Desempenho eleva ainda mais as expectativas pela efetivação do tratado assinado com o Mercosul
As exportações brasileiras de frutas para a União Europeia cresceram 18,5% em volume e 12% em faturamento em 2025, na comparação com 2024, segundo dados oficiais compilados pela Associação Brasileira dos Exportadores de Frutas (Abrafrutas).
Em termos absolutos, os embarques para o bloco totalizaram 778,2 mil toneladas em 2025, frente a 656,9 mil toneladas no ano anterior. Já o faturamento das exportações alcançou US$ 847,4 milhões, ante US$ 756,4 milhões em 2024.
Apesar da alta no faturamento total, o preço médio das exportações brasileiras de frutas para a UE caiu de US$ 1.151 por tonelada em 2024 para US$ 1.089 por tonelada em 2025, retração de 5,4%.
Ainda assim, os resultados elevaram ainda mais as expectativas pela efetivação do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
Segundo Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Exportadores de Frutas), a UE concentra cerca de 70% de toda a exportação brasileira de frutas.
“O acordo comercial é considerado decisivo para a fruticultura nacional, especialmente pela redução gradual de tarifas de importação que hoje limitam a competitividade de produtos brasileiros no mercado europeu”, diz.
Pelas regras em discussão, as tarifas padrão deverão cair de 10% a 14% para zero de forma escalonada nos próximos sete anos, a depender do tipo de fruta.
Esse é o caso do melão, atualmente taxado em 10%, e o limão, com tarifa de 14%, que terão esse imposto reduzido de forma progressiva com a ratificação do acordo.
Já a uva teria um impacto mais imediato, com eliminação da tarifa de 14% logo na entrada em vigor do acordo, o que pode impulsionar tanto o volume quanto o valor exportado em curto prazo.
Para Coelho, a preocupação da entidade é com a judicialização do processo na Europa. De fato, o Parlamento Europeu encaminhou o texto do acordo ao Tribunal de Justiça da UE, que analisará sua legalidade.
Destaques de 2025
As cinco frutas brasileiras com maior destaque nas exportações para a UE em 2025 foram manga, melão, melancia, limões e limas, e mamão.
A manga manteve a liderança em valor exportado, com US$ 234,9 milhões em 2025, ligeiramente abaixo dos US$ 239,2 milhões de 2024 (–1,8%). Em volume, os embarques cresceram de 197 mil para 203,7 mil toneladas, alta de 3,4%.
A melancia apresentou o crescimento mais expressivo entre as principais frutas. O volume exportado avançou de 76,5 mil para 93,8 mil toneladas (+22,6%), enquanto o faturamento subiu de US$ 49,7 milhões para US$ 61,6 milhões (+23,9%).
Os limões e limas ampliaram os embarques de 149,8 mil para 160,5 mil toneladas (+7,1%), mas o faturamento recuou de US$ 160,5 milhões para US$ 157,7 milhões (–1,7%).
As uvas registraram crescimento de 27,6 mil para 30,6 mil toneladas (+10,8%) e aumento de receita de US$ 65,7 milhões para US$ 74,1 milhões (+12,8%).
O mamão também teve desempenho positivo, com alta de 16,4% no volume exportado, de 42,2 mil para 49,1 mil toneladas, e crescimento de 12,5% no faturamento, que passou de US$ 50,6 milhões para US$ 56,9 milhões em 2025.
O presidente da Abrafrutas destacou ainda a diversidade produtiva do Brasil, ressaltando que cada região do país é naturalmente vocacionada para diferentes frutas.
“O Sudeste se destaca na produção de limão e abacate, o Sul concentra a produção de maçã, enquanto Rio Grande do Norte e Ceará lideram no melão. Já Pernambuco se consolidou como polo de manga, e o semiárido nordestino permite a produção de uvas com até duas safras por ano, um diferencial competitivo frente a outros países exportadores”, detalha.
Atualmente, a Abrafrutas representa cerca de 75% das exportações brasileiras de frutas, reunindo 103 empresas exportadoras.
Quedas
O abacate registrou a maior queda em volume entre as frutas relevantes, com recuo de 14,9 mil para 12,1 mil toneladas (–19,2), enquanto o faturamento permaneceu praticamente estável, em torno de US$ 33 milhões.
As conservas de frutas tiveram retração de 7,2% no volume, de 14,0 mil para 13,0 mil toneladas, mas elevaram a receita de US$ 28,4 milhões para US$ 30,1 milhões (+6%).
O abacaxi apresentou queda simultânea em volume e valor. Os embarques recuaram de 71,7 para 44,6 toneladas (–37,8%), enquanto o faturamento caiu de US$ 146,5 mil para US$ 84,7 mil (–42,3%).
A banana teve redução de 17,9% no volume, de 3,9 mil para 3,2 mil toneladas, e queda de 14,6% na receita, para US$ 3,5 milhões.
O figo também encolheu, com volume de 1,05 mil para 0,86 mil toneladas (–18,1%) e faturamento de US$ 6,2 milhões para US$ 5,1 milhões (–17,7%) (Globo Rural)





