Período mais crítico para alimentos ficou para trás, aponta FAO

  • Cereais estão 22% mais baratos atualmente do que em março de 2022, pico das altas
  • Carnes, com aumento de demanda e oferta menor, têm a queda mais tímida no período

Os dados sobre o custo mundial da alimentação, divulgados pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) nesta sexta-feira (9/1), apontam uma retração a partir de agosto último. Mesmo assim, o índice médio do ano é 4,3% superior ao de 2024. A média atual de preços, porém, fica bem abaixo do pico de março de 2022, logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Embora o preço dos alimentos estivesse em queda no final de 2025, o mundo viveu um dos períodos de maior inflação no setor nos anos recentes. O índice geral da FAO, que engloba preços de carnes, cereais, lácteos, óleos vegetais e açúcar, teve uma evolução acumulada de 27% nos últimos cinco anos, em relação aos cinco imediatamente anteriores.

De 2021, início das maiores pressões sobre os preços dos alimentos no mundo, a 2025, o indicador da FAO registrou um aumento médio anual de 5% para a alimentação em relação à média dos cinco anos imediatamente anteriores.

Carnes e óleos vegetais lideraram as altas. A proteína animal, principalmente a carne bovina, ganhou mercado na Ásia, devido ao aumento de renda em boa parte da população da região. Além disso, alguns grandes produtores e consumidores, como a China, tiveram sérios problemas de sanidade animal de 2018 a 2022, pressionando ainda mais o mercado internacional.

Em 2026, o consumo mundial de carne bovina, suína e de frango deverá somar 283 milhões de toneladas, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), 7,5% a mais do que em 2021. No mesmo período, a demanda interna chinesa deverá crescer 12%, atingindo 86 milhões de toneladas na soma das três proteínas.

O aumento nos preços dos óleos vegetais foi de 9,2% ao ano, segundo os dados da FAO. Houve gargalos na oferta, principalmente após a Ucrânia, importante país no fornecimento de óleo de girassol, ser invadida pela Rússia. Além disso, houve quebra de safra de soja nos principais países produtores, reduzindo a oferta no mercado internacional.

Os cereais, também afetados por fatores geopolíticos e por clima adverso, acumulam alta anual de 4,8% nos últimos cinco anos, em relação ao comportamento dos preços de 2016 a 2020. Os preços atuais já mostram pressão menor, principalmente o do arroz. O cereal teve queda de 35% no ano passado, em relação a 2024, devido a maior disponibilidade de produto, concorrência entre exportadores e redução de importações pelos países da Ásia.

Os lácteos, embora apresentassem queda de preço no final de 2025, superaram em 13% a média de 2024, devido ao aumento de preços no primeiro semestre do ano passado. O açúcar fecha o ano com o menor índice desde 2020. A média de preços de 2025 recuou 17% em relação à de 2024, devido melhora na produção.

O período de 2022, o de maior turbulência no mercado mundial, foi o de maior pressão nos preços dos alimentos, devido a pandemia e invasão da Ucrânia pela Rússia. Os valores médios atuais dos cereais, comparados com os de março daquele ano, indicam queda de 37%; os dos óleos vegetais, de 35%; os de lácteos, de 13%, e os das carnes, ainda pressionados, de apenas 1%.

O período de maior pressão nos preços do açúcar foi em 2023. Os valores atuais do produto estão 28% inferiores aos daquele ano. Já o índice médio de 2025 da FAO, que engloba todos os índices setoriais, aponta retração de 16% em relação ao de 2022 (Folha)

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