- Região tem 0,1% da área agriculturável global, mas é responsável por 30% dos fertilizantes
- Cenário é ainda pior porque China e Rússia impuseram restrições à venda do insumo
O atual conflito geopolítico no Oriente Médio tem um componente mais complicado para o médio prazo no abastecimento mundial de alimentos do que o da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os produtos agrícolas não dispararam logo no início deste conflito, como ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas a oferta de alimentos poderá ser afetada a médio prazo.
No início do conflito na Europa, ambos os envolvidos eram fornecedores de grãos, mas a oferta mundial era baixa, e os países, ainda afetados pela pandemia, buscavam recompor estoques de alimentos rapidamente, provocando alta repentina dos preços.
Neste ano, os estoques mundiais são melhores, mas atraso no fornecimento de fertilizantes, alta de preços desses insumos e elevação de custos na produção agrícola deverão levar os produtores do mundo a cuidar menos das lavouras, o que pode gerar perda de produtividade, se a guerra persistir.
Ao contrário de 2022, os agricultores estão com renda menor e, em alguns dos principais fornecedores mundiais, como nos Estados Unidos, este será o quarto ano de perda de renda. Além dos preços menores no mercado internacional, Donald Trump dá uma ajudazinha para a queda de renda e de participação menor dos americanos no mercado internacional.
Os países da região do conflito atual têm uma capacidade muito limitada na produção agrícola, mas são responsáveis por pelo menos um terço do fornecimento de fertilizantes para as principais regiões produtoras de alimentos.
Dados da editora online Visual Capitalist indicam que o Oriente Médio participa com apenas 0,06% das áreas agriculturáveis do mundo, mas a IFA (International Fertilizer Association) aponta que os países da região fornecem 30% dos principais fertilizantes comercializados globalmente.
Apenas Irã, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein são responsáveis por 23% do comércio global de amônia; 34% do de ureia, e 18% do de fosfato de amônio. Os países da região não são grandes produtores de grãos, mas têm poder de influenciar muito a produção nas principais regiões produtoras.
O efeito da menor oferta desse insumo no Oriente Médio ficou ainda mais amplificado pelas restrições da China e da Rússia, os dois maiores fornecedores para os brasileiros. Os russos, responsáveis por 40% do comércio mundial de nitrato de amônio, suspenderam, por um mês, as exportações do insumo (Folha)





