Produtos agrícolas, em alta, refletem efeito da guerra no Irã

  • Óleos vegetais, complementos para o diesel, têm as maiores valorizações após conflito
  • Já as carnes, devido a incertezas no mercado importador, têm queda de preços

As commodities agropecuárias já apontam os efeitos dos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel sobre o Irã. O país não é fornecedor de commodities agrícolas, mas importador. A alta do petróleo com o estrangulamento dos canais de transportes, no entanto, se reflete no setor agropecuário.

Fundos de investimentos saem de posições em metais preciosos e vão buscar lucro nas commodities agrícolas. Embora as altas neste início de guerra não sejam tão acentuadas como as do início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o índice CRB, que contempla uma cesta de commodities, já acumula elevação de 13,5%, e o índice GSCI de commodities, que sofre forte influência do petróleo, 19%.

A alta do petróleo, a principal commodity envolvida nessa disputa bélica, eleva os custos da produção, dos fretes e dos fertilizantes e dá sustentação aos preços das commodities. O Brent, no patamar de US$ 90, acumula alta de 37% neste mês. Os fretes estão 16% mais elevados, e a ureia tem alta de 26% em março.

Até mesmo os produtos que estavam com tendência moderada nos preços, como açúcar e café, voltaram a subir. Os que têm uma relação mais direta com o petróleo subiram com intensidade maior. É o caso dos óleos vegetais, que se tornam biocombustíveis e podem substituir parte da demanda por petróleo.

O óleo de soja está 7% mais caro no mercado internacional neste mês e assegura a alta da oleaginosa, já que ele entra como biodiesel na mistura com diesel, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos, os dois principais produtores mundiais de soja.

O óleo de palma, também importante na mistura com diesel, subiu 5% no mês. Além da elevação dos custos de produção, provocados pelo petróleo e por fertilizantes, os óleos vegetais têm uma demanda forte por parte da Índia, que adquire 16 milhões de toneladas por ano. O óleo de girassol, próximo do patamar de 2022, subiu 6% neste mês. Os ucranianos produzem menos, e os russos, além de elevarem a taxa sobre as exportações, têm dificuldades logísticas no mar Negro.

Até açúcar e milho entraram na lista de altas provocadas pelo petróleo. A manutenção de preços elevados do derivado fóssil pode levar as usinas brasileiras a utilizar mais cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar.

O mesmo pode ocorrer com o milho, que subiu para o preço mais elevado desde 2024. Tanto Estados Unidos como Brasil, dois importantes produtores mundiais do cereal, têm programa de mistura de etanol de milho à gasolina. Os Estados Unidos destinam um terço da produção do cereal para a produção de etanol, enquanto o Brasil deverá mandar 27 milhões de toneladas de milho para usinas de etanol neste ano, um quinto da safra nacional.

Os preços do café vinham moderados no mercado internacional, devido à estimativa de uma safra recorde de 66 milhões de sacas no Brasil, e de aumento dos estoques em Nova York. O produto acumula alta de 6% desde o início do conflito.

Já as carnes, com as incertezas do mercado comprador, caem de preço. A arroba de boi gordo, após atingir R$ 353 no final de fevereiro, está com recuo de 3% no mercado interno, mesma taxa de queda para o gado de engorda nos Estados Unidos.

O mercado brasileiro, seguindo tendência externa, registra, ainda, alta nos preços de arroz, milho, trigo, café e soja (Folha)

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