Indústrias defendem testes para aumentar mistura de biodiesel para 16%

Mudança reduziria importação de 800 milhões de litros de diesel, afirma fabricante.

A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) defendeu que o governo agilize os testes para aumentar a mistura do biodiesel ao diesel já para 16% (B16). A mistura está atualmente em 15% (B15).

À reportagem, o presidente da associação, Jerônimo Goergen, defendeu que o governo poderia autorizar de forma emergencial o B16, validando-o conforme os testes mostrarem a segurança deste patamar de mistura.

Segundo ele, o aumento da mistura seria uma forma de garantir o abastecimento nacional de combustível diante da ameaça à oferta provocada pela guerra no Oriente Médio.

“Não temos problemas com teste. A Aprobio não aceita aventuras. Não queremos [que o aumento da mistura] aumente o preço do óleo ou dê problema nos motores”, defendeu.

Na quarta-feira (11/3), 43 entidades representativas de segmentos do agronegócio e associadas ao Instituto Pensar Agro (IPA), entre elas a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), apresentaram uma carta ao governo defendendo o aumento imediato da mistura do biodiesel para 17%. No documento, elas não mencionam a necessidade de realizar os testes de viabilidade.

Goergen defendeu também que o governo poderia autorizar uma mistura de caráter voluntário de 17% para os agentes que o quiserem fazer, mas sem obrigatoriedade. Atualmente, já há empresas que utilizam voluntariamente em suas frotas diesel com 20% de biodiesel ou até 100% de biodiesel, com autorizações especiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP).

Os testes programados pelo governo prevêem ensaios com misturas até 20% de biodiesel. Para Goergen, o governo deveria antecipar os testes apenas com B16 para já testar a viabilidade desta mistura. Segundo ele, a antecipação dos testes apenas do B16 estaria dentro do cronograma previsto pelo governo. Neste cronograma, os testes do B20 ocorreriam apenas em 2027.

Ele estimou que, do início dos testes até uma aprovação da mistura de 16%, podem se passar entre três a quatro meses.

Goergen defendeu ainda que, caso o governo precise, as associações do setor podem fornecer os recursos para bancar os ensaios.

Ele ressaltou que a indústria de biodiesel “está pronta” para atender ao aumento da mistura, já que trabalha com ociosidade.

Em nota, a AliançaBiodiesel, formada por Aprobio e Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), disse que o setor de biodiesel tem capacidade instalada para atender uma mistura de até 21,6% de biodiesel ao diesel.

“O setor está pronto para o B16 e totalmente estruturado para viabilizar os testes que garantam a segurança necessária para o aumento da mistura. Nossa prioridade é colaborar com avaliações céleres que permitam a expansão do biodiesel ainda este ano, assegurando previsibilidade e confiança para toda a cadeia automotiva e de combustíveis”, afirmou André Nassar, presidente da Abiove, em nota divulgada pela AliançaBiodiesel.

Alívio para a soja

O aumento da mistura do biodiesel ainda ofereceria um alento ao produtor de soja, que está em plena colheita de uma safra recorde e começou a se deparar nos últimos dias com o bloqueio de compras por parte da China, o maior comprador do grão brasileiro.

O problema nas vendas à China tende a criar uma sobreoferta de soja no mercado interno, derrubando preços em um momento de alta dos custos. Segundo Goergen, um aumento da mistura do biodiesel poderia oferecer alívio para os produtores.

Redução de importações

Cada ponto percentual adicional de biodiesel ao diesel reduz em, aproximadamente, 800 milhões de litros a necessidade de importação do combustível fóssil, segundo André Lavor, CEO e cofundador da Binatural, uma das dez maiores fabricantes do biocombustível no Brasil.

“Isso [mistura de biodiesel ao diesel] significa menor exposição a variações cambiais e a oscilações no mercado internacional de petróleo”, defendeu o executivo. “A política de mistura obrigatória [do Brasil] é um instrumento direto de proteção econômica”, sustentou.

“É uma forma objetiva de substituir dependência externa por produção doméstica, fortalecendo a balança comercial e a estabilidade do abastecimento. Trata-se de consolidar uma política de segurança energética, capaz de amortecer choques externos e garantir previsibilidade ao setor produtivo”, afirmou.

Em 2025, o Brasil importou cerca de 17 bilhões de litros de diesel. Para Lavor, esse nível de dependência faz com que qualquer instabilidade externa tenha potencial de repercussão quase imediata na estrutura de custos.

O conflito no Oriente Médio bloqueou o acesso marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo do mundo, levando a uma disparada nos preços internacionais. O valor do barril do Brent operou por volta dos US$ 100 nesta quinta-feira (12/3), depois de acumular alta de 27% na semana passada.

“Como somos dependentes da importação de diesel, conflitos geopolíticos podem provocar, inclusive, uma ruptura de abastecimento ao nosso país”, alertou Lavor.

Como o transporte rodoviário é a espinha dorsal da movimentação de grãos, proteínas e insumos, a elevação persistente no combustível impacta fretes, margens do produtor e preço final dos alimentos (Globo Rural)

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