Por que a tecnologia se tornou a linguagem universal do agronegócio

No São Paulo Innovation Week (SPIW), executivos do agronegócio explicam como a tecnologia e a inovação afetaram a forma de fazer negócios

Para Renato Seraphim, fundador da AgroIkemba, a tecnologia fez o agronegócio entrar em uma nova era, que ele chama de “quinta revolução do agro”, após a disrupção causada pelo advento dos fertilizantes, controles químicos e biológicos.

O executivo falou sobre os impactos da digitalização e da tokenização – processo de converter ativos reais em ativos digitais – no agro no São Paulo Innovation Week (SPIW), realizado pelo Estadão com a Base Eventos, durante o painel Do solo ao token: Como o digital está impactando o agro. O evento ocorreu esta quarta-feira, 13, em São Paulo.

De acordo com o executivo da plataforma especializada em venda de insumos agrícolas, em meados de 2010, a produtividade do produtor brasileiro era de 50 sacos por hectare. Hoje, é de 56, mas com um detalhe importante: quem investe em tecnologia consegue elevar esse padrão para 86 sacos por hectare. “E o campeão de produtividade consegue 122 sacos”, afirma Seraphim. “Então isso mostra que temos muita coisa para melhorar e a digitalização vai ser o grande marco dessa mudança.”

O uso da tecnologia para lidar com dados é um dos pontos que revolucionaram a maneira de “fazer” agronegócio, aumentando a produtividade e a rentabilidade em um segmento em que qualquer melhora de eficiência pode ser determinante para a continuidade do negócio. A tokenização, por outro lado, resolveu uma antiga “dor”, transformando ativos rurais em ativos com liquidez imediata – como transformar plantações de grãos, por exemplo, em crédito. Já a inteligência artificial melhorou a análise da biologia do solo.

“Temos que ensinar agrônomos, veterinários, sobre tecnologia. Hoje, essa é a linguagem universal do mundo”, diz Seraphim.

O fundador da AgroIkemba dividiu o painel com Thiago Bortoli, diretor geral da América Latina da Sound Agriculture, Abdalah Novaes, vice-presidente de agricultura digital da Bayer, e Daniel Trento, da Embrapa.

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras (Estadão)

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