Fertilizantes e bioinsumos impulsionam produtividade no campo brasileiro

Consumo de fertilizantes cresce 9,3% e bioinsumos alcançam 194 milhões de hectares tratados em 2025

O agronegócio brasileiro fechou 2025 com números que confirmam uma mudança estrutural no uso de insumos agrícolas. O consumo de fertilizantes atingiu 35,86 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O desempenho mantém o Brasil como quarto maior mercado mundial do setor, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos, e responde por cerca de 8% da demanda global.

O crescimento não é isolado. Ele acompanha a expansão da safra de grãos brasileira, que alcançou 346,1 milhões de toneladas em 2025, ante 292,5 milhões no ano anterior, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 70% do consumo de fertilizantes, refletindo o peso dessas culturas na balança produtiva do país. A demanda aquecida também pressionou as importações, que somaram 43,32 milhões de toneladas no ano; por isso, expõe-se a dependência externa do setor e a necessidade de alternativas que ampliem a eficiência do insumo aplicado.

“O negócio do produtor rural hoje é altamente globalizado. Dependemos de insumos e defensivos que vêm do exterior como moléculas químicas, fertilizantes, compostos que não fazem parte do mercado interno brasileiro. Quando há uma guerra entre Ucrânia e Rússia, ou tensões no Estreito de Ormuz, isso afeta diretamente o custo de produção no campo. Os bioinsumos mudam essa equação porque são nacionais. A indústria brasileira de bioinsumos depende muito menos do mercado externo, o que reduz a exposição do produtor às oscilações globais”, diz Fellipe Parreira, Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro.

É nesse contexto que os bioinsumos ganham protagonismo. Segundo o CropLife Brasil, o mercado movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025 e alcançou 194 milhões de hectares em área tratada, crescimento de 28% sobre o ano anterior. Os inoculantes, compostos por bactérias fixadoras de nitrogênio, estiveram presentes em 77 milhões de hectares, consolidando seu papel na redução de custos com adubação nitrogenada e na transição para sistemas de menor emissão de carbono. O maior salto foi registrado pelos bionematicidas, que expandiram 60% em área tratada entre 2024 e 2025.

Os números indicam que os bioinsumos deixaram de ocupar posição complementar nos sistemas produtivos. A adoção crescente reflete tanto a maturidade tecnológica dos produtos disponíveis quanto a busca do produtor por ferramentas que combinem produtividade e redução de custos, especialmente em um cenário de crédito restrito e margens pressionadas.

“Além da segurança logística, há um componente econômico direto. Temos bactérias que fixam nitrogênio do ar e o tornam assimilável pela planta, tecnologias que aumentam a disponibilidade de fósforo no solo. Isso torna o sistema mais eficiente e rentável. Mas é preciso estratégia: não se faz nutrição vegetal só com bioinsumos. O equilíbrio entre o biológico e o químico é o que converte essa decisão em lucro para o produtor”, afirma.

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