A estimativa considera o trâmite dentro da Comissão Europeia de análise dos controles de uso de antimicrobianos adotados.
A Delegação da União Europeia no Brasil, que reúne um grupo de diplomatas incluindo o embaixador chefe da delegação, informou ao Valor que prevê a retomada das exportações brasileiras de carne de frango e mel ao bloco “até o fim de 2026”. A estimativa considera o trâmite dentro da Comissão Europeia de análise dos controles de uso de antimicrobianos adotados nas cadeias de frango e mel do Brasil.
De acordo com as informações enviadas ao Valor pela delegação europeia, o assunto foi debatido no Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff) e “os Estados-membro estiveram de acordo” sobre os controles nas duas cadeias brasileiras. A delegação disse, contudo, que não houve declaração oficial da reunião. Na quarta-feira, a Reuters informou que a comissão havia dito, “em comunicado”, que pretende propor a re-listagem no Brasil entre os países autorizados a exportar frango e mel ao continente.
“Está prevista uma reunião em meados de novembro para votar o levantamento do embargo às exportações de frango e mel do Brasil para a UE. Depois de votado, demora cerca de 20 dias até entrar em vigor [o fim do embargo]”, afirmou a representação. “Prevemos que até ao final de 2026, as exportações destes produtos para a UE seja retomada”, disse.
Novos encontros do Scopaff estão agendados para os dias 16 e 17 de novembro, segundo informações do site do comitê. Somando 20 dias após o fim das reuniões, a perspectiva é de que a suspensão do embargo ocorra no início de dezembro.
Em maio, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar ao bloco produtos de origem animal, como carnes de frango, bovina, pescados e mel. O argumento foi que o Brasil não conseguiu comprovar o controle do uso de antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva destes produtos. Desde então, as tratativas entre os dois lados se intensificaram, mas os europeus mantiveram a decisão de suspender as importações dos produtos no começo de setembro.
No fim de agosto, uma missão europeia visitou granjas e unidades produtivas de frango e mel no Brasil, para verificar in loco todos os controles adotados, inclusive etapas extras incorporadas pela cadeia brasileira para a comprovação dos controles. Na época, o bloco considerou “satisfatórios” os controles sanitários observados no país (Globo Rural)
Governo vai vistoriar mais de 1,6 mil propriedades próximas ao foco de Newcastle
Ministério da Agricultura e a Cidasc montaram um Centro de Operações em Santa Catarina.
O Ministério da Agricultura e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) montaram um Centro de Operações de Emergência em Saúde Animal (Coezoo) para coordenar os trabalhos para o encerramento do foco da Doença de Newcastle registrado em Nova Itaberaba, no oeste catarinense.
As ações envolvem a vigilância em 1.680 propriedades rurais em um raio de 10 quilômetros da granja onde o caso foi identificado.
Segundo a Cidasc, são 166 propriedades no raio de três quilômetros foco nas quais haverá coleta de amostras para análise. Outros 1.514 imóveis no raio 10 de quilômetros também serão vistoriados e monitorados. Os dados sobre tipo de criação e quantitativo de animais, que servem de orientação para o trabalho de campo, são dos registros georreferenciados da Cidasc.
Desde terça-feira (20/10), 15 equipes técnicas, compostas por pelo menos um médico veterinário, realizam a vigilância epidemiológica na região. Até agora, 46 propriedades com aves de subsistência já foram vistoriadas. Também houve coletas para análise laboratorial em 20 estabelecimentos de criação comercial de aves de corte, duas propriedades de recria de frango de corte, um aviário de matrizes para reprodução e um incubatório, além de quatro criações de perus e outros oito imóveis.
Na quarta-feira (22/10), três veterinários da Cidasc acompanharam a limpeza da granja onde o foco da doença foi detectado. O processo envolve diferentes etapas e a aplicação de produtos apropriados para a desinfecção para permitir a retomada do alojamento de animais no local futuramente, após o período de vazio sanitário. Os 6.526 perus que estavam no estabelecimento foram sacrificados e enterrados na quarta-feira (21/10).
O Coezoo envolve ainda integrantes do Ministério de Desenvolvimento Regional, do Ministério da Defesa, da Defesa Civil de Santa Catarina, da Polícia Civil do Estado, do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa) e do setor produtivo (Globo Rural)
Governo declara estado de emergência zoossanitária por 60 dias em região de foco de Newcastle
O Ministério da Agricultura publicou a Portaria Mapa nº 962/2026, que declara estado de emergência zoossanitária, pelo prazo de 60 dias, nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, em Santa Catarina.
A decisão ocorre após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, na segunda-feira (19/10).
Em comunicado, a pasta informou que notificou oficialmente a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicou o foco aos parceiros comerciais bilaterais, compartilhando as informações técnicas iniciais sobre o evento e as medidas sanitárias adotadas.
O despovoamento sanitário do estabelecimento afetado teve início em 19 de outubro e foi concluído no dia 20, segundo o ministério. Atualmente, estão em andamento os procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações, conforme os protocolos sanitários aplicáveis.
Paralelamente, seguem as ações de vigilância epidemiológica e de monitoramento das propriedades localizadas na área de restrição sanitária, além do controle do trânsito de animais e de outros materiais sujeitos às regras sanitárias estabelecidas.
