JBS e a empresa controlada pela Marfrig, a National Beef, são alvos da operação contra práticas abusivas comerciais. A norte-americanas Cargill e Tyson Foods também são investigadas.
Por Vivian Souza
Os EUA divulgaram na segunda-feira (4) que pagarão uma recompensa que pode ultrapassar o valor de US$ 1 milhão para quem fornecer informações contra frigoríficos investigados por práticas abusivas comerciais.
· A JBS e a empresa controlada pela Marfrig nos Estados Unidos, a National Beef, são alvos da operação.
· Além delas, as empresas norte-americanas Cargill e Tyson Foods também são investigadas desde novembro do ano passado.
· A investigação começou por solicitação de Trump, que acusou as quatro empresas de elevarem os preços da carne bovina “por meio de conluio ilícito”.
· Segundo o governo dos EUA, entre 1980 e 1990, a fatia de gado comprada por esses frigoríficos passou de um terço para mais de 80% do rebanho nacional.O governo dos Estados Unidos afirmou nesta semana que pagará uma recompensa que pode ultrapassar US$ 1 milhão a quem fornecer informações sobre frigoríficos investigados por práticas comerciais abusivas.
A JBS e a National Beef, controlada pela Marfrig nos Estados Unidos, são alvos da investigação. Além delas, as norte-americanas Cargill e Tyson Foods também são analisadas desde novembro do ano passado.
A operação começou por solicitação do presidente dos EUA, Donald Trump, que acusou as quatro empresas de elevarem os preços da carne bovina “por meio de conluio ilícito”. Segundo o governo, entre 1980 e 1990, a fatia de gado comprada por esses frigoríficos passou de um terço para mais de 80% do total nacional.
O Departamento de Justiça informou que revisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pessoas do setor, como pecuaristas e produtores.
A recompensa pode variar de 15% a 30% do valor das multas aplicadas às empresas, que devem ultrapassar US$ 1 milhão. O pagamento será feito a quem fornecer informações sobre possíveis crimes concorrenciais ou fraudes.
Em nota, a Marfrig afirmou que respeita as leis de defesa da concorrência. A empresa acrescentou que, nos EUA, a National Beef atua em sociedade com 700 produtores locais, que detêm cerca de 18% do capital da companhia.
O g1 procurou a JBS, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Foco nas empresas brasileiras
A JBS é a maior produtora de carne nos EUA, segundo a empresa. Já a National Beef é a quarta maior e é reconhecida como a mais lucrativa do setor no país, segundo a Marfrig.
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou na segunda-feira que a propriedade estrangeira de grandes processadores de carne representa uma ameaça ao país.
“Uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e possui um histórico documentado de corrupção internacional e atividade ilícita”, disse a secretária.
Ela também associou a empresa a casos de corrupção, cartéis e trabalho escravo, citando denúncias recentes. “O que já é ruim o suficiente por si só, mas também é em detrimento dos grandes pecuaristas independentes e consumidores da América”, declarou.
No dia 29, o Ministério Público do Trabalho (MPT) do Pará pediu a condenação da JBS em, no mínimo, R$ 118 milhões por trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva da pecuária. Na ocasião, a empresa disse que “não foi notificada sobre as ações mencionadas”.
Além de Rollins, o conselheiro do presidente Trump, Peter Navarro, disse que o lobby da carne, representado por brasileiros, teria “ameaçado silenciosamente a Casa Branca” em resposta ao tarifaço. Segundo ele, isso teria resultado no desvio de carne dos EUA para a China.
Em agosto, os EUA aplicaram uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados para o país, incluindo carne. O Brasil é o principal fornecedor do produto para a indústria norte-americana.
Menos gado no pasto
Os estoques de gado nos EUA caíram ao nível mais baixo em quase 75 anos, após fazendeiros reduzirem seus rebanhos devido a uma seca prolongada, que prejudicou as pastagens e elevou os custos de alimentação.
O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, há um ano, a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado.
Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para suprir a demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços.
A baixa oferta obrigou frigoríficos a pagar mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes.
· Em dezembro, a JBS informou que fecharia de forma permanente uma fábrica nos arredores de Los Angeles, responsável por preparar carne bovina para venda em supermercados dos Estados Unidos.
· O frigorífico rival Tyson Foods também anunciou, em janeiro do ano passado, o fechamento de uma importante fábrica de abate de gado em Nebraska, que emprega cerca de 3.200 pessoas.
Pecuaristas insatisfeitos
Pecuaristas norte-americanos criticam Trump desde outubro, após o presidente sugerir que o país importe mais carne bovina da Argentina. Na ocasião, ele disse que usaria a medida para reduzir os preços nos EUA, que atingiram níveis recordes.
Os produtores viram o comentário como uma ameaça, em um momento de preços elevados do gado e forte demanda dos consumidores americanos.
Trump respondeu às críticas nas redes sociais e afirmou que eles estão em boa condição econômica graças ao tarifaço imposto ao Brasil e a outros países.
“Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”, disse Trump em sua rede social (g1)
Secretária da Agricultura dos EUA faz duras acusações contra JBS e MBRF
O pronunciamento da secretária de Agricultura dos EUA (no governo Trump em 2026), Brooke Rollins, em 4 de maio de 2026, intensificou drasticamente uma investigação criminal antitruste contra as maiores processadoras de carne, com foco especial na JBS e no grupo MBRF (Marfrig/BRF), acusando-as de formação de cartel e manipulação de preços no mercado americano.
Principais pontos da repercussão:
· Acusações Diretas: Rollins classificou a JBS como uma empresa com “histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas” e descreveu a concentração de mercado (onde 4 empresas, incluindo JBS e a subsidiária da MBRF, National Beef, controlam 85% do mercado) como uma vulnerabilidade estratégica e risco à segurança nacional.
· Investigação Criminal e “Tarifaço”: O Departamento de Justiça (DOJ) confirmou a análise de mais de 3 milhões de documentos, investigando conluio na compra de gado. Isso ocorre em um contexto de tarifas de 50% impostas por Trump sobre a carne brasileira, afetando a logística das empresas.
· Recompensa a Delatores: O governo americano passou a oferecer recompensas em dinheiro (15% a 30% dos valores recuperados) para quem denunciar o esquema de cartel.
· Impacto no Brasil: A ofensiva contra as empresas brasileiras foi incluída na agenda do encontro entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, aumentando a tensão diplomática e comercial.
· Reação das Empresas: JBS e MBRF optaram por não comentar publicamente a iniciativa da Casa Branca na ocasião.
Contexto da Ação:
A ofensiva é motivada pela alta inflação da carne nos EUA e denúncias de que os frigoríficos pagam menos aos pecuaristas americanos enquanto cobram preços recordes ao consumidor. A administração americana, com forte retórica nacionalista, criticou a influência de capital estrangeiro no setor (IA Google)





