Uma unidade inédita para a produção de sementes sintéticas de cana-de-açúcar foi inaugurada nesta quinta-feira (16/4) em Piracicaba, no interior paulista, com investimento em estrutura de R$ 100 milhões e o objetivo de revolucionar nos próximos anos a forma de plantio nas lavouras.
Desenvolvida pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) nos últimos 13 anos a um custo total que deve superar R$ 1 bilhão até a chegada ao mercado, a semente pretende substituir as mudas de cana usadas atualmente. A unidade funcionará ao lado da sede do CTC, em Piracicaba (a 160 km de São Paulo).
As sementes sintéticas permitirão, conforme o centro de pesquisas, liberar áreas hoje usadas para a produção de mudas para ampliar a produção, além de o material biológico ter como foco ser mais produtivo que as variedades atualmente em uso —por gerar plantas mais sadias e pelo fato de o canavial em tese apresentar menos falhas.
Além da menor demanda por terra para eventuais ampliações de lavouras, os ganhos incluem redução do uso de agroquímicos, água e combustíveis, reduzindo a emissão de CO2.
As atuais variedades de cana que têm surgido nos últimos anos são mais produtivas que suas antecessoras, mas só o fato de a semente sintética evitar que em média 6% dos canaviais sejam utilizados para a produção de mudas já representará um forte ganho em área, na avaliação de produtores ouvidos pela Folha.
Não há prazo definido para que as sementes sejam colocadas no mercado de forma comercial, mas a expectativa é que isso aconteça num intervalo de dois a três anos.
“Se for para escolher um benefício só eu diria que o principal deles é que o plantio com sementes sintéticas vai ser 40 vezes mais leve do que o plantio atual. O plantio do futuro não precisa mais carregar todo esse peso do passado. E isso, obviamente, abre uma série de possibilidades, seria mais leve, talvez eu consiga plantar de uma forma mais agilizada”, afirmou o presidente do CTC, Cesar Barros.
No último ano, foram feitos 25 experimentos do projeto, que incluíram o plantio de 20 hectares (o equivalente a 28 campos de futebol). A atual capacidade instalada da unidade inaugurada é de 500 hectares/ano por turno de operação.
Barros disse que a ambição é “o mercado do Brasil”, e que a resposta dos produtores recebida nesta quinta pelo CTC foi positiva.
Conforme ele, os plantios experimentais feitos até aqui mostraram que os resultados estão dentro do esperado. Todo o processo de produção das sementes dura cerca de quatro meses.
Além da semente, o sistema de plantio exige novos equipamentos, mais específicos, que estão em desenvolvimento pelas empresas Civemasa e John Deere, de acordo com o centro tecnológico.
O CTC, fundado em 1969, atua na área de pesquisas para o desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar e possui um dos maiores bancos de germoplasma do mundo, com 5.400 variedades em Camamu (BA).
O desenvolvimento dos produtos convencionais e geneticamente modificados é feito nos laboratórios de Piracicaba e Saint-Louis (EUA).
Na cidade baiana, o CTC mantém as variedades, inclusive algumas que remontam ao período do descobrimento do Brasil, numa área de 63 hectares cercada por mata atlântica na Costa do Dendê.
NOVAS VARIEDADES TRADICIONAIS
No mês passado, o CTC anunciou, em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), duas novas variedades “tradicionais” de cana, uma delas destinada ao plantio em ambientes com limitações de solo e clima mais seco, chamada Advana2.
Segundo o CTC, ela tem potencial produtivo acima de 100 toneladas por hectare, cerca de 10% acima de outras variedades do mercado, e sanidade que permite reduzir até 15% das perdas no campo.
A outra variedade lançada foi a Tecna3902, que é indicada para regiões do interior de São Paulo como Ribeirão, Piracicaba e Central (São Carlos e Araraquara) (Folha)




