- Americanos aceleram importações, principalmente da proteína magra para processamento
- Exportação feita pelo Brasil sobe 37% no primeiro trimestre, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA
Uma semana após o anúncio da União Europeia de que pode suspender importações de carne do Brasil a partir de setembro, os preços do boi não tiveram grandes mudanças no campo. A arroba está sendo negociada a R$ 345, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A Europa paga bem pela carne brasileira, mas representa apenas 3% das exportações brasileiras.
A UE ameaça, mas precisa da carne brasileira. No primeiro quadrimestre, o bloco comprou 35 mil toneladas do Brasil, 17% a mais do que em igual período do ano passado. Os europeus pagaram US$ 8.625 por tonelada, bem acima dos valores pagos pelos chineses e americanos.
Os olhares do mercado brasileiro estão voltados, no entanto, para os Estados Unidos, de acordo com Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea. A poucas semanas do início da Copa do Mundo de futebol, o país se prepara para um movimento maior de turistas e aumento no consumo de hambúrgueres. Além disso, é um período de férias nos EUA, o que eleva o consumo.
Os números do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) desta segunda-feira (18) já indicam esse movimento. As importações americanas de carne bovina atingiram o recorde de 272 mil toneladas em março, 19% a mais do que no mesmo mês de 2025. Só do Brasil, os americanos importaram 26% a mais naquele mês, informou o órgão americano.
No primeiro trimestre, as compras externas totais de carne bovina pelos Estados Unidos somam 775 mil toneladas, 15% a mais do que em igual período de 2025. Os números da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), mais atualizados, indicam que o Brasil exportou 150 mil toneladas para os EUA no primeiro quadrimestre, 10% a mais ante 2025.
Carvalho diz que a demanda é forte também por parte da China. Falta carne no mundo e o país asiático faz estoques. Os números de exportação do Brasil para a China mostram que o volume recorde de importações pelos chineses se dá mais por uma demanda deles do que por uma corrida brasileira para uma antecipação de vendas, devido à cota de 1,1 milhão de toneladas.
Os chineses compraram 474 mil toneladas do Brasil no primeiro quadrimestre, 21% a mais do que em 2025, pagando US$ 5.744 por tonelada, 19% a mais do que em igual período de 2025. Se eles não estivessem precisando de carne, estariam forçando uma queda dos preços. Nos quatro primeiros meses deste ano, a China já despendeu US$ 2,7 bilhões na compra de carne bovina brasileira, 44% a mais do que de janeiro a abril de 2025.
Com relação à questão da União Europeia, o pesquisador do Cepea afirma que há espaço para negociações antes de a medida entrar em vigor. Mesmo assim, a União Europeia teria de comprar produto de outros países, como Argentina e Uruguai. E estes deixariam espaço para o Brasil em seus mercados (Folha)







