Por Marcelo Fraga Moreira
Mais uma semana volátil com o dez-26 trabalhando com uma amplitude de +2.520 pontos. Os fundos + especuladores “comprados” conseguiram, tentaram, mas ainda não conseguiram fechar o gap dos 319-320 centavos de dólar por libra-peso (em aberto desde o dia 27 de agosto de 2.026). Por “apenas” 165 pontos o gap não foi fechado (319,80 centavos de dólar por libra-peso).
O dez-26 encerrou base “último negócio” @ 306,00 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / primeira mínima na segunda feira / máxima da semana na terça / mínima da semana na quinta-feira / máxima na sexta-feira / fechamento respectivamente: 305,60 / 303,00 / 318,20 / 302,25 / 314,90 / 306,00 centavos de dólar por libra-peso).
Londres nov-26 encerrou a semana novamente pressionado – e perdendo o suporte dos 3.300 US$/tonelada @ 3.228 US$/tonelada. O vencimento nov-26 chegou a trabalhar na máxima da semana @ 3.504 US$/tonelada (na terça-feira) porém não teve forças para continuar eventual movimento de alta. Notar também que todos os vencimentos a partir do set-27 voltaram a encerrar abaixo do importante suporte dos 3.200 US$/tonelada.
O R$ voltou a oscilar pouco (entre 5.07 – 5,02 R$/US$) e na sexta-feira, no final do dia, voltou a negociar abaixo dos 5,00 R$/US$ e encerrou a sexta-feira pré-eleição a 4,9897 R$/US$.
Segunda-feira promete! Já poderemos ter noção do que irá acontecer na próxima segunda-feira no Brasil (com o resultado das eleições) no domingo mesmo – a partir das 19-20 horas – com a abertura da contagem dos votos e a repercussão na abertura da bolsa de NY a partir das 19hrs (horário Brasil).
NY vencimento dez-26 encontra suportes importantes nos 303 / 296 / 285 centavos de dólar por libra-peso. Importante ressaltar que os demais vencimentos julho-27/set-27/dez-27/março-28 – todos esses vencimentos – também recuaram e encerraram levemente acima e/ou já testando a média móvel dos 50 dias (respectivamente @ 284 / 283 / 278 e 276 centavos de dólar por libra-peso.
Perdendo esses suportes poderemos ver o mercado corrigindo 2-3 mil pontos.
Essa eventual correção em NY deverá continuar contribuindo para Londres também perder os suportes dos 3.200-3.000 US$/tonelada!
Se essa correção vier – o que eu continuo acreditando que irá acontecer – veremos novamente café arábica peneira 17/18 negociando abaixo dos 1.400 R$/saca e café conilon abaixo dos 850 R$/saca!
Ainda é possível realizar operações de hedge (proteção) para garantir um preço mínimo ao redor dos 1.600 R$/saca para o café arábica e acima dos 850 R$/saca para o café conilon.
Porém, infelizmente a “picada do mosquito da alta” picou muitos produtores! E muitos produtores continuam esperando, torcendo para NY e Londres subirem sem base nos números / estimativas da oferta local e mundial e os reflexos no quadro local e mundial de “oferta x demanda”…
Como venho afirmando – e volto a afirmar – caso não ocorrer nenhum problema climático relevante nos próximos 30-90 dias (tanto no Brasil quanto no Vietnam e/ou em outras origens) o mundo continuará produzindo um superavit entre produção mundial e consumo mundial entre 10-15 milhões de sacas durante os próximos 2-3 anos. E esse superavit continuará contribuindo para a recomposição do estoque de passagem mundial – podendo ultrapassar 90 milhões de sacas no final de junho-2.030.
No curto prazo iremos ter volatilidade nos mercados – com os fundos + especuladores procurando fazer o que fazem de melhor: especular! Jogando os preços para cima e para baixo – como vimos acontecer nos últimos 3 anos (quando NY saiu dos 140 centavos de dólar por libra-peso e chegou a negociar nas máximas históricas @ 434 centavos de dólar por libra-peso).
Lembrando que quando os fundos + especuladores “jogam” os preços para cima e proporcionam preços excelentes para o produtor fixar os fundos + especuladores são vistos como “amigos do produtor”. E, quando ocorre o contrário então os fundos + especuladores viram inimigos do produtor e viram os “carrascos do produtor”. Idem para os analistas… Quando damos nossa opinião “altista” somos vistos como “amigos do produtor” e quando trazemos nossa posição “baixista” somos vistos como “inimigos do produtor”, sendo acusados de estarmos agindo “de má fé”!
