Transformar plantações de café em “floresta” derruba ataques de praga em  em cerca de 30% %, mostra pesquisa realizada em fazendas de Minas Gerais

Uma pesquisa inédita revelou que o plantio de cobertura vegetal na entrelinhas e de e árvores e arbustos entre os corredores de café no Cerrado Mineiro reduziu em cerca de 30%  a incidência do “bicho mineiro”, a praga mais temida pelos cafeicultores. O objetivo: mostrar como a agricultura regenerativa poderia atrair uma fauna benéfica de insetos que agem como predadores naturais do bicho-mineiros e outras pragas do café, além de ajudar as plantações a serem mais resilientes às mudanças climáticas e também a reduzirem o uso de defensivos químicos.

A iniciativa é da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com a Nespresso, que mobilizou fazendas da região para participar do projeto. Primeiramente, a área da pesquisa foi segmentada em 14 fazendas – uma delas, a Fazenda São Mateus, produtora do Guima Café, eleito o melhor do mundo em 2023 pela Illy Café e pioneira na adoção de técnicas da agricultura regenerativa.

O primeiro passo foi escolher espécies vegetais adequado a cada ecossistema. “É como se fosse uma agrofloresta em linha. A agricultura regenerativa aproxima o sistema agrícola do funcionamento natural dos ecossistemas, com pilares focados na saúde do solo e na reversão da perda de biodiversidade”, explica Madelaine Venzon, pesquisadora da EPAMIG,que iniciou esses  estudos em 2021.

Quatro anos depois, foi exatamente o que ocorreu. Venzon e equipe acabam de apresentaram os resultados preliminares do experimento. Entre eles, o aumento significativo de vespas e formigas que atuam como inimigos naturais das pragas do café e de ácaros predadores de ácaros pragas. E uma diminuição a quase pela metade da população do bicho mineiro.

“Percebemos um aumento da diversidade de insetos benéficos de uma forma geral. Os insetos representam 70% dos animais, são considerados bioindicadores. Quanto mais espécies no local, mais próximo de um sistema de florestal. E eventos climáticos extremos comprometem a população desses organismos vivos, essenciais para as saúde das plantações”, explica Madelaine Venzon.”Com a agricultura regenerativa, buscamos minimizar os efeitos das mudanças climáticas, que afetam diretamente culturas como o café, e preservar os serviços ecossistêmicos que a natureza nos oferece, como polinização, controle biológico de pragas e melhoria do solo.

O supervisor do Guima Café, Ricardo de Oliveira, diz que o estudo reforça a prática que a fazenda já adota no dia a dia: quanto mais próxima a lavoura estiver do funcionamento de uma floresta, mais resiliente ela será. “Esse é o caminho que escolhemos para produzir um café de excelência e, ao mesmo tempo, regenerar o meio ambiente”, disse.

O Guima reúne certificações raras entre produtores de cafés especiais, como a Rainforest Alliance, e também possui o Certifica Minas, o AAA da Nespresso e o Café Practices. Foi ainda a quarta fazenda no mundo a conquistar a certificação britânica Regenagri®, voltada à cafeicultura regenerativa.

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