Informação foi divulgada no início da tarde pelo ministro da Agricultura, André de Paula.
O Ministério da Agricultura confirmou nesta segunda-feira (19/10) a identificação de um foco da Doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). A granja tem cerca de seis mil animais de corte.
O fluxo comercial das exportações de carne de aves segue sem interrupção até o momento. O governo reforçou a segurança no consumo dos produtos avícolas.
A ocorrência foi identificada a partir de uma coleta de amostras da vigilância ativa da equipe técnica da Pasta em 21 de setembro. Ou seja, não houve suspeita prévia. Os animais da granja não apresentaram sinais clínicos da doença.
O caso estava em investigação desde então e foi confirmado por testes realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de Campinas (SP) nesse domingo (18/10). O ministério considerou a detecção um resultado da atuação preventiva e do monitoramento epidemiológico.
O caso mais recente da doença havia sido registrado em 17 de julho de 2024, em Anta Gorda (RS). O episódio foi controlado e considerado oficialmente encerrado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) 90 dias depois.
A Doença de Newcastle é uma doença viral contagiosa que afeta várias espécies de aves.
Consumo de carne é seguro
O ministro da Agricultura, André de Paula, ressaltou que o consumo de carne e de produtos de peru e outras aves é seguro para o ser humano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi informado sobre a situação e determinou que o caso seja tratado com “rigor e transparência”, disse ele.
“A primeira pessoa que dei ciência foi ao presidente Lula, ele pediu que fosse atualizando ele e pediu transparência e celeridade”, afirmou em coletiva de imprensa na sede da Pasta. O ministro também conversou com o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. “Temos que estar todos unidos. Sou estreante nessa questão [sanitária], mas o presidente Lula não é. Temos muita confiança no trabalho feito aqui”, completou.
Como afeta as exportações
Até o momento, nenhum mercado importador de carne de aves foi fechado, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais substituto, Rafael Requião. O Ministério da Agricultura vai iniciar nesta segunda-feira a comunicação oficial com os mercados consumidores, com o apoio dos adidos agrícolas e do Itamaraty.
Em 2024, quando houve o caso mais recente da doença, o Brasil aplicou uma auto suspensão das vendas, inclusive para a China, principal comprador de carne de aves em geral. Desde lá, no entanto, alguns protocolos sanitários bilaterais foram atualizados para evitar a interrupção de fluxo comercial. A Pasta ainda não tem o levantamento detalhado de mercados potencialmente afetados.
“O primeiro esforço é transmitir aos principais parceiros as informações detalhadas, explicar aos consumidores em outros países o que aconteceu e que providências estão sendo tomadas para minimizar a interrupção”, disse Requião, na coletiva de imprensa. “Até o momento, ainda não temos nenhuma interrupção de comércio, estamos em contato com autoridades sanitárias de outros países para minimizar impacto”, completou.
A granja tem cerca de seis mil aves, que serão sacrificadas em breve. Não houve movimentação desses animais, ou seja, eles não saíram da granja desde o início do alojamento, o que reduz o risco de disseminação do vírus, segundo o secretário de Defesa Agropecuária substituto, Allan Alvarenga.
“Entendemos que trata-se de um caso bastante restrito. Não podemos afirmar categoricamente, mas não temos suspeita de ser evento em maior escala”, afirmou o secretário (Globo Rural)
Vendas de carnes de aves para a China devem sofrer bloqueio temporário
Protocolo sanitário prevê que o Brasil aplicará uma auto suspensão; impactos também podem atingir exportações para a UE, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O setor frigorífico brasileiro já considera como certo o bloqueio temporário das vendas de carne de aves de todo o país para a China, seu principal cliente, por conta da identificação de um foco da Doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Santa Catarina (SC).
O protocolo sanitário entre brasileiros e chineses prevê que o Brasil aplicará uma auto suspensão nesses casos, como ocorreu em 2024. Não há prazo definido para o retorno do comércio à normalidade.
