Paraguai consolida a maior safra de sua história e caminha para um novo recorde total

Com colheita encerrada na Região Oriental, país alcança a maior safra principal já registrada e pode superar 12 milhões de toneladas no total

A colheita de soja na Região Oriental do Paraguai está finalizada, atingindo 100% da área, segundo relatório da StoneX, empresa global de serviços financeiros. A soja no Chaco ainda se encontra em desenvolvimento devido a um calendário produtivo distinto, condicionado por fatores climáticos diferentes da outra metade do país. No entanto, como cerca de 97% da produção nacional se concentra na Região Oriental, a análise do ciclo se concentra nos resultados finais observados nessa região.

“Inicialmente, havia preocupações quanto a uma possível queda na produtividade, diante de condições climáticas mais quentes e secas. No entanto, essas não se materializaram em perdas significativas. As chuvas, embora irregulares, ocorreram em momentos-chave e permitiram sustentar o potencial produtivo”, explica Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX. Além disso, as lavouras já se encontravam em estágios avançados de desenvolvimento quando as condições mais adversas foram registradas, o que limitou seu impacto sobre os rendimentos finais, embora tenha gerado alguns atrasos no calendário da safrinha.

Dessa forma, segundo ela, as condições hídricas, de modo geral adequadas, acabaram consolidando um ciclo histórico, que se posiciona como a maior safra principal de soja já registrada no Paraguai. Em nível regional, conforme explica a analista, foram observados ajustes positivos mais expressivos especialmente no norte de Alto Paraná, a partir de Ciudad del Este para cima, assim como em Canindeyú. Ainda assim, os bons rendimentos foram generalizados, incluindo Itapúa, Caaguazú, Guairá, Caazapá, San Pedro, Amambay e Concepción. Por outro lado, embora não tenham sido realizados ajustes em Misiones e Paraguarí, é importante destacar que essas regiões já apresentavam produtividades superiores em relação a áreas mais sensíveis.

“A partir da estimativa anterior de 10,4 milhões de toneladas em março, a nova atualização de abril incorpora um ajuste positivo que eleva a produção da safra principal para 10,9 milhões de toneladas. Ainda resta definir o desempenho da safrinha, mas, caso atinja 1,4 milhão de toneladas, a produção total do país poderá chegar a 12,29 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde histórico para a soja paraguaia”, afirmou a analista.

Em relação à safrinha, Larissa pontua que os cultivos competem diretamente por área, especialmente entre soja e milho. No caso do milho, grande parte do plantio foi realizada fora da janela ideal, principalmente na região centro-sul, que abrange Caaguazú e se estende de Ciudad del Este até Naranjal. Como consequência, espera-se que a colheita se concentre a partir de meados de julho, sem perspectivas de oferta relevante em junho. Já a soja safrinha apresenta uma condição mais estável, com colheita prevista entre o final de abril e meados de maio, em linha com o calendário argentino. Ainda é cedo para realizar ajustes de produtividade neste segundo ciclo.

Comercialização

De acordo com a analista, no mercado, o basis apresentou forte volatilidade recente. Inicialmente, houve uma queda impulsionada pela alta em Chicago, após sinais de possível aumento da demanda chinesa decorrente de anúncios políticos, somados ao impacto do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e, por correlação, dos biocombustíveis. “Nesse contexto, o basis em Assunção passou de níveis próximos a US$ -45/ton antes desses eventos para US$ -80/ton em seu ponto mais baixo, recuperando-se posteriormente para US$ -55/ton. Esse movimento se explica principalmente pela alta das cotações internacionais, enquanto o flat price se manteve relativamente estável, em um cenário também marcado por elevada oferta sazonal e forte fluxo de comercialização”.

Quanto à comercialização, o avanço é significativo e reflete tanto o bom desempenho produtivo quanto as necessidades financeiras do setor em um contexto de alta disponibilidade de grãos. A soja da safra 2025/26 atinge 68% de vendas, bem acima dos 48% registrados no mês anterior e da média histórica de 63%. No milho, a safra 2025 está praticamente encerrada, com 97% comercializado, em linha com a média dos últimos anos. “Para a safrinha 2026, as vendas antecipadas também mostram dinamismo, alcançando 22%, frente a 14% no mês anterior e acima da média de 17%, o que confirma uma postura comercial mais ativa por parte dos produtores neste ciclo excepcional”, finalizou Larissa.

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