A aliança pelo biodiesel, pelo desenvolvimento sustentável e pelo emprego

Por Francisco Turra

AliançaBiodiesel defende que o biodiesel brasileiro tem escala, qualidade e infraestrutura para ocupar um papel central na matriz energética do país.

A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) fizeram neste mês de abril um importante movimento setorial com o objetivo de impulsionar uma atuação coordenada entre as duas entidades, somando esforços e alinhando estratégias para fortalecer o biodiesel no Brasil e ampliar sua presença no mercado internacional.

Elas lançaram oficialmente a AliançaBiodiesel, que reúne empresas que representam 63,7% de toda a capacidade produtiva de biodiesel do Brasil. São 16 fabricantes e 33 usinas organizadas em torno de uma pauta comum: segurança jurídica, qualidade do produto e implementação do cronograma de ampliação da mistura previsto na Lei do Combustível do Futuro.

O movimento das associadas fortalece o discurso por meio da união setorial, reforçando posições e definindo uma agenda comum com o Executivo, o Legislativo, a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio) e também com o mercado consumidor. A articulação tem a força para se configurar na maior articulação institucional do setor na história do programa brasileiro de biodiesel, nascido há 21 anos.

Esta coalizão é estratégica porque tem como foco transformar o potencial do campo em soberania energética e desenvolvimento sustentável para todos os brasileiros, tendo como ingredientes a precisão da tecnologia combinada com a emergência da descarbonização.

Com previsibilidade e segurança jurídica, o setor, que garante a transição energética, se consolida como uma potência econômica: gera emprego, desenvolvimento sustentável e faz crescer o PIB brasileiro em toda cadeia produtiva, inclusive no agronegócio, validando a posição do Brasil como referência em produção de biocombustíveis.

O momento ganha destaque por ter como pano de fundo uma guerra no Oriente Médio que reproduz a crise de abastecimento global de petróleo e seus derivados, como havia acontecido em meados da década de 70. Não podemos continuar reféns da geopolítica mundial enquanto importamos 30% do nosso diesel – geramos renda no exterior e importamos poluição para nossas cidades e campos.

Como dito durante o lançamento da AliançaBiodiesel, é preciso garantir a nossa soberania, reduzir nossos custos e valorizar o que é nosso.

O contexto também foi favorecido pela diminuição na desconfiança sobre o biodiesel, por conta da postura séria do setor, que sempre repeliu qualquer tentativa de fraude e advogou pela melhoria constante do produto.

O lançamento da AliançaBiodiesel reforça a posição do país como líder global em transição energética global e consolida uma estratégia de Estado. Na pauta, o fortalecimento da regulamentação, a implementação efetiva da Lei Combustível do Futuro e a qualidade do produto como um dos pilares centrais da atuação conjunta.

A Aliança defende que o biodiesel brasileiro tem escala, qualidade e infraestrutura para ocupar um papel central na matriz energética do país. Mas, para que isso aconteça com previsibilidade, é preciso que o diálogo com o governo e os órgãos reguladores seja contínuo — e não apenas reativo a crises de abastecimento ou oscilações no mercado internacional.

Para isso, é necessário estimular e dar suporte aos produtores rurais, fomentando uma produção verdadeiramente sustentável, com responsabilidade social e ambiental, que gera também ganhos econômicos para todos os elos da cadeia.

Essa voz será propagada pela AliançaBrasil (Francisco Turra é presidente dos Conselhos de Administração da Aprobio e Consultivo da ABPA; ex-ministro da Agricultura; Estadão)

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