Café: Qual o tamanho da safra 26,27 e potencial para 27/28?

Por Marcelo Fraga Moreira

Mais uma semana volátil Mais uma vez o “mercado” colocando “medo” nos “comprados” e nos “vendidos”. E claro, nos produtores também!

Em NY o dez-26 encerrou a 278,60 centavos de dólar por libra-peso. Aparentemente uma queda de apenas -190 pontos. Porém entre as máximas / mínimas o dez-26 oscilou +- 3.150 pontos (fechamento anterior / máxima / mínima / nova máxima / fechamento atual respectivamente 280,50 / 283,50 / 269,75 / 284,30 / 278,60 centavos de dólar por libra-peso). Já o R$, após ter negociado na mínima da semana @ 5,21 R$/US$ encerrou a 5,18 R$/US$.

Os “comprados” conseguiram defender o suporte técnico nos 270 centavos de dólar por libra-peso. O indicador estocástico – sinalizando um mercado “totalmente sobrevendido” no curto prazo – voltou a trazer compras no último pregão da semana. O dez-26 chegou a subir +900 pontos mas o “voo da galinha” durou pouco – e encerrou com apenas +325 pontos de alta @ 278,60 centavos de dólar por libra-peso. Nos últimos 2 pregões o volume negociado ficou abaixo dos 20.000 lotes/dia.

Dez-26 continua com forte resistência nas principais médias-móveis dos 100 e 200 dias (respectivamente a 285,60 e 287,70 centavos de dólar por libra-peso). Para o mercado voltar a tendencia de alta essas 2 médias-móveis precisam ser rompidas. Na sequência as próximas resistências que precisam ser rompidas estão nos 292 / 300,25 / 308 e finalmente no gap deixado no dia 26 de agosto-26 a 319,80 centavos de dólar por libra-peso.  Existe algum fator/evento altista no curto prazo?

Do outro lado os suportes continuam nos 274,25 / 269,75 / 263,50 / 250 e finalmente nos 232 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres o movimento acompanhou NY. O vencimento nov-26 tentou mas não conseguiu superar o fechamento da semana anterior @ 3.396 US$/tonelada. Londres chegou a perder o suporte dos 3.300 US$/tonelada e, nos meses set-27 e nov-27 chegou a testar e negociar abaixo dos 3.200 US$/tonelada. Com a puxada em NY na sexta-feira Londres conseguiu voltar a fechar acima dos 3.300 US$/tonelada com o vencimento nov-26 encerrando a 3.367 US$/tonelada.

A liquidação para o produtor continua abaixo das expectativas, do esperado pelo produtor. Porém, infelizmente não vejo razão/motivo por enquanto para qualquer repique e mudança de tendência no curto-médio prazo.

Café arábica tipo 6 peneira 17/18 continua negociando ao redor dos 1.600 R$/saca (essa semana chegou a negociar abaixo dos 1.600 R$/saca em muitas regiões). E já tem muito café com qualidade inferior /  “cata” / defeitos já sendo negociados entre 1.100-1.400 R$/saca.

Como já esperado pelo mercado, café arábica com qualidade / bebida / peneira 17/18 acima continuará valendo um prêmio sobre o mercado. Mas esse prêmio será baseado em NY @ 280 / 300 / 350 centavos de dólar por libra-peso ou com base em NY nos  240 / 220 centavos de dólar por libra-peso (base 1.400-1.200-1.000 R$/saca)?

Café robusta continua pressionado pelo café arábica tipo rio (também já negócios confirmados essa semana entre 1.150-1.200 R$/saca) e continua brigando para não perder o suporte dos 900 R$/saca. 

Continuo baixista no curto e médio prazo.

Para confirmar minha visão “baixista” a Conab* divulgou a revisão para a safra brasileira 26/27 para 67,61 milhões de sacas (48,21 arábica e 19,40 conilon). O interessante no relatório da Conab* foi o aumento da área plantada hoje estimada em 2,35 milhões de hectares (sendo 1.95 milhões ha em produção e 402 mil ha em formação! A produtividade média estimada entre as 2 culturas foi estimada em 34,6 sacas por ha.

