Falta de silos e armazéns obriga agricultores a vender grãos no pico da safra, reduzindo o preço.
A falta de armazenagem suficiente para estocar o volume de soja e milho produzido pelo país levou os agricultores brasileiros a um impacto negativo estimado em R$ 88,3 bilhões entre os anos de 2023 e 2025, disse a Kepler Weber nesta quinta-feira (18/6) com base em levantamento realizado pela consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio.
De acordo com a análise, há poucos silos e armazéns nas regiões produtoras, o que obriga agricultores a vender parte relevante dos grãos no pico da safra, justamente quando a oferta concentrada pressiona os prêmios portuários e reduz o preço recebido.
“Sem armazenagem suficiente, ele é obrigado a vender no período de maior pressão sobre os preços. O custo desse gargalo não é abstrato: ele aparece diretamente na receita do campo”, afirmou Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, em nota.
Em países com infraestrutura de armazenagem adequada como Estados Unidos e Argentina, ressaltou a empresa, o produtor pode estocar a colheita e comercializar ao longo do ano, capturando os melhores preços. Enquanto, no Brasil, o produtor precisa vender quase imediatamente após a colheita para liberar espaço, pagar custeio e honrar contratos.
A Kepler Weber, maior companhia do setor na América Latina, estimou em abril que o país precisaria de R$ 148 bilhões em investimentos para conseguir comportar tudo que será colhido nesta safra e zerar o déficit de 135 milhões de toneladas que devem ficar sem espaço para armazenamento (Globo Rural)





