Indicadores mostram a contribuição da cotonicultura para o desenvolvimento sustentável no Brasil
No Dia do Agronegócio, a cadeia do algodão brasileiro chama atenção para uma realidade que vai além da exportação de commodities. Dados socioeconômicos e ambientais mostram que a cotonicultura tem atuado como um importante motor de desenvolvimento regional, especialmente em municípios do interior do país, combinando geração de renda, preservação ambiental e avanço nos indicadores sociais.
Para a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) a data é uma oportunidade de celebrar a cultura do algodão e ampliar o diálogo sobre o setor. “O algodão é uma cultura que envolve responsabilidade socioambiental ao longo de toda a cadeia, do plantio da semente ao produto final”, afirma Marcio Portocarrero, diretor executivo da entidade.
Desenvolvimento regional impulsionado pelo algodão
Os impactos da atividade podem ser observados de forma concreta em municípios que concentram a produção nacional da pluma. Entre 2000 e 2022, cidades como Campo Verde (MT), Primavera do Leste (MT), Sapezal (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA) registraram crescimento populacional muito acima da média brasileira. Campo Verde passou de 17 mil para 45 mil habitantes no período, crescimento de 161%. Primavera do Leste saiu de 36 mil para 85 mil moradores (139%). Sapezal quase quadruplicou sua população, saltando de 8 mil para 29 mil habitantes (269%). Já Luís Eduardo Magalhães teve o avanço mais expressivo: de 19 mil para 108 mil moradores, alta de 482% em pouco mais de duas décadas.
O avanço populacional foi acompanhado por melhora consistente de acordo com os indicadores de desenvolvimento. Dados do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) mostram que, entre 2013 e 2023, os quatro municípios elevaram seus índices de forma superior à média nacional. Enquanto o IFDM do Brasil cresceu cerca de 29,8% no período, a média das quatro cidades avançou 21,3%, alcançando patamar considerado de alto desenvolvimento. O índice de Campo Verde saltou de 0,611 para 0,7602, Primavera do Leste, foi de 0,6626 para 0,805, Sapezal, de 0,6052 para 0,694, e Luís Eduardo Magalhães, de 0,55 para 0,6865. Os resultados refletem melhorias em renda, educação e saúde, pilares que compõem o IFDM.
Certificação socioambiental é base do avanço
Parte relevante desse desempenho está associada ao Algodão Brasileiro Responsável (ABR), programa de certificação socioambiental coordenado pela Abrapa. Criado em 2012, o ABR estabelece um padrão nacional que exige boas práticas ambientais, sociais e trabalhistas em toda a cadeia produtiva da cotonicultura, critérios que asseguram que onde a pluma é plantada o meio ambiente é preservado e o desenvolvimento social alcança altos patamares de qualidade de vida para daqueles que vivem nas regiões produtoras. Atualmente, 81% de toda a produção de algodão no Brasil recebe certificação do ABR.
Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa em 6 municípios do Oeste da Bahia (Cocos, São Desidério, Correntina, Riachão das Neves, Luís Eduardo Magalhães e Barreiras) aponta que, para cada R$ 1 investido pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) no programa, são gerados R$ 5,09 em retorno socioeconômico para a população local. Os impactos incluem melhoria das condições de trabalho, fortalecimento da governança nas propriedades e maior integração entre produtores e comunidades.
A percepção dos produtores reforça os números. Segundo a pesquisa, 94% reconhecem que a certificação socioambiental influencia positivamente o valor da pluma, além de contribuir para a qualificação da mão de obra, organização produtiva e aumento da visibilidade econômica das regiões produtoras.
Ao mensurar de forma sistemática os efeitos do investimento em sustentabilidade, o levantamento consolida evidências de que a economia do algodão gera impactos que extrapolam a porteira. “Os dados mostram que organização setorial, governança e responsabilidade ambiental produzem efeitos duradouros sobre o desenvolvimento regional”, afirma Portocarrero.