Ora, então, tudo correndo bem, quando esses 402 mil hectares entrarem em produção, teoricamente o Brasil estará produzindo então acima dos 80 milhões de sacas! Claro que estaremos vendo substituição de lavouras mais velhas, problemas climáticos afetando lavouras pontuais / regiões distintas.

Porém o produtor continua expandindo. E, tudo caminhando bem, o Brasil em breve (e creio eu) já na próxima safra 27/28 estará produzindo acima dos 80 milhões de sacas! E se a produtividade melhorar em função do clima, implementação de tecnologia, irrigação atingindo uma produtividade média em 40 sacas/ha então o Brasil em breve estará produzindo acima das 90 milhões de sacas.

Considerando novamente que os dados da Conab* – durante os últimos 5 anos – sempre estão aquém da realidade (-10% / -15%) então creio ser justo considerar que a safra atual 26/27 deverá ficar ao redor dos 73 milhões de sacas!

E essa nova produção deverá continuar colocando um “teto” nos preços durante os próximos meses.

Já estamos praticamente no mês de outubro-26. Dentro de mais 2-3 semanas a colheita começa no Vietnam. E em breve teremos mais 30 milhões de sacas apenas dessa origem no mercado. Sem contar Indonésia (mais 10-11 milhões de sacas). E em breve África (Etiópia: 10-11 milhões; Uganda: 7 milhões); Índia: 6 milhões;  América Central (14 milhões de sacas) e Colômbia (12-13 milhões de sacas).

Ou seja, nos próximos 3-6 meses o mundo terá acesso a aproximadamente 90-95 milhões de sacas adicionais! E em mais em mais 7 meses mais uma safra brasileira potencial acima dos 80 milhões de sacas chegando novamente.

Então, com todo esse café entrando no mercado não tem como ficar altista no curto-médio prazo. Salvo algum evento climático severo vier a afetar a próxima safra brasileira 27/28 abortando a próxima florada  e o desenvolvimento das lavouras.

Ainda tem muita “água pra passar por baixo das pontes” mas o cenário, a meu ver, continua sendo para NY continuar sua tendencia de baixa – a caminho dos 200 centavos de dólar por libra-peso – e Londres buscar os 2.800-2.500 US$/tonelada.

O Brasil continua exportando um bom volume. Para o mês de set-26 a projeção continua indicando uma exportação entre 4,30-4.50 milhões de sacas. Para out-26-dez-26 creio que o Brasil poderá repetir os números do período out-dez-24 e colocar no mercado +-14 milhões de sacas.

Infelizmente continuo com minha visão baixista para os próximos meses – e para os próximos 2-3 anos –   com NY voltando a testar os 200 centavos de dólar por libra-peso (café arábica tipo 6, peneira 17-18 testando os 1.200-1.00 R$/saca) e Londres podendo buscar 2.500 US$/tonelada (voltando a negociar abaixo dos 700 R$/saca)!

Você produtor, vai esperar o mercado cair para 1.200-1.000 R$/saca para começar a “pensar” em se proteger?

Novamente, ficar apenas “olhando e torcendo” por preços melhores é um risco, uma aposta direcional que precisa / deveria ser mitigado.

Produtor: estamos à disposição para conversar e apresentar nosso trabalho de consultoria dedicado e exclusivo para assessorá-lo nas suas operações comerciais e de hedge! Tendo interesse entre em contato conosco!

Quer saber mais? Mande um e-mail para priscilla@archerconsulting.com.br

PS: As sugestões / eventuais estruturas apresentadas são ilustrativas e não constituem recomendação de investimento; cada operação deve ser calibrada ao custo, fluxo de caixa e apetite de risco de cada produtor / cooperativa / tradings / especulador.

(Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting)

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