As ações de resposta à emergência vêm sendo adotadas de forma integrada por profissionais da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), do Ministério da Agricultura, da Prefeitura Municipal, da Polícia Civil e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa) (Globo Rural)
Newcastle pode pressionar preço do frango no Brasil em 2027, diz Itaú BBA
Análise do Itaú BBA aponta que restrições comerciais após caso de Newcastle em Santa Catarina podem elevar estoques e ampliar a oferta no mercado interno no início do próximo ano.
O aumento da produção brasileira de carne de frango, combinado com possíveis restrições às exportações após a confirmação de um caso de doença de Newcastle em Santa Catarina, pode pressionar os preços da proteína no mercado interno no início de 2027. A avaliação é do Itaú BBA, que aponta riscos para a comercialização da produção catarinense caso os mercados importadores demorem a retomar as compras.
Em relatório divulgado, a consultoria destaca que o impacto do episódio sobre o setor brasileiro tende a ser limitado, mas pode ser mais significativo para os produtores e frigoríficos de Santa Catarina. O estado é o segundo maior produtor de frango do país e tem forte dependência do mercado externo, com cerca de 63% da produção destinada às exportações.
Em 2025, Santa Catarina produziu aproximadamente 1,9 milhão de toneladas de carne de frango, o equivalente a 13,4% da produção nacional. No comércio exterior, respondeu por 1,2 milhão de toneladas exportadas, que geraram US$ 2,45 bilhões, representando 22,5% do volume e 25% da receita das exportações brasileiras da proteína.
A confirmação do foco de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste catarinense, levou alguns países a impor restrições às compras. A China suspendeu 14 unidades de Santa Catarina entre as 61 plantas brasileiras habilitadas, enquanto Arábia Saudita e Chile também adotaram medidas direcionadas ao estado. México e Malásia, por sua vez, suspenderam as importações de carne de frango de todo o Brasil.
Segundo o Itaú BBA, a extensão e a duração dessas restrições serão determinantes para avaliar os efeitos econômicos do episódio. Caso os embarques não sejam retomados rapidamente, parte da produção que seria exportada poderá permanecer no mercado brasileiro ou precisar ser armazenada por mais tempo, elevando os custos das empresas.
Esse cenário pode aumentar a disponibilidade interna de carne de frango justamente em um período em que a produção nacional já apresenta crescimento. Entre janeiro e setembro de 2026, os abates de frangos avançaram 3,7%, enquanto o volume de carne produzido aumentou 6,2%, de acordo com os dados citados no relatório. Para o ano, a expectativa é de expansão próxima de 6% na produção.
Com mais produto disponível e dificuldades para escoar parte dos volumes ao exterior, frigoríficos podem recorrer a descontos para vender os estoques, pressionando as cotações. O efeito, porém, dependerá da capacidade de redirecionar as exportações para outros destinos, da velocidade de reabertura dos mercados suspensos e do comportamento da demanda doméstica.
Equilíbrio do mercado
O Brasil vinha registrando crescimento na produção e nas vendas externas de carne de frango em 2026, com possibilidade de alcançar um novo recorde anual de exportações. Nesse contexto, a perda temporária de acesso a determinados mercados pode dificultar o escoamento da oferta, sobretudo para empresas com maior exposição a Santa Catarina.
A China representou cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026. A Arábia Saudita também tem peso relevante, tendo sido o terceiro principal destino da proteína brasileira no período, com aproximadamente 327,8 mil toneladas, o equivalente a cerca de 8% dos embarques.
A possibilidade de redirecionar os volumes para outros compradores pode reduzir os efeitos das suspensões, mas não elimina necessariamente os custos de transição. Mudanças de destino podem exigir renegociação de contratos, ajustes logísticos e maior tempo de armazenamento, com consequências para o fluxo de caixa dos frigoríficos e cooperativas.
O relatório ressalta que a duração dos embargos comerciais pode ser tão importante quanto o controle sanitário do foco. Em episódios anteriores, a retomada das compras variou conforme o país importador e as regras adotadas para regionalizar as restrições, o que torna incerto o prazo de normalização dos embarques.
Mercado doméstico
Para o mercado doméstico, o início de 2027 concentra um risco adicional. A demanda por carne costuma perder força sazonalmente no primeiro trimestre, enquanto o eventual redirecionamento de volumes antes destinados à exportação pode ampliar a oferta disponível no país.
Se a produção continuar crescendo e as restrições comerciais persistirem, a combinação de maior disponibilidade e demanda sazonalmente mais fraca poderá pressionar os preços do frango. O movimento também dependerá do ritmo de consumo, dos estoques acumulados e da capacidade de absorção do mercado interno.
Além dos preços da carne, uma eventual redução dos abates em Santa Catarina pode repercutir na cadeia de insumos, com efeitos sobre a demanda por milho e farelo de soja utilizados na alimentação das aves. Integrados, cooperativas e frigoríficos também podem enfrentar ajustes nos alojamentos, nos contratos e na remuneração ao longo da cadeia produtiva.
Apesar dos riscos regionais, o Itaú BBA avalia que o efeito agregado sobre o setor brasileiro tende a ser limitado, desde que não ocorram novos focos e que as restrições sejam gradualmente revistas. A consultoria recomenda acompanhar a evolução sanitária, as decisões dos países importadores e a retomada das compras, fatores que ajudarão a dimensionar a pressão sobre os preços e as margens do setor nos próximos meses (CNN)






