mesmo assim, o ministro relatou que o retorno das exportações dependerá do ciclo de vida de cada cadeia animal. Não há, por exemplo, expectativa de que o fornecimento de carne bovina à UE volte antes de dois anos.

“O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

“A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

O ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos não só na UE, mas em um rol de 10 a 18 países que também seguem as exigências sanitárias europeias e poderão replicar o veto às proteínas brasileiras.

“A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula. Recentemente, a reportagem mostrou que a Noruega já definiu que vai espelhar a decisão da UE e não comprará os produtos a partir de 3 de setembro.

Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

“Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou. “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou na entrevista.

O ministro repetiu que todo o governo está envolvido em busca de uma solução para a questão, desde a secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, nas negociações técnicas, ao chanceler Mauro Vieira na área diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pactuações a nível de Estado.

“Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse. “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as pactuações são intensas. “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter comércio de seus produtos com o Brasil e que o governo brasileiro tem “instrumentos importantes” na negociação.

“A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu (Globo Rural)

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