Governo considera Plano Safra de R$ 550 bi, diz ministro da Agricultura

Taxas de juros seriam inferiores a 10%; também serão liberados R$ 14 bilhões em linha de crédito para compra de máquinas agrícolas.

O ministro da Agricultura, André de Paula, disse, nesta terça-feira (2/6), que o governo estuda colocar um volume de crédito rural em torno de R$ 550 bilhões para o Plano Safra 2026/27, com taxas de juros inferiores a 10%. Ele fez a afirmação ao participar de um evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Em entrevista coletiva, o ministro disse que esse valor é “razoável”, e prometeu que o governo vai trabalhar para que as taxas de juros no crédito rural caibam no bolso dos produtores.

Em 2025, o governo anunciou um Plano Safra de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e mais R$ 89 bilhões para a agricultura familiar.

“Por mais que possamos entender que não podemos deixar de anunciar números robustos, se não tivermos juros compatíveis com a realidade do produtor, a eficácia da medida fica comprometida”, disse ele.

O ministro ressaltou que a discussão sobre as condições do próximo Plano Safra é feita de forma transversal dentro do governo. Não detalhou, no entanto, como estão as tratativas para garantir o orçamento necessário para a equalização das taxas de juros no crédito rural nas linhas controladas.

E que a expectativa, como uma “pré-agenda”, é anunciar o crédito rural para a próxima safra no dia 1º de julho.

“Temos legitimidade e condição de brigar pelo que interessa ao setor, mas, ao fim e ao cabo, diante dos desafios, o governo deve ter uma posição só. Eu vou lutar para que o governo tenha a melhor posição possível para o setor e a decisão final caberá ao presidente Lula”, afirmou.

Máquinas agrícolas

O ministro da Agricultura também afirmou que o governo vai ampliar de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões a linha de crédito especial para a modernização de máquinas agrícolas. Ele explicou que o novo valor é uma extensão da linha de crédito anunciada pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante a feira de tecnologia agrícola Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). As novas condições serão detalhadas na próxima semana, durante a Bahia Farm Show, feira que ocorrerá em Luís Eduardo Magalhães (BA).

Na Agrishow, Alckmin anunciou que a linha de crédito teria taxas de juros de um dígito (abaixo de 10% ao ano). Hoje, André de Paula confirmou que as taxas serão de 8,5% ao ano para as operações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de 9,5% para as operações com os demais agentes financeiros.

O ministro destacou que os resultados de geração de negócios nas primeiras grandes feiras de tecnologia agrícola do ano refletem o momento difícil no campo. A Agrishow deste ano teve uma intenção de negócios de R$ 11,4 bilhões, queda de 22% em relação aos R$ 14,6 bilhões de 2025.

“Esse programa vem ao encontro das necessidades. Socorre com crédito em termos muito mais favoráveis. A partir de segunda-feira (8/6), com esse anúncio, de imediato, vai ser possível pactuar nesses termos”, disse.

Questionado sobre o alto nível de endividamento dos produtores, André de Paula destacou que o governo reconhece o desafio de garantir o acesso ao crédito. Defendeu a redução das taxas de juros e do fortalecimento do programa de seguro rural no país.

“As questões climáticas estão cada vez mais presentes. E quando trabalho com seguro, tem maior garantia, mais segurança e as taxas de juros tendem a ser mais razoáveis”, afirmou (Globo Rural)

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