Por Marcelo Fraga Moreira
O vencimento julho-26, após negociar na máxima da semana na quinta-feira a 278,40 centavos de dólar, derreteu -1.310 pontos e encerrou na sexta-feira @ 265,90 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento atual respectivamente @ 272,35 / 278,40 / 265,30 / 265,90 centavos de dólar por libra-peso).
Em Londres o vencimento julho-26 chegou a romper a resistência da média-móvel dos 100 dias (3.554 US$/tonelada) mas também não resistiu à queda de NY e encerrou a semana @ 3.476 US$/tonelada (208,52 US$/saca equivalente).
O mercado interno voltou a negociar café conilon abaixo dos 900 R$/saca e com o avanço da colheita do café conilon o mercado continua castigando o produtor oferecendo um desconto contra Londres entre -500/-600 US$/tonelada – tornando o café conilon brasileiro bem mais competitivo contra o café do Vietnam! Até quando? Até quando o produtor aceitar vender com esses deságios exagerados!
O R$ se manteve acima dos 5,00 R$/US$, oscilando entre 5,00 e 5,08 R$/US$ e encerrou @ 5.0450 R$/US$.
O mundo continua de olho no Brasil e no avanço da colheita da safra 26/27. O mercado já trabalha com uma safra grande, acima dos 70 milhões de sacas (maioria dos operadores / analistas já falam em 73 milhões de sacas). Apesar de alguns problemas pontuais referentes a quebra de produção (tanto no conilon quanto no arábica) muitos produtores confirmam que o rendimento está acima do esperado e bem acima do ano anterior.
Então, temos que ser coerentes e reportar aqui a realidade e a expectativa que este ano a safra 26/27 promete mesmo ser bem maior que a estimativa da Conab (apenas 66,70 milhões de sacas).
Existe sim uma preocupação em relação ao tamanho dos grãos, peneira e qualidade da bebida (pois algumas fazendas tiveram problemas pontuais com as chuvas da semana anterior) porém com o avanço da colheita teremos melhores informações nos próximos dias.
O mercado continua aguardando com grande expectativa a divulgação da próxima estimativa da safra brasileira pelo USDA (devem publicar nos próximos dias). O consenso até agora é também para a estimativa do USDA vir acima dos 70 milhões de sacas e um consumo mundial ainda abaixo dos 180 milhões de sacas.
Como venho divulgando nas últimas semanas, se o Brasil produzir 73 milhões de sacas então o mundo terá uma produção total já nesse ciclo julho-26 / junho-27 ao redor dos 194 milhões de sacas.
Considerando um estoque de passagem mundial da safra 25/26 para a safra atual 26/27 ao redor dos 9 milhões de sacas então o mundo já terá acesso a 204 milhões de sacas!
Considerando então o consumo mundial para o próximo ciclo julho-26/junho-27 entre 177 e 187 milhões de sacas (estimativas esperadas pelo USDA e pela OIC*) então o mundo já terá um superavit entre produção e consumo entre 10-17 milhões de sacas e um estoque de passagem para a próxima safra 27/28 entre 15-25 milhões de sacas!
Se não tivermos geadas nos próximos 3 meses e se o El Ninõ for menos agressivo que o esperado (muitos experts em assuntos climáticos concordam que o El Ninõ realmente já está se formando porém ainda é muito cedo para determinar sua intensidade) e se a próxima safra mundial for >= 200 milhões de sacas e o consumo mundial continuar crescendo ao redor dos 2% ao ano, então o estoque de passagem da safra 27/28 para a safra 28/29 deverá aumentar em 80% para o patamar acima das 40 milhões de sacas – colocando novamente o índice mundial “estoque x consumo” acima dos 25%!!
Ou seja, continuo com minha visão: Não tem como ser altista no curto/médio prazo – a não ser que ocorra algum efeito climático/ geopolítico (quem sabe uma nova pandemia?) durante os próximos 3-10 meses!
Dia 12 de junho teremos em NY o vencimento das opções no contrato julho-26. Creio que, com esse cenário de um superavit entre 15-25 milhões de sacas para a safra atual 26/27, os fundos+especuladores “vendidos” irão empurrar o mercado primeiro para o patamar dos 250 centavos de dólar por libra-peso. E em seguida para os 220 centavos de dólar por libra-peso!
A posição das opções de venda “put” em aberto continua bem interessante e deverá ajudar a pressionar o mercado nos próximos dias!
Strike 270 c/lb: 2.200 lotes
Strike 265 c/lb: 2.200 lotes
Strike 260 c/lb: 2.000 lotes
Strike 255 c/lb: 1.450 lotes
Strike 250 c/lb: 4.500 lotes
Strike 245 c/lb: 2.600 lotes
Já a posição das opções de compra “call” em aberto está assim:
Strike 280 c/lb: 2.100 lotes
Strike 285 c/lb: 1.350 lotes
Strike 290 c/lb: 1.350 lotes
Strike 295 c/lb: 700 lotes
Strike 300 c/lb: 2.650 lotes
Strike 305 c/lb: 1.400 lotes
Strike 310 c/lb: 1.500 lotes
No curto prazo o vencimento julho-26 em NY encontra resistências respectivamente @ 270 / 272 / 286 / 294 e 317 centavos de dólar por libra-peso!
E suportes @ 264 / 257 e 230 centavos de dólar por libra-peso!
Já em Londres o vencimento julho-26 encontra resistências @ 3.554 / 3.603 e 3.855 US$/tonelada e suportes @ 3.413 / 3.274 / 3.222 e 2.800 US$/tonelada!
Continuo “baixista” para os próximos 2-3 anos!
A realidade é uma só: em breve veremos o café arábica voltado a negociar entre 1.100-1.250 R$/saca e o café conilon entre 700-800 R$/saca!
Preços hoje para o café arábica para a safra 27/28 ainda acima dos 1.450/1.500 R$/saca pode ser uma excelente oportunidade.
Se for fazer uma venda futura “via travas” e/ou NDF não esqueça de comprar um seguro contra eventual quebra na sua produção e/ou algum evento climático através da compra de uma opção de compra “call” e/ou a compra de uma estrutura “call-spread”.
Se preferir “não fazer nada e aguardar”, então compra uma opção de venda “put” e/ou uma estrutura “put-spread” para garantir pelo menos um piso ao redor dos 1.350 R$/saca.
Cuidado com as operações alavancadas / as estruturas com os acumuladores / as operações “que aparecem / desaparecem” que estão novamente sendo oferecidas no mercado por alguns bancos/corretoras – pois se algum “evento de cauda” vier a ocorrer estas estruturas “seguras” poderão simplesmente “dobrar / desaparecer” e te quebrar! (Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)





