Mesmo em guerra, Irã aumenta importação do agronegócio no Brasil

Por Mauro Zafalon

·         País persa eleva compras de soja e de farelo de soja em março e abril

·         Exportação brasileira de carnes gera recorde de US$ 11 bilhões no quadrimestre

Após uma sequência de recordes nos anos recentes, a balança comercial do agronegócio brasileiro volta, neste ano, a superar o desempenho de 2025. De janeiro a abril, as exportações somam US$ 54,2 bilhões em produtos relativos ao setor, uma alta de 2% ante o mesmo período do ano passado. Embora os preços das principais commodities tenham recuado, o país tem um volume maior para exportar.

Já as importações, em ritmo mais acelerado, atingiram US$ 11,2 bilhões, com evolução de 5% em relação a igual período de 2025. Os principais gastos vêm de fertilizantes, que somaram US$ 4,3 bilhões no período. O país comprou 11,8 milhões de toneladas desse insumo nos quatro primeiros meses deste ano. Os produtos agroquímicos, que somaram 197 mil toneladas importadas, também pesaram nos gastos do setor.

Um dos destaques é o Irã. Mesmo com a guerra, o país elevou em 49% as compras no Brasil em março e abril. Os iranianos adquiriram 610 mil toneladas de soja e 511 mil de farelo nesse período, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior). A compra de milho foi de 136 mil toneladas.

O Irã ocupa a segunda posição na lista dos importadores de milho do Brasil neste primeiro quadrimestre; a terceira na de farelo de soja, e a décima na de soja. De janeiro a abril, os iranianos gastaram US$ 912 milhões em produtos agrícolas no mercado brasileiro, 15% a mais do que em igual período de 2025.

As exportações totais do agronegócio crescem neste ano devido à expansão do complexo soja (grão, farelo e óleo) e das três principais carnes (bovina, suína e de frango). A soja e seus derivados, com a safra recorde, renderam US$ 8,1 bilhões em abril, acumulando US$ 20,1 bilhões no quadrimestre. As carnes, outro item de destaque na balança comercial do agronegócio, atingiram o recorde de US$ 11 bilhões, 20% a mais do que de janeiro a abril do ano passado. As maiores receitas vêm da carne bovina, principalmente pelo aumento de exportações para a China.

Segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o país colocou 1,09 milhão de toneladas de carne bovina no mercado externo neste ano, 15% a mais do que nos quatro primeiros meses de 2025. As receitas, devido ao aumento médio dos preços, atingiram US$ 6 bilhões, com alta de 33%.

O ritmo acelerado das vendas externas de carne bovina deve perder força a partir do segundo semestre. O Brasil tem uma cota de 1,1 milhão de toneladas para exportação à China sem que o produto precise pagar uma taxa extra de 55%. Segundo o governo chinês, os brasileiros já atingiram 50% desse volume.

Os dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) também indicam evolução nas receitas com as carnes suínas e de frango. A venda de carne de frango atingiu US$ 3,7 bilhões, e a suína, US$ 1,24 bilhão no quadrimestre.

Café e açúcar, dois outros itens importantes na balança do agronegócio, não acompanham soja e carnes e têm queda nas receitas neste ano. Em ambos os casos, os preços externos desaceleraram diante de perspectivas de um fornecimento melhor dessas matérias-primas.

As exportações têm uma dispersão maior neste ano. O bloco da Ásia, o principal da lista dos importadores de produtos brasileiros, ainda tem a China como maior compradora. As importações feitas pelos chineses, no entanto, cresceram 7%, enquanto as dos demais países da região aumentaram 22% (Folha)

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