Por Mauro Zafalon
- Área destinada ao trigo também cai na região e é a menor desde a safra 2000
- Redução na produção nacional de cereais ocorre em um período de alta externa
Os produtos agropecuários mantêm alta no campo neste mês. Internamente, a oferta de vários itens, como a do arroz, continua reduzida. Externamente, a demanda está aquecida, os entraves geopolíticos continuam, as expectativas de riscos climáticos aumentam e os fundos de investimento, olhando para um cenário de possível menor oferta, atuam firmemente no mercado.
Além desses fatores, os estoques finais da safra 2025/26 podem interferir nesse quadro de preços. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga informe sobre esses volumes na quarta-feira (30).
Internamente, o Brasil tem de ficar atento a dois produtos: arroz e trigo. Além de preços em alta, esses cereais estão em áreas menores de cultivo nesta safra, o que deve elevar importação e preços. Segundo as primeiras estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para 2026/27, a área a ser semeada com arroz cai para 1,53 milhão de hectares.
A região Sul, a principal produtora brasileira, dedicará menos de 1 milhão de hectares ao cereal, o menor espaço desde 1982. Com isso, a produção nacional, que chegou a 12,8 milhões de toneladas em 2025, recua para 10,8 milhões nesta safra que está sendo iniciada.
A produção mundial de arroz cai para 534 milhões em 2026/27, e o consumo sobe para 540 milhões. Com isso, os estoques mundiais descem para 197 milhões de toneladas. Esse novo cenário já faz o preço médio mundial do cereal subir. A alta foi de 0,5% no mais recente relatório de preços da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).
No caso do trigo, o cenário pode ficar um pouco mais complicado. A área de plantio é de 1,59 milhão de hectares, a menor em nove safras. A região Sul, a principal produtora nacional, tem área de apenas 1,58 milhão, a menor desde 2000. A produção nacional deste ano recua para 5,7 milhões de toneladas, segundo a Conab. Um volume tão restrito obriga o país a importar pelo menos 7,1 milhões de toneladas.
A compra externa ocorre em um período de alta dos preços, uma vez que a safra mundial recua para 822 milhões, e o consumo sobe para 827 milhões, segundo o Usda. Entre os principais produtores mundiais, Índia e Ucrânia elevam a produção, mas União Europeia, Estados Unidos, Rússia, Canadá e Argentina têm estimativa de safra menor.
A União Europeia foi uma das mais castigadas pela forte onda de calor e pela seca, e a produção do bloco desacelera para 134 milhões de toneladas, após ter atingido 145 milhões no período anterior. A disponibilidade para exportação será de 31 milhões. A Rússia, principal exportadora mundial, tem cereal, mas encontra gargalos logísticos devido à guerra com a Ucrânia. A menor oferta russa eleva preços em outras regiões exportadoras. A Argentina, principal fornecedora do Brasil e que teve 19 milhões de toneladas de trigo para exportar em 2025/26, terá 15 milhões nesta safra.
As carnes, mesmo com barreiras na China e na União Europeia, mantêm alta neste mês no campo, o mesmo ocorrendo com o leite. A produção mundial de soja sobe para 442 milhões de toneladas, mas o esmagamento também será maior. A safra americana está praticamente garantida, mas a produção brasileira e argentina ainda deve passar pelo estresse do El Niño. A oferta mundial de milho, projetada em 1,29 bilhão de toneladas, cai, derrubando os estoques mundiais para 272 milhões (Folha)






