Lula ganha 30 dias, mas EUA não descartam tarifas, diz fonte

Por Priscila Yasbek

Os Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sorridentes durante encontro na Casa Branca. Foto DivulgaçãoApesar da extensão do prazo para discussões técnicas, fonte afirmou que governo Trump não descarta novas taxas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7) que propôs ao presidente Donald Trump um prazo de 30 dias para que as equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos avancem nas discussões sobre tarifas, durante a reunião na Casa Branca.

“Como a gente não podia ficar debatendo o dia inteiro sobre isso, eu propus ao Trump: ‘Vamos dar 30 dias para esses companheiros resolverem o problema’”, disse Lula durante coletiva de imprensa, após o encontro com Donald Trump em Washington.

Apesar do aceno, uma fonte do governo brasileiro que acompanhou de perto a discussão afirmou que o prazo não deve ser interpretado como um recuo definitivo dos Estados Unidos.

O interlocutor afirmou que o prazo de 30 dias obtido nas conversas pode ser ampliado por outros 30 dias se as negociações fluírem, mas ressaltou que novas taxas medidas podem ser anunciadas a qualquer momento.

“Poderia acontecer amanhã? Poderia. Mas eles poderiam concluir as investigações sobre o Brasil dizendo também ‘não tem tarifa’.  Mas não é da lógica, os caras sempre querem extrair uma concessão.Ter razão ou não ter razão, não é parte da equação”, afirmou o integrante do governo Lula.

A fonte afirmou que Jamieson Greer, o representante de Comércio dos Estados Unidos no governo Donald Trump e um dos principais formuladores da política tarifária americana, fez o papel de “bad cop” durante a reunião, evocando práticas supostamente desleais no comércio do Brasil com os Estados Unidos.

Depois de a Suprema Corte americana derrubar parte das tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, o governo Trump passou a estudar alternativas para aplicar novas taxas usando outros mecanismos da legislação dos Estados Unidos.

Em meados de abril, o USTR sinalizou que o Brasil pode se tornar alvo de tarifas no âmbito da Seção 301 da Lei do Comércio de 1974, usada por Washington para investigar práticas consideradas desleais (CNN)

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