Ora, nesses momentos de alta o produtor precisa continuar fazendo sua gestão de risco e se proteger! O mercado futuro proporciona ao produtor ferramentas e oportunidades para o produtor realizar suas operações de hedge pelos próximos 18-30 meses! E essa previsibilidade precisa voltar a ser aproveitada pelo produtor! Exemplos?
Há 2-3 meses o mercado chegou a negociar safra 27/28 e 28/29 acima dos R$ 2.000/saca para o café arábica e acima dos 1.300/1.400 R$/saca para o café conilon. E, nos últimos 18 meses o produtor do café conilon teve a oportunidade para realizar operações de hedge comprando uma estrutura “put-spread” vendendo uma opção de compra “call” onde foi possível garantir um piso nos 1.800 R$/saca e um teto acima dos 2.400 R$/saca. Momentos como esse precisam ser monitorados e aproveitados pelo produtor.
Agora o “X” da questão já começa a ser o tamanho da próxima safra 27/28. O pegamento da florada tem sido muito irregular e já começam a surgir nos grupos dos produtores várias fotografias de talhões sem chumbinho, com ramos vazios. Porém, também existem lavouras excelentes. Com pegamento da florada ocorrendo conforme o previsto e dentro da normalidade.
Segundo o Rennó, apesar dos problemas já pontuais e reportados por vários produtores e regiões, ainda é muito cedo para a próxima safra 27/28 ser considerada uma “safra perdida”. Dependendo do clima e do manejo já realizado e daqui pra frente, as lavouras ainda estão abrindo flor e é muito importante manter o manejo da sua lavoura. Algumas lavouras que perderam sim as floradas iniciais mas se houver uma nova florada nas próximas semanas as novas floradas ainda poderão vingar.
Então, qual será o tamanho da safra 27/28? Impossível de prever. Não sabemos nem mesmo quanto foi o tamanho da safra atual 26/27. E TODAS as previsões de todas as casas de analise, dos bancos, da Conab e até mesmo do USDA dos últimos 5 anos vieram erradas – subestimadas e/ou superestimadas…
Uma coisa é certa: O Brasil vem expandindo sua área cafeeira durante os últimos 3-4 anos. E toda essa nova área estará entrando em produção (aos poucos) já a partir da próxima safra 27/28. Tudo correndo bem em função do clima, então as próximas safras 27/28 e 28/29 deverão ser pelo menos similar a safra atual 26/27 – ao redor dos 70-73 milhões de sacas.
Confirmando essa produção constante no Brasil pelo “piso”, em 70 milhões de sacas, durante as próximas 3 safras então, pela análise da “oferta x demanda mundial”, no final de junho-2.030 o estoque de passagem mundial deverá ficar acima das 80 milhões de saca e o índice “estoque x consumo mundial” acima dos +40% (equivalente a 4,5 meses de consumo)! Isso considerando que em 2.030 o consumo mundial estará ao redor dos 215 milhões de sacas!
Então, produtor faça a sua lição de casa. A sua gestão de risco. Acompanhe as notícias – não apenas do seu consultor/analista favorito (aquele que só escreve o que você quer/gosta de escutar) – faça suas análises e proteja-se!
Lembre-se que NY em 2.019 negociava abaixo dos 100 centavos de dólar por libra-peso e nos últimos meses já vimos NY negociando nos 450-350 centavos de dólar por libra-peso e o R$ spot/futuro entre 6.30-4,95 R$/US$!
O Brasil continua exportando muito bem. Agora em out-26 o Brasil deverá bater novo recorde/mensal histórico podendo exportar acima dos 5,20 milhões de sacas!
Já a partir de novembro vamos ter concorrência do café do Vietnam e em breve Colômbia, América Central e outras origens. Durante os próximos 30-120 dias o mundo terá acesso a pelo menos mais 90 milhões de sacas! E a partir de abril-maio-27 mais uma nova safra brasileira.
Então produtor: PROTEJA-se!
Produtor: faça sua gestão de riscos. Cuidado: Não alavanque sua posição. Proteja-se contra as quedas, contra o “pior cenário” pois o “cisne negro” poderá te pegar no curto-médio prazo.
PS: As sugestões / eventuais estruturas apresentadas são ilustrativas e não constituem recomendação de investimento; cada operação deve ser calibrada ao custo, fluxo de caixa e apetite de risco de cada produtor / cooperativa / tradings / especulador.
(Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)



