Cotação recuou após encontro entre Donald Trump e Xi Jinping frustrar a expectativa de investidores por novos acordos comerciais.
O preço da soja voltou a fechar em queda nesta quinta-feira (24) na Bolsa de Chicago, marcando o terceiro pregão consecutivo de desvalorização. O contrato com vencimento em novembro recuou 0,04% e terminou a sessão negociado a US$ 13,17 por bushel.
Segundo a Granar Investimentos, o mercado acompanhou de perto o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, mas as informações divulgadas até o momento não atenderam às expectativas que haviam sido construídas nas semanas anteriores. A parte principal da reunião já foi concluída, restando cerimônias oficiais para encerrar a primeira visita de Xi a Washington desde setembro de 2015.
Entre os investidores, a expectativa estava concentrada principalmente na possibilidade de avanços em um novo acordo comercial que pudesse ampliar o fluxo de produtos agrícolas norte-americanos para a China. Até agora, porém, não houve sinalização concreta nesse sentido, o que mantém a cautela entre os operadores do mercado de soja.
A Granar destacou ainda que as repercussões do encontro foram interpretadas de maneiras diferentes nos Estados Unidos e na China. No lado americano, Trump fez referência ao setor agropecuário ao mencionar o trabalho das equipes para buscar uma relação comercial mais equilibrada, incluindo a abertura de novos mercados para agricultores e pecuaristas.
Na China, por outro lado, os comentários deram maior destaque a questões políticas e diplomáticas, com Xi Jinping defendendo que os Estados Unidos mantenham uma posição de oposição à independência de Taiwan. Com agendas diferentes entre os dois governos, o mercado agrícola segue à espera de informações mais objetivas sobre possíveis medidas que possam afetar as compras chinesas de commodities norte-americanas.
Milho
A cotação futura do milho finalizou o dia em queda na Bolsa de Chicago, com o mercado pressionado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelas condições climáticas nas principais regiões produtoras. O contrato para dezembro recuou 0,28% e terminou o dia cotado a US$ 5,27 por bushel.
Segundo a Granar, esta foi a terceira sessão consecutiva de perdas para o cereal em Chicago. A colheita norte-americana avança e deve superar novamente a marca de 400 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo, enquanto os agricultores aumentam a comercialização dos estoques antigos para liberar espaço nos pontos de recebimento para a entrada da nova safra.
O mercado segue acompanhando as condições climáticas, em que o último fim de semana foi marcado por chuvas em áreas onde o milho já está em fase de maturação, e novas precipitações significativas são esperadas nos próximos dias em partes das Grandes Planícies e do Cinturão do Milho e da Soja, incluindo Iowa, principal estado produtor de milho dos Estados Unidos.
O excesso de umidade aumenta a preocupação com o andamento da colheita e pode elevar os custos enfrentados pelos produtores, principalmente com a necessidade de secagem dos grãos. Ao mesmo tempo, o mercado segue atento aos desdobramentos do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. Até o momento, segundo a Granar, houve poucas informações novas ou concretas sobre as negociações, e os investidores aguardam novas sinalizações sobre os possíveis efeitos do encontro para o comércio agrícola.
Trigo
O preço do trigo encerrou o pregão desta em baixa na Bolsa de Chicago, estendendo a sequência negativa pelo terceiro dia consecutivo. O contrato para dezembro recuou 0,22% e fechou a sessão a US$ 7,07 por bushel.
Segundo a Granar, os investidores seguem avaliando sinais de possível abertura para um diálogo de paz na região do Mar Negro, que ganharam espaço durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Ao mesmo tempo, os mercados acompanham a continuidade dos confrontos entre Rússia e Ucrânia, mantendo as incertezas sobre o fluxo de commodities pela região.
A movimentação de cargas e remessas pelo Mar Negro permanece limitada, especialmente no caso da Ucrânia. Rússia e Ucrânia continuam buscando ampliar e diversificar rotas alternativas para a exportação de matérias-primas, mas os volumes transportados por esses caminhos ainda ficam abaixo da capacidade das rotas marítimas tradicionais.
Além das questões geopolíticas, o mercado também foi pressionado por dados semanais de exportação considerados fracos. A valorização do dólar em relação ao euro, que já supera 1% nesta semana, também pesa sobre a competitividade do trigo norte-americano no mercado internacional e favorece a posição do produto europeu (CNN)
Há 40 anos, Xi visitou os EUA para conhecer a agricultura americana
Em 1985 o atual líder chinês visitou indústrias e fazendas nos Estados Unidos antes de assumir o comando do país asiático.
As experiências pessoais de Xi Jinping nos Estados Unidos remontam a décadas, muito antes de ele se tornar o líder mais poderoso da China em uma geração.
Em 1985, Xi, então funcionário do governo provincial de Hebei, região conhecida pela criação de suínos, liderou uma delegação chinesa a Iowa, estado norte-americano com o qual Hebei mantinha uma relação de “estado-irmão”, para conhecer práticas agrícolas.
Ele passou algumas noites em uma casa comum de uma família americana em Muscatine, uma pequena cidade conhecida pela atividade agrícola, por abrigar a maior fábrica da Heinz fora de Pittsburgh e por ter fábricas que, no passado, produziam botões de madrepérola a partir das conchas de mexilhões do rio Mississippi.
Os anfitriões acomodaram Xi no quarto do filho, decorado com temas de Star Trek, que na época estava fora da cidade para frequentar a universidade. Durante sua passagem por Muscatine, a agenda de Xi incluiu visitas a fazendas e unidades de processamento de alimentos, entrevistas à imprensa, um almoço e um passeio de barco pelo rio Mississippi, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.
Doyle Tubandt, então presidente da Muscatine Foods Corp., contou em 2016 que acompanhou Xi em uma visita a uma fábrica de processamento de milho. Para superar a barreira do idioma, Tubandt usava muitos gestos e fazia desenhos na areia para explicar os processos. Xi também provou carne bovina e milho produzidos em Iowa.
Em fevereiro de 2012, Xi fez uma visita nostálgica a Muscatine durante uma viagem aos Estados Unidos, quando ocupava o cargo de vice-presidente da China. Durante a passagem por Iowa, ele e outros funcionários chineses assinaram com os Estados Unidos um acordo de cooperação de cinco anos nas áreas de segurança alimentar, segurança dos alimentos e agricultura sustentável.
Xi também retornou à casa de estilo vitoriano de Roger e Sarah Lande, onde havia jantado durante sua primeira viagem ao estado. “Vocês foram o primeiro grupo de americanos com quem tive contato. Para mim, vocês são a América”, disse o líder.
Xi Jinping manteve contato com seus “velhos amigos” em Iowa. No início deste ano, ele respondeu a uma mensagem deles e enviou um cartão de Ano Novo Chinês, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, em fevereiro (CNN)