Questionado mais cedo sobre o tema, o Ministério da Agricultura não confirmou se haverá auto suspensão das vendas para algum destino. A Pasta informou, na coletiva de imprensa, que está realizando um levantamento em todos os protocolos assinados com países importadores e que seguirá o que dizem esses acordos, mas que vai pleitear a manutenção do comércio.
O comunicado oficial do Brasil para a China sobre o foco da doença de Newcastle deverá ser enviado ainda nesta segunda-feira (19/10), segundo fontes a par do tema. Atualmente, 61 estabelecimentos, entre frigoríficos e entrepostos, são autorizados a exportar carne de aves aos chineses.
Em 2024, quando um foco da doença de Newcastle foi confirmado em Anta Gorda (RS) após 18 anos sem registros no país, as suspensões de comércio afetaram ao menos 44 destinos e cerca de 7% da produção nacional, segundo estimativas divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Naquele episódio, a suspensão das vendas para a China de empresas de todo o país ocorreu dois dias após a confirmação do foco, em 19 de julho de 2024. Os chineses retomaram as compras já em agosto, mas mantiveram embargo para frigoríficos do Rio Grande do Sul. O bloqueio às plantas gaúchas durou até janeiro de 2026.
De janeiro a setembro, os embarques somaram 4,421 milhões de toneladas, alta de 14% em relação às 3,877 milhões de toneladas exportadas no mesmo período de 2025, de acordo com dados da ABPA. A receita acumulada alcançou US$ 8,673 bilhões, aumento de 21% ante os US$ 7,166 bilhões registrados no ano anterior.
Os principais importadores são China, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Também deverá haver autoembargo para a União Europeia, mas com efeito reduzido. O protocolo para lá prevê suspensão das vendas dos estabelecimentos localizados no raio de 10 quilômetros do foco, o que envolve 133 granjas comerciais identificadas pelo Ministério da Agricultura.
As exportações de carnes de aves para o bloco, no entanto, já estão suspensas desde 3 de setembro por conta do não atendimento de exigências para controle de uso de antimicrobianos. Esse tema específico será analisado pelos europeus em reunião do comitê técnico (Scopaff, na sigla em inglês) nesta semana e há perspectiva de liberação do mercado em novembro.
Fontes do setor consideram que pode haver também impacto nas vendas para a Arábia Saudita, pois o protocolo prevê suspensão de vendas do Estado onde o foco foi identificado. Santa Catarina é o segundo maior exportador de carne de frango, com quase 1 milhão de toneladas embarcadas neste ano para todos os destinos, atrás apenas do Paraná.
Os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior cliente comprador de carne de aves, aplica embargo apenas para estabelecimentos localizados no raio de 10 quilômetros do foco (Globo Rural)
México suspende importação de frango do Brasil após foco da doença de Newcastle em SC
Autoridades afirmam que a doença não representa risco significativo para humanos e que o consumo de produtos inspecionados segue seguro.
O México suspendeu nesta segunda-feira (19) a importação de carne de frango e de outros produtos avícolas brasileiros após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina.
A restrição foi anunciada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, que informou que a medida também vale para aves vivas e ovos férteis. Segundo o governo mexicano, a suspensão busca proteger a produção avícola do país, que é considerado livre da doença.
O foco foi confirmado pelo Ministério da Agricultura em uma granja de perus de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A propriedade, que abriga cerca de 6 mil animais, foi interditada, e as autoridades iniciaram ações para eliminar o vírus e monitorar outros estabelecimentos da região.
Em nota, o ministério informou que a movimentação de aves foi suspensa no local e que as medidas de contenção e erradicação seguirão o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. O caso será comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil.
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa entre aves. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, ela pode provocar problemas respiratórios e neurológicos, queda na produção de ovos e alta mortalidade nos plantéis. As autoridades afirmam que a doença não representa risco significativo para a saúde humana.
O Ministério da Agricultura e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) reforçaram que o consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados continua seguro. Os órgãos destacam que a ocorrência está relacionada à sanidade animal e não à segurança dos alimentos.
