A retração está concentrada principalmente no Mato Grosso, maior produtor nacional.
A safra brasileira de algodão 2025/26 deve confirmar um cenário de menor área plantada, mas produtividade acima das expectativas. A avaliação é do Rally da Safra, expedição organizada pela Agroconsult, que combinou visitas técnicas a produtores, grupos e cooperativas do Mato Grosso e Bahia, com mapeamento por satélite em importantes regiões produtoras.
O levantamento da Agroconsult aponta área plantada de 2,07 milhões de hectares, redução de 6,3% em relação à safra 2024/25. A retração está concentrada principalmente no Mato Grosso, maior produtor nacional, onde a área cultivada recuou 9,4%. Ainda assim, as condições climáticas ao longo do ciclo favoreceram o desenvolvimento das lavouras em grande parte do país e contribuíram para produtividades recordes nos dois Estados acompanhados pelas equipes de campo.
Segundo a Agroconsult, a produção brasileira está estimada em 4,41 milhões de toneladas, com possibilidade de acréscimo de aproximadamente 90 mil a 100 mil toneladas, dependendo do rendimento de pluma a ser beneficiado. Até 03 de setembro, 35% da pluma havia sido beneficiada.
“Estamos diante de uma safra em que a redução da área não significa uma queda na produção. Observamos em campo um ganho importante de produtividade, resultado da combinação entre clima, tecnologia e manejo. Ao mesmo tempo, ainda temos dois terços da safra a ser beneficiada, o que exige cautela na consolidação dos números de produção e rendimento de pluma”, afirma, em nota, Heloisa Melo, sócia-diretora da Agroconsult e coordenadora da Etapa Algodão do Rally da Safra.
Mato Grosso
Em Mato Grosso, a área plantada recuou 9,4%, para aproximadamente 1,42 milhão de hectares. A redução foi principalmente uma decisão econômica dos produtores diante dos preços do algodão e da maior atratividade e liquidez do milho como alternativa de 2ª safra. A retração ocorreu em diferentes regiões do Estado, com maior intensidade em áreas como o Vale do Araguaia e o Médio-Norte.
Apesar da menor área, a produtividade estimada para o estado deve alcançar 337 arrobas de algodão em caroço por hectare, acima da temporada anterior e considerada um novo recorde estadual pela Agroconsult. A produção de pluma está estimada em aproximadamente 3 milhões de toneladas.
O desempenho está associado principalmente às condições climáticas. Embora o plantio tenha começado mais atrasado, houve aceleração na segunda quinzena de janeiro. As boas chuvas de abril, maio e junho contribuíram para o desenvolvimento das lavouras em grande parte do Estado.
Duas equipes realizaram roteiros distintos no Estado: uma pelo Sudeste e outra pelo Médio-Norte e Oeste, passando por municípios como Rondonópolis, Primavera do Leste, Campo Verde, Cuiabá, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio. Juntas, as visitas no Mato Grosso cobriram aproximadamente 59,2% da área plantada do Estado.
Bahia
Na Bahia, o mapeamento do Rally da Safra identificou 425,7 mil hectares cultivados com algodão na safra 2025/26 – elevação de 0,2% em relação à temporada passada. Houve uma mudança importante no perfil das lavouras: enquanto a área de sequeiro recuou 7%, a área irrigada cresceu 12%. Com isso, a participação da irrigação passou de 39% para 44% da área plantada na safra 25/26.
A produção de algodão em pluma no Estado está estimada em 982 mil toneladas, crescimento de 23,2% em relação à temporada anterior. A produtividade de algodão em caroço deve alcançar 368 arrobas por hectare, segundo estimativa da Agroconsult, configurando um recorde para o Estado.
As equipes do Rally da Safra percorreram o Oeste da Bahia, passando pelas regiões de Correntina, São Desidério, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e Barreiras, entre os dias 27 de julho e 1º de agosto. As visitas a grupos e produtores representaram 36,4% da área plantada no estado.
Nessa temporada o clima teve um papel fundamental para o excelente desempenho das lavouras. As áreas de sequeiro, plantadas até dezembro, tiveram desempenho superior aos das áreas irrigadas plantadas entre janeiro e fevereiro.
De maneira geral, as lavouras da Bahia apresentaram resultados positivos tanto em produtividade quanto em qualidade, superando as expectativas iniciais e contribuindo para a expansão da oferta.
Pontos de atenção
Com apenas 35% da pluma beneficiada até a primeira semana de setembro, os números definitivos de rendimento ainda estão em aberto, segundo a Agroconsult. Além disso, o prolongamento das chuvas exige atenção em algumas regiões. Em algumas áreas, o excesso de precipitações tardias afetou a qualidade visual da fibra, com redução de brilho e brancura. O excesso de umidade prolongou o ponto de dessecação, aumentando a quantidade de impureza no beneficiamento (Globo Rural)





