Pesquisas apontam diferença de até 12 pontos percentuais na taxa de prenhez e mostram como a intensidade do cio pode orientar decisões reprodutivas
O monitoramento contínuo do comportamento das vacas pode revelar informações sobre a intensidade do cio e ajudar o produtor a tomar decisões mais precisas no manejo reprodutivo. Estudos realizados em diferentes países associam uma expressão mais intensa do cio a taxas de prenhez de 10 a 12 pontos percentuais superiores, resultado que pode representar um aumento relativo de aproximadamente 33%.
Os dados foram apresentados pelo professor da University of British Columbia, no Canadá, e especialista em reprodução animal Ronaldo Luis Aoki Cerri durante palestra promovida pela Nedap no Agroleite 2026, em Castro (PR). Médico-veterinário pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre e doutor em Biologia Animal pela University of California, Davis, Cerri abordou aplicações práticas das informações geradas pelos monitores de comportamento na rotina das fazendas leiteiras.
“Se você tiver um cio mais intenso ou mais longo, ele tende a estar muito associado à maior fertilidade. E não é um aumento pequeno: são de 10 a 12 pontos percentuais, o que pode representar um aumento relativo de 33% na prenhez”, afirmou o professor.
A intensidade do cio é identificada por meio de colares que monitoram continuamente as mudanças na atividade de cada animal em relação ao seu comportamento habitual. Já a duração corresponde ao período em que essa alteração permanece acima do padrão considerado indicativo de cio. Dessa forma, o alerta gerado pela solução pode fornecer mais informações do que apenas indicar que a vaca entrou no período fértil.
Segundo Cerri, a associação entre a expressão do cio e a fertilidade foi observada em pesquisas realizadas no Brasil, no Canadá, na Alemanha e em outros países. Embora os resultados possam variar conforme a fazenda e o perfil do rebanho, os estudos mostram de forma recorrente que vacas com maior expressão de cio tendem a apresentar melhores resultados reprodutivos.
A tecnologia da Nedap acompanha continuamente a atividade e o comportamento individual das vacas e organiza as informações em alertas reprodutivos. Além de identificar animais no cio, o sistema apresenta dados sobre sua intensidade e indica o momento mais adequado para a inseminação, permitindo que a equipe avalie cada animal de acordo com seu histórico e com a estratégia reprodutiva da propriedade.
Informação pode orientar decisões reprodutivas
Uma das aplicações possíveis é utilizar o histórico de cio para direcionar investimentos em genética. Animais que retomam a ciclicidade mais cedo após o parto ou manifestam cios mais intensos podem ser considerados em decisões como a escolha do sêmen e a seleção de receptoras para transferência de embriões.
“Se você sabe que esse animal já apresentou cio e tende a ser mais fértil, pode colocar um sêmen melhor, utilizá-lo para transferência de embriões ou tomar outra decisão. Isso vai de fazenda para fazenda”, explicou Cerri.
Pesquisas apresentadas durante a palestra também relacionam a maior intensidade do cio a melhores resultados na transferência de embriões. Nesse caso, a informação registrada pelo monitor pode ser utilizada como mais um critério para a seleção das receptoras.
“Se você tem receptoras que apresentaram um cio mais intenso, isso se traduz em melhor prenhez com aquele embrião. É uma informação que já está disponível e que pode ser utilizada na tomada de decisão”, destacou.
Os monitores também permitem identificar com maior precisão o início do cio, informação relevante para definir o momento da inseminação. Para o especialista, porém, a tecnologia deve contribuir para simplificar a rotina, sem tornar o manejo excessivamente complexo.
“A grande vantagem do monitor de atividade é detectar melhor quando começou o cio. Ele dá mais precisão para decidir se a inseminação será feita pela manhã ou à tarde, mas a palavra-chave é simplificar o processo”, disse.
Cerri ressaltou que os dados não devem ser analisados isoladamente. Condição corporal, número de lactações, produção de leite, saúde, problemas de casco e pernas, estresse térmico e lotação dos currais também podem influenciar a manifestação do cio e o desempenho reprodutivo.
“Os monitores de atividade podem ajudar muito na inclusão desse tipo de dado, não só como acompanhamento ao longo do tempo, mas como parte do processo de decisão sobre o que fazer”, concluiu.