Entidades do setor avícola afirmaram que acompanham o caso e ressaltaram que a detecção do vírus na granja não altera a segurança dos produtos destinados ao consumo.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, e a confirmação do foco levou o governo brasileiro a informar o caso aos países importadores, entre eles o México, um dos mercados compradores dos produtos avícolas brasileiros.
O que é a doença de Newcastle?
A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça.
A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo.
A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo (G1)
Ações de MBRF e JBS caem com descoberta de foco de Newcastle em Santa Catarina
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a granja de perus de Nova Itaberaba onde foi detectado o caso é integrada à MBRF.
As ações de MBRF e BDRs da JBS, ambas produtoras e exportadoras de carnes de aves, bovina e suína, recuam nesta segunda-feira (19/10) após a confirmação, pelo Ministério da Agricultura, de foco de doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC).
Os papéis da MBRF caíam 4% há pouco, para R$ 18,04 por ação, mas chegaram a recuar mais de 6% mais cedo. Já as BDRs (papéis que refletem as ações da companhia negociadas no mercado americano) da JBS registravam perda menos acentuada, de 1,78%, para R$ 65,27. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a granja de perus de Nova Itaberaba onde foi detectado o caso é integrada à MBRF. Procurada, a companhia não comentou.
Na avaliação do analista da Genial Investimentos, Luca Vello, a diferença entre as perdas dos papéis da MBRF e JBS reflete a exposição das duas companhias às exportações de aves. “Na MBRF, aves produzidas e exportadas do Brasil pesam mais no resultado, enquanto a JBS é mais diversificada, com carne bovina e frango fora do Brasil. O risco que o mercado precifica é comercial”, afirmou Vello em nota enviada à reportagem.
O analista lembrou que a China, maior cliente do Brasil, exige aves de áreas livres de Newcastle e que, em 2024, quando foi identificado caso da doença em Anta Gorda (RS), o país asiático parou de comprar de todo o Brasil, retomando importações do país e excluindo o Rio Grande do Sul em agosto. Compras do Estado só foram restabelecidas em janeiro deste ano.
Segundo Vello, se uma eventual restrição ficar no entorno do foco, “o efeito é pequeno; se Santa Catarina for fechada para mercados relevantes, o peso cai sobre quem mais exporta de lá”.
A confirmação do caso da Doença de Newcastle na granja comercial catarinense foi feita nesta segunda-feira, pelo Ministério da Agricultura, perto da hora do almoço. A ocorrência foi identificada a partir de uma coleta de vigilância ativa do Ministério em 21 de setembro. O caso estava em investigação desde então e foi confirmado por testes realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) da pasta neste domingo (18/10).
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária substituto, Allan Alvarenga, não houve movimentação dos cerca de seis mil animais de corte da granja, ou seja, eles não saíram do local desde o início do alojamento, o que reduz o risco de disseminação do vírus.
O caso mais recente da doença havia sido registrado em 17 de julho de 2024, em Anta Gorda. Na ocasião, o Brasil aplicou um auto-embargo das vendas externas. De lá para cá, no entanto, alguns protocolos sanitários bilaterais foram atualizados para evitar a interrupção de fluxo comercial.
O ministério disse não ter ainda o levantamento detalhado de mercados potencialmente afetados. Em 2024, o caso de Newcastle foi controlado e considerado oficialmente encerrado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) 90 dias depois.
A produção de peru do Brasil, de 136,7 mil toneladas em 2025, é pequena quando comparada à de frango, quase 15,3 milhões de toneladas. O país exportou no ano passado 65,8 mil toneladas de peru para 88 países, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Já os embarques de frango, nos quais o Brasil é líder mundial, somaram 5,324 milhões de toneladas, de acordo com a ABPA. Santa Catarina foi o segundo maior estado exportador de frango do país, com 23,3% do total, atrás apenas do Paraná, de onde saiu 40,8% de todo o volume de carne de frango enviado ao exterior no ano passado. Um eventual auto embargo das exportações valeria para todos os tipos de aves (Globo Rural)




