Proposta do USTR exclui produtos considerados estratégicos como café, minérios e commodities energéticas.
O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs, em documento divulgado no final da noite desta segunda-feira (1/6), a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”.
O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301 da Lei – ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas. Nesse grupo, carne bovina, café certas frutas e nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos estariam isentos de tarifas punitivas.
Em nota, o USTR diz que “certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”.
Como adiantado pela CNN, o governo brasileiro já aguardava para os próximos dias uma nova sanção dos EUA. A perspectiva do Palácio do Planalto era de que houvesse uma recomendação para uma punição, mas sem uma aplicação imediata.
“Iniciei esta investigação ao abrigo da Secção 301 a pedido do presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA relativamente a certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirmou o Embaixador Jamieson Greer.
“Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”, completou Greer (CNN Brasil)
Filho de cubanos: Quem é o nomeado de Trump para ser embaixador no Brasil
Daniel Perez é deputado estadual na Flórida e ganhou manchetes do noticiário político americano ao travar embate com governador Ron DeSantis, rival do presidente.
A Casa Branca anunciou, nesta sexta-feira (1º), uma série de nomeações enviadas pelo presidente americano Donald Trump para aprovação do Senado.
Entre elas, está o nome de Daniel Perez, que foi indicado para assumir o posto de embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
O cargo está vago desde a saída de Elizabeth Bagley, da época do ex-presidente Joe Biden.
Quem é Daniel Perez, nomeado por Trump para ser embaixador no Brasil?
O potencial embaixador americano em Brasília é atualmente um deputado republicano no estado da Flórida e ocupa a cadeira de presidente da Câmara de Representantes estadual.
Segundo seu site oficial, ele nasceu em Nova York, mas se mudou com a família ainda na infância para a Flórida, na cidade de Westchester.
O site também destaca que Perez é filho de cubanos e, por isso, “aprendeu desde cedo a importância do trabalho árduo, do otimismo, do serviço público e da liderança”.
“Perez é um homem de família dedicado. Ele é casado com Stephanie Ann Perez e juntos são os orgulhosos pais de Camila Lucia, Matías Daniel e Paulina Andrea”, acrescenta a biografia.
Ele estudou na Florida State University e na Faculdade de Direito da Loyola University New Orleans e foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017.
A campanha para o cargo, segundo sua equipe, foi focada em “responsabilidade, impostos mais baixos, menos intervenção governamental e proteção de nossas comunidades”.
“Como presidente da Câmara, ele busca abordar questões críticas relacionadas à saúde, infraestrutura, moradia acessível e seguro imobiliário, mantendo-se fiel à sua missão de ser a voz de seus eleitores em Tallahassee”, afirma seu site oficial.
Nomeado pede mudança em Cuba e comemorou captura de Maduro
Em janeiro deste ano, ele compartilhou um vídeo nas redes sociais do secretário de Estado, Marco Rubio, falando sobre a necessidade de mudança de regime em Cuba.
“É revigorante ter alguém falando com tamanha clareza direta e moral sobre a necessidade de mudança em Cuba. Obrigado, Secretário Rubio pelo seu serviço a esta nação e pelo compromisso com a liberdade!”, escreveu Perez.
Dias antes, ele fez outra publicação comemorando a operação militar americana em Caracas que capturou Nicolás Maduro.
“Hoje, o presidente Donald Trump tomou medidas decisivas para trazer paz e segurança ao nosso hemisfério e desferir um golpe significativo contra os cartéis de drogas que lucram com a morte e a destruição de vidas americanas”, escreveu.
“Sou grato a todo o pessoal dos EUA por sua bravura e dedicação à liberdade”, concluiu.
Nomeado para embaixador trava embate com rival de Trump
Desde o ano passado, Perez também tem sido destaque de reportagens do noticiário político americano por sustentar um embate com o governador da Flórida, Ron DeSantis – republicano que rivalizou com Trump na disputa pela candidatura do partido nas eleições de 2024 e perdeu.
Uma reportagem na edição de verão de 2025 da revista Governing escreveu: “Governadores que concorrem sem sucesso à presidência muitas vezes acabam menos populares em seus estados. Esse foi o caso de Ron DeSantis na Flórida. Depois de dominar a política estadual por anos, DeSantis agora enfrenta um antagonista surpreendente: o também republicano presidente da Câmara, Daniel Perez.”
“Os dois já discutiram sobre tudo, desde o ensino superior e a exploração de petróleo em alto-mar até o financiamento de serviços de apoio legislativo e normas de segurança para condomínios”, acrescentou a revista.
No início de 2025, destaca a reportagem, os dois entraram em conflito por causa da imigração e uma investigação sobre uma organização sem fins lucrativos ligada à esposa do governador.
“Perez, um cubano-americano de 38 anos de Miami, não recuou nem por um minuto, acusando publicamente DeSantis de mentir, de ser emotivo e de ter ataques de raiva. “Ameaçar os outros para conseguir o que quer não é liderança, é imaturidade”, disse Perez no plenário da Câmara”, escreve a Governing.
O nomeado por Trump para ser embaixador no Brasil chegou a ser descrito como “a primeira oposição real que DeSantis enfrenta desde que assumiu o governo em 2019”.
O embate também foi pauta do jornal The New York Times, que escreveu em julho do ano passado: “A relação entre DeSantis e Perez tornou-se tão rancorosa que, em certo momento, DeSantis se referiu aos deputados como “traiçoeiros”. Perez rebateu dizendo que o governador “emocional” estava fazendo “birras”.”
No final do ano passado, ele chegou a ser cotado para concorrer – com apoio do governo Trump – ao cargo de procurador-geral da Flórida contra um aliado do governador, mas a candidatura não se concretizou e ele seguiu como presidente da Câmara.
Em abril deste ano, conforme reportou o site Politico, Perez voltou a confrontar DeSantis ao obstruir dois projetos de lei do governo, que tratavam de isenções de obrigatoriedade de vacinas e regulamentação da inteligência artificial.
Em maio, durante um evento na cidade de Madison, DeSantis fez novas críticas a Perez. Segundo o jornal local Florida Phoenix, o governador “fez um discurso inflamado por quase 10 minutos para expressar raiva e frustração com o republicano de Miami, alegando que ele [Perez] tem uma agenda pessoal” (CNN)



