Analistas de mercado e produtores estão confiantes com o tamanho da safra 2026/27, que poderá ser recorde.
O ano de 2026 pode representar uma virada de chave para a produção mundial de café graças ao Brasil. Após anos sucessivos sofrendo com as extremidades climáticas, a oferta do Brasil – maior produtor global – deve se recuperar e alcançar volumes recordes, conforme as primeiras projeções divulgadas por consultorias para a safra 2026/27.
Nos cálculos da StoneX, o país deverá colher 70,7 milhões de sacas, alta de 13,5% em relação ao ciclo anterior. A recuperação deverá ser puxada pelo arábica, com projeção de crescimento de quase 30%, e uma produção de 47,2 milhões de sacas. Por outro lado, a safra de conilon pode cair 8,9%, e render 23,5 milhões de sacas.
“Tivemos recuperação na maior parte das regiões de arábica em relação à safra 2025/26. Para o sul de Minas Gerais é esperado um incremento de 3 milhões de sacas. No Estado de São Paulo esperamos 3 milhões de sacas a mais, enquanto no Cerrado o aumento será de quase 2 milhões de sacas”, destaca Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Ele lembra que a safra brasileira do próximo ciclo tinha potencial para alcançar quase 78 milhões de sacas. Apesar do clima mais regular registrado este ano, episódios esporádicos de geadas e temperaturas elevadas minaram o rendimento dos cafezais.
Puxado pela expansão da área, e investimentos em tratos culturais, a Hedgepoint Global Markets calcula que a produção de café no Brasil em 2026/27 deve alcançar entre 71 milhões e 74,4 milhões de sacas.
A safra de arábica está inicialmente projetada entre 46,5 e 49 milhões de sacas, acima das 37,7 milhões colhidas em 2025/26. Em relação ao conilon, são esperadas entre 24,6 milhões e 25,4 milhões de sacas, em comparação com as 27 milhões em 2025/26.
“A escassez na oferta não se resolveria do dia para noite. Nos últimos três anos, o produtor se capitalizou bastante, devido ao aumento de preços, que seguiram elevados até agora. Nesse intervalo, ele investiu na abertura dessas novas áreas, e algumas delas devem dar os primeiros frutos em 2026/27”, pontua Laleska Moda, analista de café da Hedgepoint Global Markets.
Confiança no campo
As estimativas das empresas são condizentes com o otimismo dos produtores para a nova temporada do grão. Mariana Lima Veloso, diretora comercial da Prospera Agro, cultiva 7 mil hectares da planta em Carmo do Paranaíba, no Cerrado mineiro. A recuperação em sua lavoura deve acontecer após perda de 15% na safra colhida em 2025, mesmo em uma área 100% irrigada.
“Eu espero uma safra melhor que as últimas. Até porque o preço do café subiu muito nos últimos anos e quando isso acontece muita gente que não é do ramo começa a plantar café. Vai ser melhor, mas não tão boa quanto o mercado espera”, disse Veloso.
Mesmo com a boa expectativa para a produção para 2026/27, a diretora da Prospera Agro conta que os cafezais têm sofrido com as altas temperaturas. Assim, a propriedade deve alcançar um rendimento de 37 sacas por hectare, número inferior à média da fazenda, de 40 sacas.
Ela acrescenta que o momento de mercado, com forte alta nos preços em 2025, não mudou a estratégia adotada pela empresa há anos.
“Nós somos cafeicultores desde 1977. Então sempre buscamos uma rentabilidade boa e constante em nossas vendas para investirmos em comprar novas áreas e plantar mais. Essa alta no preço não incentivou [o aumento de área], porque já estávamos fazendo isso há muitos anos, mas é claro que estamos bem mais felizes com esse momento bom para as cotações”, afirma.
“Eu espero uma safra melhor que as últimas. Até porque o preço do café subiu muito nos últimos anos e quando isso acontece muita gente que não é do ramo começa a plantar café. Vai ser melhor, mas não tão boa quanto o mercado espera”, disse Veloso.
Mesmo com a boa expectativa para a produção para 2026/27, a diretora da Prospera Agro conta que os cafezais têm sofrido com as altas temperaturas. Assim, a propriedade deve alcançar um rendimento de 37 sacas por hectare, número inferior à média da fazenda, de 40 sacas.
Ela acrescenta que o momento de mercado, com forte alta nos preços em 2025, não mudou a estratégia adotada pela empresa há anos.
“Nós somos cafeicultores desde 1977. Então sempre buscamos uma rentabilidade boa e constante em nossas vendas para investirmos em comprar novas áreas e plantar mais. Essa alta no preço não incentivou [o aumento de área], porque já estávamos fazendo isso há muitos anos, mas é claro que estamos bem mais felizes com esse momento bom para as cotações”, afirma.
Investimentos favorecidos
Para Helder Knidel, produtor de café em Marechal Floriano (ES), a alta do grão em 2025 possibilitou a renovação de parte de seus 45 hectares cultivados. Com acréscimo do valor pago, também foi possível fazer mais investimentos na operação.
