13º Fórum do Biogás é encerrado com mais de 1.800 participantes e reforça a expansão do biometano no Brasil

Evento reuniu mais de 60 patrocinadores, 20 apoiadores e 100 painelistas em dois dias de programação em São Paulo, que tiveram no encerramento o lançamento do Guia Prático do CGOB pela ABiogás e o Plano de Desenvolvimento do setor de biogás e biometano; a 14º edição já tem data marcada para 31 de agosto e 01 de setembro de 2027, em São Paulo

 O 13º Fórum do Biogás, realizado pela Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), chegou ao fim nesta quarta-feira (12), no São Paulo Expo. Em dois dias de programação, o evento alcançou um recorde absoluto: reuniu mais de 1.800 participantes, 60 patrocinadores, mais de 20 apoiadores e cerca de 100 painelistas, números que reforçam o Fórum como o maior ponto de encontro setorial na América Latina. O sucesso do evento reflete a trajetória de expansão do biogás e, especialmente, do biometano.

Segundo Josiani Napolitano, presidente-executiva da ABiogás, o 13º Fórum superou as expectativas da entidade, tanto pelo número de participantes quanto pelo conteúdo levado ao evento. A edição trouxe dois anúncios importantes: no primeiro dia, a apresentação do Plano de Desenvolvimento do setor de biogás e biometano; e, no encerramento, o lançamento do Guia Prático do CGOB, voltado a reduzir a assimetria de informações entre os agentes do setor. A programação também buscou dialogar com todos os elos da cadeia, da produção às soluções logísticas e às grandes indústrias, que já veem no biometano um caminho para a descarbonização de suas operações. “Estamos muito felizes com o resultado, agradecemos a confiança de patrocinadores, apoiadores e participantes, e convidamos todos para a próxima edição do Fórum do Biogás”, diz Josiani. A 14º edição está prevista para os dias 31 de agosto e 01 de setembro de 2027, em São Paulo.

Do 10º Fórum, em 2023, até a edição deste ano, o público do evento mais que dobrou: saiu de 894 para 1.800 participantes, acumulando de 101,3% em quatro edições. O avanço foi constante ano a ano. O ritmo acompanha a trajetória do setor que o Fórum representa: a produção brasileira de biometano cresceu 75% em 2025, saindo de 606,6 mil m³/dia para 1,06 milhão de m³/dia, segundo dados da ABiogás. O país soma hoje 21 plantas de biometano autorizadas para comercialização, com capacidade instalada de 1,33 milhão de Nm³/dia, e outros 48 empreendimentos em fase de autorização, de acordo com o Painel Dinâmico de Produtores de Biometano da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que eleva o total para 69 unidades. A projeção da entidade é de que a capacidade nacional chegue a 3,37 milhões de Nm³/dia em 2028.

Segurança energética

O primeiro dia do Fórum, na terça-feira (11), reuniu autoridades como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, homenageado durante a cerimônia por suas iniciativas de uso do biometano na mobilidade urbana da capital, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), Natália Resende, e a subsecretária da Semil, Marisa Barros, além de representantes da iniciativa privada como o CEO da Orizon Valorização de Resíduos, Milton Pilão, o CEO da Comgás, Felipe Figueiredo, e o CEO e fundador da Geo bio gas&carbon, Alessandro Gardemann. Os participantes também puderam conhecer um ônibus da Scania movido a biometano, uma das aplicações concretas do combustível na descarbonização do transporte.

A agenda técnica abriu com a plenária “Biogás e biometano: diversificando a matriz e fortalecendo a segurança energética”, moderada por Josiani Napolitano, e seguiu, ao longo do dia, com painéis sobre o mandato do biometano na Lei do Combustível do Futuro, infraestrutura e logística do setor, integração do biometano à política climática, e mobilidade urbana e gestão de resíduos nas cidades, com a participação de entidades como IBP, Ministério de Minas e Energia, EPE, ARSESP, Abegás, ABREMA, Solví, Gás Verde, GASMIG, Copa Energia, Sinergás, Comgás, Scania e SPTrans. A programação técnica da Arena complementou os debates institucionais, com conteúdos sobre aproveitamento energético de resíduos, além de iniciativas como o movimento Mulheres do Biogás e a apresentação da plataforma CP2B.

Guia Prático do CGOB detalha o novo mercado regulado

Um dos destaques desta edição foi o lançamento do Guia Prático do CGOB (Certificado de Garantia de Origem do Biometano), desenvolvido pela ABiogás para orientar produtores, distribuidoras e demais agentes do mercado sobre os procedimentos de emissão, transação e aposentadoria do certificado, evitando a assimetria de informações. “O mercado está amadurecendo, e o CGOB é uma peça importante dessa evolução. Ao dar valor ao atributo ambiental do biometano, o certificado pode destravar investimentos e atrair novos projetos”, afirma Josiani Napolitano, presidente-executiva da ABiogás.

O CGOB é o instrumento central do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, instituído pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) e regulamentado pelo Decreto nº 12.614/2025 e pelas Resoluções ANP nº 995 e nº 996, de março de 2026. Cada certificado equivale a 100 m³ de biometano com origem renovável comprovada, é emitido em formato escritural e tem validade de até 18 meses, podendo ser negociado separadamente da molécula física de biometano, seja em operações bilaterais, seja, no futuro, em mercados organizados como a B3.

Para emitir o certificado, produtores e importadores de biometano autorizados pela ANP precisam antes contratar um Agente Certificador de Origem (ACO) independente e credenciado, responsável por auditar a matéria-prima, o processo produtivo e a conformidade regulatória da unidade produtora — certificação válida por quatro anos, com monitoramento anual obrigatório. Já os agentes obrigados a cumprir as metas regulatórias são os produtores, importadores, autoprodutores ou autoimportadores de gás natural com volume comercializado acima de 160 mil m³/dia; agentes não obrigados também podem adquirir e aposentar CGOBs de forma voluntária, incorporando o atributo ambiental a produtos e inventários de emissões.

Para 2026, primeiro ano de vigência do Programa, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) fixou mandato de descarbonização de 0,5%, aplicado de forma proporcional (pro rata) a partir da emissão do primeiro CGOB, com apuração conjunta à meta de 2027, uma regra de transição que busca dar previsibilidade ao mercado neste primeiro ciclo de implementação. Em caso de descumprimento, a regulação prevê multas entre R$ 100 mil e R$ 50 milhões, sem que o pagamento substitua a obrigação de regularização do volume em aberto. 

Ao longo dos dois dias de programação, o Fórum reuniu poder público, empresas, investidores, especialistas, pesquisadores e representantes de toda a cadeia produtiva em torno de temas como segurança energética e diversificação da matriz, o mandato do biometano na Lei do Combustível do Futuro, infraestrutura e logística, mobilidade urbana, gestão de resíduos, reforma tributária e a meta de descarbonização do setor de gás natural. Mais informações: www.forumdobiogas.com.br

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