Polêmicas à parte, Argentina e Brasil elevam transações no agro

  • Intercâmbio comercial aumentou 9,1%, para US$ 6,4 bilhões, no ano passado
  • Trigo encabeça lista de produtos importados do país vizinho; cacau, carnes e café lideram exportações

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Javier Milei, da Argentina, deverão manter distância na foto de comemoração da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia no próximo sábado (17/1), em Assunção, no Paraguai. Milei não perde as chances de cutucar o presidente brasileiro, e o distanciamento fica cada vez maior.

As ideologias políticas, no entanto, parecem não afetar muito a economia. No ano passado, o intercâmbio comercial entre os dois países subiu para US$ 6,4 bilhões no setor de agronegócio, 9,1% acima do de 2024. O Brasil foi mais ativo nas exportações para o país vizinho, uma vez que elas aumentaram 52%, mas o saldo da balança ainda pende fortemente para a Argentina.

Os três principais itens da pauta de exportação dos brasileiros para os argentinos estiveram com preços aquecidos no ano passado, elevando os custos do país vizinho. Segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o cacau e seus derivados foram os principais gastos dos argentinos com as exportações brasileiras, somando US$ 330 milhões.

Uma novidade nesse intercâmbio foi a aceleração das exportações brasileiras de carnes. No ano passado, os argentinos compraram 81,8 mil toneladas, 227% a mais do que em 2024 e o maior volume desde 1999. O destaque foi a carne bovina, que, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), teve alta de 1.939%, elevando o volume importado pela Argentina para 13 mil toneladas. Para cumprir contratos externos, os argentinos abasteceram o mercado interno com produto brasileiro.

O aumento internacional do preço do café e a elevação no volume importado pelos argentinos colocaram o produto como o terceiro da lista entre os alimentos. Os gastos subiram 65%, para US$ 173 milhões.

Do lado do Brasil, as importações atingiram US$ 3,9 bilhões, 1% a menos do que em 2024. Tradicionalmente dependentes do trigo argentino, os brasileiros adquiriram 5,42 milhões de toneladas no país vizinho, 24% acima do volume do ano imediatamente anterior.

A redução na produção brasileira forçou o Brasil a buscar mais cereal no mercado externo. Os gastos com o trigo argentino somaram US$ 1,26 bilhão, 100% a mais do que os US$ 624 milhões despendidos com lácteos. Produtos hortícolas e frutas também estiveram no topo da lista, ambos com valores próximos a US$ 300 milhões.

Brasil fora 

Os Estados Unidos gastaram US$ 39,5 bilhões com importação de frutas e produtos hortícolas frescos ou processados no período de janeiro a outubro do ano passado.

A lista dos dez principais fornecedores, que tem países da América Latina, não inclui o Brasil, segundo os números do governo americano.

Cacau 

A commodity inicia 2026 com queda nos preços e boas perspectivas de produção. Chuvas acima da média na África Ocidental, importante região produtora, prometem melhor produtividade.

O mercado aguarda, no entanto, a divulgação dos resultados de moagem do quarto trimestre de 2025 para avaliar um eventual impacto desses movimentos, afirma Carolina França, analista da Hedgepoint Global Markets.

Açúcar 

2026 começa desafiador para o setor. Ocorrências climáticas, mudanças estruturais no consumo e desdobramentos geopolíticos devem ser pontos de atenção, segundo analistas da Stonex (Folha)

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