Por Marcos Fava Neves
Do petróleo aos fertilizantes, passando pelo milho, clima e comércio exterior, maio concentra fatores decisivos que podem mexer com custos, margens e oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Os cinco fatos do agro para acompanhar em maio são:
1) Conflito no Irã, custo do diesel e crise nos nitrogenados: a escalada militar no Oriente Médio mantém o barril de petróleo sob pressão, afetando diretamente o frete para o escoamento da safra de verão e o transporte de insumos para a próxima safra. A oferta global de nitrogenados segue sob estresse, com o preço da ureia registrando altas acentuadas devido ao bloqueio no Golfo Pérsico.
No Brasil, as compras de fertilizantes para o ciclo 2026/27 estão ainda em 38%, significativamente abaixo da média histórica de 51%, devido à piora na relação de troca e postergação de compras. Há já preocupações com novo ciclo de alta das commodities, criando problemas no planeta caso os fluxos de fertilizantes não sejam reestabelecidos.
2) Desenvolvimento do milho brasileiro: com o término da colheita de uma safra recorde de soja, o foco se volta para o desenvolvimento do milho safrinha. A menor intenção de plantio de milho nos EUA (que deve recuar 4% para dar lugar à soja devido aos altos custos de nitrogenados) favorece o Brasil ao ajustar a oferta global e abrir espaço para preços melhores.
Internamente, o milho ganha suporte adicional pela crescente demanda das usinas de etanol de milho, que continuam a expandir sua capacidade e impulsionar o consumo doméstico do cereal. O clima, até o momento, tem sido favorável.
3) Ambiente comercial e regulatório brasileiro: o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026, criando a maior zona de livre comércio do mundo e com potencial de elevar as exportações brasileiras em 13%. Ainda no ambiente comercial, comercialização de sorgo para a China deve ganhar tração a partir de maio.
Simultaneamente, iniciam-se em maio testes laboratoriais para validar a mistura de 20% de biodiesel (B20) no diesel, visando reduzir a dependência de importações e cumprir as metas da Lei do Combustível do Futuro. Também devem ser anunciadas as novas misturas, sendo 32% de anidro na gasolina e 16% de biodiesel no diesel, criando mercados.
4) Na macroeconomia e no clima: vale monitorar se teremos novas tarifas vindas dos EUA, a redução da taxa de juros e a valorização do real, que derrubou os preços das commodities em reais, trazendo problemas de margens a uma agricultura já com elevado nível de endividamento. No clima, a evolução do El Niño e seus impactos. O clima nos EUA está bom e os plantios de soja e milho em ritmo muito bom.
5) Humor pós-Agrishow: A tradicional feira realizada em Ribeirão Preto teve, como era esperado, intenções de negócios 22% menores que em 2025, devido à taxa de juros, margens apertadas e elevado endividamento.
O público foi o mesmo (quase 198 mil pessoas), e a feira trouxe os benefícios de sempre dos contatos entre as pessoas, estabelecimento de outros negócios entre os presentes, inúmeras reuniões de planejamento e de investimentos e grande aprendizado nos stands das empresas e nas áreas de pesquisas.
Muitos negócios não mensurados saem destes encontros. Produtores capitalizados fizeram boas compras e, no geral, um clima de esperança de melhorias para frente.
(Marcos Neves é especialista em planejamento estratégico do agronegócio; Estadão)






