Produção de sorgo cresce e cereal vai entrar na alimentação humana

  • Mais resistente à seca, produto se torna nova opção em tempos de clima incerto
  • Pesquisas na Embrapa abrem caminho para o uso do cereal no consumo humano

O cultivo do sorgo cresce rapidamente no Brasil. Nesta safra 2025/26, a produção deverá superar em 219% a de cinco anos atrás. Resistência maior à seca, novas pragas no milho e o clima cada vez mais incerto fazem com que um número maior de produtores optem pelo cereal.

Um produto destinado basicamente à alimentação de porcos e aves ganha espaço também nos novos confinamentos bovinos e no aumento da demanda pelas usinas de etanol. Antes, o produtor colhia o cereal e tinha de correr atrás de compradores. Hoje, são as empresas que buscam os produtores, afirma Cícero Bezerra de Menezes, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

Os pesquisadores têm, porém, um objetivo maior para o sorgo no Brasil. Querem inseri-lo na alimentação humana e na de pets. Estes últimos já o utilizam, mas não há dados sobre a quantidade, e há espaço para crescimento. Menezes explica que, para a alimentação humana, é preciso trabalhar com um sorgo diferente, uma variedade com tanino. Existe o com tanino e o sem tanino. Atualmente, o sorgo produzido no Brasil é sem tanino.

O tanino do sorgo se liga às proteínas, formando complexos de baixa digestibilidade. Ou seja, se for dado um sorgo com tanino para um frango, ele engorda em torno de 20% a menos. Isso é ruim para a avicultura, mas o cereal com tanino para a composição da alimentação humana e de pets engorda menos.

O sorgo com tanino tem mais amido resistente e entra como se fosse um alimento funcional, segundo o pesquisador. A Embrapa Milho e Sorgo está completando 50 anos e, na comemoração, a pesquisadora Valéria Aparecida Vieira Queiroz lançará um livro com 50 receitas feitas com o cereal. Elas vão de pães, massas, bolos, biscoitos, barras de cereais, doces, salgados a bebidas.

Valéria desenvolveu diversos projetos com o objetivo de explorar o sorgo para uso na alimentação humana, desde a seleção de genótipos superiores em nutrientes e em compostos bioativos, avaliação da estabilidade no armazenamento e após processamento, até o desenvolvimento e avaliação sensorial e tecnológica de novos produtos sem glúten. O sorgo é interessante para a saúde humana, uma vez que tem muito antioxidante, afirma Menezes. Da casca do grão, são desenvolvidos também corante natural e cápsulas de antioxidantes.

O sorgo viveu de altos e baixos nos últimos anos no Brasil. Na safra de 2011, a produção era de 2,3 milhões de toneladas, volume que caiu para 1 milhão cinco anos depois, e voltou a superar 4 milhões a partir de 2023. Nesta safra, a previsão é de uma colheita de 6,7 milhões de toneladas, 219% acima da de 2020/21, segundo estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

O produtor já não encara mais o sorgo apenas como um substituto do milho em períodos de perda da janela ideal de plantio, mas como uma cultura planejada e com investimentos, segundo o pesquisador. Melhoramento genético, investimentos em adubação e novas sementes puxaram o avanço da cultura. O rendimento melhorou, e a produtividade subiu para 3.600 kg por hectare.

Menezes acredita em um crescimento sustentável do setor até os anos 2030. Além da demanda interna, começa a haver uma abertura do mercado externo para o país. A produção mundial é de 63 milhões de toneladas, e a China, tradicional importadora de produtos brasileiros, busca 7,6 milhões de toneladas do cereal por ano no mercado externo (Folha)

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