Estoque de milho nos EUA fica acima do esperado e afeta preços

  • Volume apontado pelo Usda é 9% maior do que o previsto pelo mercado
  • Quantidade total de soja que sobrou da safra passada para esta está perto do esperado

Os Estados Unidos terminaram a safra 2025/26 com mais milho armazenado do que esperavam. Os dados desta quarta-feira (30) do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontaram que no início de setembro, período da passagem da safra 2025/26 para a de 2026/27, os americanos tinham 53,2 milhões de toneladas do cereal nos armazéns do país. O volume é o maior em oito safras.

Os estoques anunciados pelo Usda vieram acima do previsto, uma vez que o mercado esperava 48,9 milhões de toneladas. A safra atual não é tão grande quanto a anterior, mas deve superar 400 milhões de toneladas, e o anúncio desse volume físico deve afetar os números de oferta e demanda mundial. Isso ocorre em um período em que a demanda não está tão acelerada como esteve no ano passado, segundo a analista Daniele Siqueira, da AgRural.

O mercado reagiu a esses números e o contrato do milho para dezembro chegou a recuar para US$ 4,9875 por bushel (25,4 kg) nesta quarta-feira, o menor valor desde 22 de agosto. No final do pregão, foi negociado a US$ 5,0075, com queda de 4,1% em relação ao valor de terça-feira (29).

Já os estoques de soja ficaram abaixo do previsto pelo mercado, mas com pequena diferença em relação ao esperado. O volume físico da oleaginosa na passagem de uma safra para outra é de 8,6 milhões de toneladas, o menor desde 2022/23.

Os preços, que começaram a semana em queda, praticamente ficaram estáveis nesta quarta-feira, terminando o pregão em US$ 12,93 por bushel (27,2 kg). A queda do início de semana foi porque a soja ficou fora das negociações de retirada de taxas no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping.

Ao contrário do milho, no entanto, a soja tem uma demanda aquecida no momento, provocada tanto pela necessidade de compras das indústrias como pelo desenrolar mais lento da colheita em vários estados americanos, segundo Daniele. As indústrias têm necessidade de esmagamento da oleaginosa para cumprir contratos de venda de derivados, mas encontram dificuldades na aquisição de soja.

Normalmente, esse é um período do ano em que os preços da soja não reagem, devido à entrada da safra americana, mas neste ano estão sustentados tanto pelo esmagamento maior como pela presença dos fundos de investimentos. Estes apostam em eventuais problemas no desenvolvimento da safra brasileira devido ao El Niño e, por isso, mantêm posições de compra.

SEGURO RURAL TEM NOVO MARCO LEGAL

Um novo marco legal para o seguro rural brasileiro. Assim Pedro Loyola, do Observatório do Crédito e Seguro Rural, da FGV Agro, avalia a Lei 15.526, publicada nesta quarta-feira (30) no Diário Oficial da União.

O texto introduz mudanças relevantes no PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), na relação entre seguro e crédito rural, nos procedimentos de regulação e liquidação de sinistros, na organização e utilização de dados e na estrutura do Fundo de Cobertura Suplementar dos Riscos do Seguro Rural, afirma o especialista.

Entre as mudanças de maior impacto está o fortalecimento da previsibilidade orçamentária do PSR, destaca Loyola. A subvenção econômica ao prêmio passa a ter caráter obrigatório, observados os limites do Orçamento Federal, e as ações destinadas ao programa não poderão ser objeto de limitação de empenho e movimentação financeira, afirma.

Na avaliação dele, a nova lei corrige uma fragilidade importante do PSR ao dar maior proteção à execução dos recursos. O próximo desafio é transformar esse avanço legal em previsibilidade efetiva.

Na avaliação do Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), as mudanças buscam dar maior previsibilidade aos recursos destinados ao seguro rural e criar condições para a atuação do Fundo de Catástrofe. Para o cooperativismo, essa proteção tem alcance coletivo.

Bruno Lucchi, da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), diz que esse fundo funcionará como um colchão de amortecimento para as seguradoras que estão em regiões críticas onde há muitos eventos climáticos extremos (Folha)

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