Se confirmado, o valor será novo recorde, mas representará aumento nominal de cerca de 2%.
O Plano Safra da agricultura empresarial 2026/27 terá R$ 525 bilhões em oferta total de crédito para médios e grandes produtores, apurou a reportagem. Os detalhes serão anunciados nesta terça-feira (30/6), em cerimônia com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Agricultura, André de Paula, no Palácio do Planalto, em Brasília.
O incremento será de pouco mais de R$ 9 bilhões na comparação com os R$ 516,2 bilhões ofertados na safra 2025/26, que termina amanhã. Se confirmado, o valor será novo recorde, mas representará aumento nominal de cerca de 2%.
Cerca de R$ 200 bilhões serão ofertados por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) com recursos oriundos de direcionamentos das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e poupança rural, que não eram contabilizadas no Plano Safra até pouco tempo.
Em negociações com a equipe econômica, o Ministério da Agricultura conseguiu alcançar parte de suas demandas para a redução de juros. Algumas linhas chegarão a um dígito. O foco principal será no custeio da safra, diante das dificuldades financeiras e econômicas do setor, com dívidas e custos em alta.
Os médios produtores terão taxas de 9% ao ano para custeio via Pronamp ante 10% na safra 2025/26. Já os grandes produtores terão alíquota de 12,5%, redução de 1,5 ponto percentual em relação aos 14% do ciclo anterior. Mais cedo, a reportagem havia informado que o corte poderia chegar a esse patamar em algumas linhas. Alguns programas de investimentos também terão cortes, disseram fontes.
Aperto fiscal
As reduções nas taxas de juros foram as “possíveis” na busca por equilíbrio entre a oferta total de recursos e a disponibilidade de orçamento para equalização dos juros. Com aperto fiscal, o governo não teve espaço para cortar de forma generalizada os juros, pois isso aumenta o gasto com a subvenção, que paga a diferença entre o custo dos bancos para captar o dinheiro e a alíquota final paga pelo produtor que pega o empréstimo.
Inicialmente, o Ministério da Agricultura havia solicitado R$ 570 bilhões em oferta geral de recursos, com juros de um dígito para todos os produtores. A safra 2025/26 teve custo ao Tesouro Nacional de R$ 13,5 bilhões. O Plano Safra 2026/27 deverá demandar mais gastos.
A queda na Selic, de 15% para 14,25%, permitiu a redução de algumas taxas, já que o custo de captação dos recursos também caiu para os bancos.
Ao considerar também o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que será anunciado na tarde desta terça-feira (30/6) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, o Plano Safra 2026/27 terá mais de R$ 600 bilhões em oferta total de financiamentos a pequenos, médios e grandes produtores, além das cooperativas (Globo Rural)




