Líder do agro de Trump virá ao Brasil para discutir comércio bilateral

Brooke Rollins marca viagem ao país para discutir comércio do agro e diz que EUA têm déficit de US$ 7 bilhões no comércio agrícola com o Brasil.

A secretária do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Brooke Rollins, virá ao Brasil nos próximos seis meses com o objetivo de discutir as negociações do setor com o país e, como ela própria relatou, “responsabilizar os parceiros comerciais por sua parte nos acordos”.

A informação obtida pela Folha consta de uma comunicação que a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, encaminhou ao Ministério das Relações Exteriores. O documento foi repassado ao MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) na segunda-feira (31/3).

O ofício relata o teor de uma comunicação feita pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), liderado por Brooke Rollins. No documento, a “dama de ferro” do agro escolhida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que o déficit comercial agrícola americano chega a cerca de US$ 50 bilhões e que “pouca ou nenhuma ação do governo anterior” foi feita para reverter a situação.

Numa referência direta ao Brasil, Rollins diz que seu “país apresenta déficit de US$ 7 bilhões no comércio agrícola” e que seu departamento “segue comprometido em expandir o acesso a mercados em todo o mundo”. Ela ainda afirma que suas missões pretendem “garantir a prosperidade de nossos produtores agrícolas” americanos.

No ofício, Rollins diz ainda que “tudo está sobre a mesa para obter mais mercados” para a produção agrícola dos EUA e que sua agenda internacional vai incluir países considerados mais estratégicos para o governo Trump.

Além do Brasil, ela deverá viajar para Índia, Japão, Peru, Reino Unido e Vietnã. Missões comerciais também estão previstas para a Costa do Marfim, Hong Kong, México, República Dominicana e Taiwan.

A pauta do agronegócio é, hoje, um dos temas mais sensíveis nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Nesta terça (1º/4), um dia antes de Donald Trump anunciar um tarifaço contra países de todo o mundo, incluindo o Brasil, o governo Luiz Inácio Lula da Silva e a bancada ruralista se uniram pela aprovação, de forma unânime, do PL (projeto de lei) que impõe a reciprocidade de regras ambiental e comercial nas relações do Brasil com outros países.

O PL (2088/2023), relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), foi aprovado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal por 16 votos a favor e nenhum contra. No plenário, o placar foi de 70 votos a zero. O texto segue para a Câmara, para votação em regime de urgência.

Um pedido foi enviado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o projeto seja apreciado nesta quarta (2). No plenário, Motta não se comprometeu com a votação, mas indicou que os deputados podem votar o PL no plenário ainda nesta semana.

O texto impõe medidas de reação àquilo que é visto como práticas protecionistas disfarçadas com a bandeira da sustentabilidade, além de prever medidas para reequilibrar o jogo comercial. Embora a motivação original fosse a defesa do agro brasileiro frente às restrições ambientais da Europa, o texto atual define como alvo qualquer país ou bloco econômico que decida adotar medidas unilaterais e ações que prejudiquem a competitividade internacional de bens e produtos brasileiros, não apenas do agronegócio.

O modelo permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando países ou blocos econômicos impuserem barreiras ambientais injustificadas aos produtos brasileiros. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) passa a ter papel central na aplicação de medidas, garantindo uma abordagem mais técnica e menos suscetível a distorções políticas.

Em vez de barreiras automáticas, o novo texto prevê consultas diplomáticas coordenadas pelo Ministério das Relações Exteriores, possibilitando a resolução de conflitos de forma negociada antes da aplicação de contramedidas.

O novo texto permite ao Brasil suspender concessões comerciais e de investimentos, bem como reavaliar obrigações em acordos de propriedade intelectual, garantindo mais flexibilidade na defesa dos interesses nacionais (Folha, 3/4/25)

Câmara aprova PL da reciprocidade após anúncio de tarifaço de Trump

Projeto teve tramitação agilizada no Congresso, conta com apoio de ruralistas e governistas; PL acabou orientando favorável à proposta, apesar de ter tentado obstruir.

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (2), o PL (projeto de lei) que impõe a reciprocidade de regras ambiental e comercial nas relações do Brasil com outros países. A votação ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifaço que atinge produtos brasileiros.

O projeto teve uma tramitação acelerada no Congresso Nacional, com apoio de ruralistas e governistas. Na Câmara, a votação foi simbólica.

Trump anunciou que vai impor uma tarifa de 10% sobre produtos comprados de outros países, inclusive do Brasil. Em cerimônia na Casa Branca, o republicano disse que o objetivo é trazer empregos e fábricas de volta ao país.

Com o texto, o governo brasileiro poderá adotar medidas em resposta aos americanos. O projeto vai para sanção presidencial.

O PL, partido de Jair Bolsonaro, havia anunciado a obstrução no plenário, apesar de boa parte de sua bancada integrar a FPA (Frente Parlamentar Agropecuária).

O partido apresentou requerimentos para protelar o debate, mas após o plenário ter maioria para votar o texto, anunciou apoio já na votação do requerimento de urgência (que autoriza o projeto a ser votado diretamente no plenário, sem passar por comissões) e no mérito do texto, alegando ser favorável ao agro brasileiro.

“Nós do PL continuaremos trabalho de obstrução. Mas alcançado o quórum mínimo, mudamos orientação do PL. Não é salvo-conduto para o governo, que não merece cheque em branco, mas estamos aqui porque o agronegócio é do Brasil”, disse Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

A reação brasileira ao movimento do presidente americano representa um momento raro em Brasília, no qual os parlamentares ruralistas, que representam a maior bancada do Congresso, se alinharam ao governo Lula para impor uma resposta à taxação generalizada promovida por Trump aos produtos brasileiros.

Na véspera, quando o projeto foi aprovado no Senado, Motta defendeu no plenário da Câmara que um episódio como este com os Estados Unidos serve para ensinar que “não existe um Brasil de esquerda ou um Brasil de direita. Existe apenas o povo brasileiro”.

O discurso foi talhado de recados ao partido de Bolsonaro. “Não é hora de seguirmos ninguém, mas de agirmos com desprendimento político, sem qualquer tipo de mesquinhez e agir com altivez, mas sem falsos heroísmos”, afirmou ainda.

O projeto de lei original, de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), tinha como proposta ser uma resposta à crescente imposição de barreiras ambientais unilaterais pela União Europeia, como a “lei antidesmatamento” que tem previsão de entrar em vigor a partir de 31 de dezembro deste ano.

O texto substitutivo da senadora Tereza Cristina impõe medidas de reação àquilo que é visto como práticas protecionistas disfarçadas com a bandeira da sustentabilidade, além de prever medidas para reequilibrar o jogo comercial.

Embora a motivação original fosse a defesa do agro brasileiro frente às restrições ambientais da Europa, o texto atual define como alvo qualquer país ou bloco econômico que decida adotar medidas unilaterais e ações que prejudiquem a competitividade internacional de bens e produtos brasileiros, não apenas do agronegócio.

O modelo permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando países ou blocos econômicos impuserem barreiras ambientais injustificadas aos produtos brasileiros. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) passa a ter papel central na aplicação de medidas, garantindo uma abordagem mais técnica e menos suscetível a distorções políticas.

Em vez de barreiras automáticas, o novo texto prevê consultas diplomáticas coordenadas pelo Ministério das Relações Exteriores, possibilitando a resolução de conflitos de forma negociada antes da aplicação de contramedidas.

O novo texto permite ao Brasil suspender concessões comerciais e de investimentos, bem como reavaliar obrigações em acordos de propriedade intelectual, garantindo mais flexibilidade na defesa dos interesses nacionais (Folha)

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