“Como estamos em uma região de montanha, o custo com a mão-de-obra é um dos grandes problemas. Mas isso amenizou com o aumento do preço nos últimos três anos, o que permitiu investimento maior na lavoura”, observa.
Ele acredita que a demanda por café pode seguir firme em 2026, devido à mudança no perfil de consumo na Europa, Ásia e EUA, que pode trazer oportunidades no que se refere a novos mercados. Por outro lado, o clima, que até o momento é favorável, ainda exige atenção por parte dos produtores.
“Esse aumento da demanda pode beneficiar o setor, considerando que não tenha nenhuma surpresa com o clima. Os extremos climáticos têm sido cada vez mais comuns, a exemplo do Vietnã, que sofreu com excesso de umidade no período da colheita em 2025. É preciso aprender a lidar com esses movimentos que sempre trazem alta volatilidade para o mercado”, pontua (Globo Rural)
Pela primeira vez, Filipinas ultrapassa Japão no consumo de café
- Produção mundial da commodity sobe para patamar recorde, e soma 179 milhões de sacas
- Estoques em final de safra, no entanto, têm a quinta queda consecutiva, diz Usda
O café terá um recorde mundial de produção na safra 2025/26. Serão 178,8 milhões de sacas, 3,5 milhões a mais do que na anterior. Mesmo com esse patamar recorde, os estoques continuam em queda.
No final da safra 2025/26, serão apenas 20,1 milhões, a quinta retração consecutiva, segundo avaliação do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
Essa perda de estoques tem sido um dos motivos da manutenção dos preços do café em patamares elevados. Em junho, a estimativa era de um final de safra com 22,8 milhões de sacas.
Se confirmado o novo número atual para 2025/26, o volume será 11,8 milhões de sacas a menos do que em 2021/22. A União Europeia, que tinha estoques de 14 milhões de sacas em 2021/22, está com apenas 7,8 milhões agora.
A produção sobe porque o Vietnã, o segundo maior produtor mundial de café, tem uma recuperação na produtividade das lavouras. Por lá, ao contrário do que ocorreu no Brasil e na Colômbia, o clima foi favorável.
Os vietnamitas vão colocar 30,8 milhões de sacas no mercado, 95% da produção será de café robusta. Com o aumento de produtividade e avanço da produção, o país tem capacidade para exportar 24,6 milhões de sacas, 2,3 milhões a mais do que no período anterior.
O Brasil, líder mundial no setor, colhe 63 milhões de sacas, 2 milhões a menos do que no período anterior. A queda ocorre na produção de café arábica, que recuou 6 milhões de sacas, para 38 milhões, segundo o Usda. Já a produção de robusta subiu para o recorde de 25 milhões, 4 milhões a mais.
A Colômbia, terceira maior produtora mundial, perde 1 milhão de sacas nesta safra devido ao excesso de chuva, com o volume recuando para 13,8 milhões. O Usda revisou os números da safra mundial de 2024/25, diminuindo a produção para 173,3 milhões de sacas, 900 mil a menos do que havia previsto antes.
Na lista dos maiores consumidores estão União Europeia, com 41,9 milhões de sacas, seguida de Estados Unidos (26,55 milhões) e Brasil (22,3 milhões). As Filipinas, em quarto lugar (6,75 milhões), ultrapassa o Japão pela primeira vez. A China, interrompe o crescimento contínuo que vinha tendo e consome menos nesta safra 2025/26.
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou a safra brasileira de 2025 em 35,2 milhões de sacas para o arábica e em 20,1 milhões para o robusta.
Tarifaço
O gesto do presidente dos Estados Unidos Donald Trump de eliminar o tarifaço sobre o café e carne bovina do Brasil teve muito a ver com o peso das medidas dele sobre o bolso dos consumidores americanos.
Alguns cortes de carne bovina estavam 16% mais caros no mês passado do que há um ano. Nesse mesmo período, o café solúvel subiu 24%, segundo os dados de inflação do país. Brasil é o maior exportador dos dois produtos para os americanos.
Pastagens
Novos modelos de financiamento são vitais para elevar a sustentabilidade na pecuária, segundo Francisco Beduschi, da NWF (National Wildlife Federation).
O financiamento da recuperação de áreas de pastagens degradadas e da adoção de práticas sustentáveis será fundamental para que a pecuária brasileira faça a transição para patamares maiores de sustentabilidade.
O custo de recuperação está próximo de R$ 10 mil por hectare, e o país tem 38,6 milhões de hectares no bioma do cerrado e 26,7 milhões na Amazônia. Os investimentos superam R$ 650 bilhões.
O setor precisa de linhas de financiamento ativas, com critérios de sustentabilidade e a adoção de uma pecuária regenerativa. O mercado de carbono e a combinação do capital público, privado e filantrópico trazem benefícios tanto para investidores como para produtores, segundo Beduschi (Folha)





