Preocupação com oferta aumenta e café dispara em Nova York

Condições climáticas levantam dúvidas sobre o potencial da safra que será colhida no ano que vem.

Depois que a finalização da colheita de café no Brasil trouxe um rendimento menor que o esperado para este ano, as geadas em áreas produtoras do Cerrado aumentaram ainda mais o sentimento de aperto na oferta do maior exportador de café arábica do mundo. Diante disso, o café registrou alta de 3,49% na bolsa de Nova York nesta quarta-feira (27/8), com o contrato para dezembro negociado a US$ 3,8530 por libra-peso.

Vicente Zotti, sócio da Pine Agronegócios, lembra que as notícias sobre a safra do Brasil para o ciclo 2026/27 não são animadoras.

“Na primeira quinzena de agosto, as geadas atingiram áreas de baixada do café. Depois, elas afetaram lavouras em regiões mais altas, que podem trazer impacto até para a safra 2027/28. Estimamos que as geadas tenham atingido 3,75% da área de café no Cerrado. Pode parecer um número pequeno, mas em um contexto de balanço apertado, qualquer redução se torna relevante”, diz Zotti.

Além da ocorrência de geadas, levantamento da Pine constatou a queda das folhas em muitas árvores após a colheita deste ano, mais um fator que pode reduzir o potencial produtivo para a próxima safra, de acordo com Zotti.

O analista desenha dois cenários para os futuros do café em Nova York. No curto prazo, o mercado pode experimentar uma retração dos patamares atuais.

“A partir do dia 30 [de agosto] tem previsão de chuvas nas áreas de café que irão beneficiar a abertura de florada, e levar o mercado a realizar lucros. Isso também deve acontecer caso vejamos as exportações do Brasil de agosto em volumes muito menores que os julho”.

Por outro lado, o sócio da Pine Agronegócios disse que os fundamentos de oferta restrita são duradouros. Por esse motivo, as cotações poderão registrar mais um recorde na bolsa este ano. Em fevereiro, o preço atingiu, pela primeira vez, US$ 4,38.

“O Brasil está sem a presença do seu principal comprador de café, os EUA, mas ainda negocia com outros destinos, como países asiáticos e também o mercado Europeu. No entanto, caso os EUA decidam derrubar as tarifas, a disponibilidade ficará muito baixa, e isso é um perigo, pois até o final do ano esse cenário poderá levar os futuros a novas máximas históricas”, projeta.

Cacau

Faltando pouco mais de um mês para o início da nova temporada do cacau na principal região produtora do mundo, o oeste da África, a volatilidade dos preços aumenta em Nova York. Após uma queda superior a 5% na véspera, os futuros da amêndoa para dezembro registram alta de 3,07% na sessão de hoje, para um valor de US$ 7.847 por tonelada.

As cotações se movimentam conforme as previsões climáticas para o oeste africano. A indicação de clima mais úmido favorece o recuo na bolsa, enquanto os prognósticos de tempo firme e a baixa nas entregas de cacau inclinam as cotações para novas altas.

Suco de laranja

O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês), registrou forte baixa na bolsa de Nova York após realização de lucros. Os contratos para novembro recuaram 3,16%, para US$ 2,6050 por libra-peso.

Açúcar e algodão

O açúcar e o algodão tiveram oscilações tímidas em Nova York. No caso do açúcar, os papéis do demerara para outubro avançaram 0,37%, a 16,47 centavos de dólar por libra-peso. Já nos negócios do algodão, os lotes para dezembro caíram apenas 0,04%, cotados a 66,68 centavos de dólar por libra-peso (Globo Rural)



Preço do café robusta já subiu mais de 45% em agosto

Cotações do arábica também registram avanços significativos.

Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços do café seguem em forte alta no mercado doméstico, com destaque para o robusta, cuja colheita está encerrada. Na parcial de agosto (até o dia 26), o indicador Cepea/Esalq do robusta acumulava expressivo aumento de 46,91%%, fechando essa terça-feira (26/8), em R$ 1.510,92 a saca de 60 quilos.

Para o arábica, as atividades de campo estão praticamente finalizadas, e as cotações também registram avanços significativos. Em agosto, o indicador Cepea/Esalq para essa variedade já subiu 25%, a R$ 2.265,81 a saca de 60 quilos nesta terça-feira.

Pesquisadores explicam que o impulso vem sobretudo do estoque bastante ajustado. O término da colheita evidenciou perdas no beneficiamento e o limitado volume de produção no Brasil.

Além disso, o tarifaço dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras de café segue trazendo volatilidade ao mercado nacional (Globo Rural)

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