Fechamento de Ormuz acarreta em menor disponibilidade de navios no Brasil

Cenário impõe desvio de rotas e encarece frete marítimo; Irã avisou que ateará fogo em navios que tentarem passar pelo local

    

Com a escalada bélica entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz foi totalmente fechado e voltou ao centro das preocupações do comércio, pois o local é um ponto nevrálgico da logística global, como destacam especialistas. À vista, o desarranjo das rotas marítimas globais, o que implicará em aumento no tempo de viagem e menor disponibilidade de navios no Brasil, segundo especialistas.

A região é estratégica para o transporte de petróleo mundial e outras mercadorias agropecuárias, em especial fertilizantes e grãos.

Em comunicado emitido pela mídia estatal iraniana, o comandante da Guarda Revolucionária informou nesta segunda-feira (2/3) que o país incendiará qualquer navio que tentar passar pelo local como retaliação pela morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

“O fechamento do Estreito de Ormuz irá encarecer o transporte marítimo como um todo, tanto para as exportações de produtos agrícolas, como importação de fertilizantes, por exemplo”, reforça à CNN Agro Fernando de Bastiani, pesquisador do Esalq-LOG, grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP).

Na mesma perspectiva, o especialista em comércio exterior, Jackson Campos afirma que o exportador brasileiro “perde competitividade, porque o custo logístico encarece o produto final. Já o importador enfrenta preços mais altos e maior risco de atrasos no recebimento de insumos, componentes e mercadorias”.

Segundo Campos, mesmo países distantes do conflito, como o Brasil, podem sentir os impactos. Ele alerta que setores que operam com estoques enxutos podem ter dificuldade de abastecimento ou precisar repassar custos ao consumidor.

“Mesmo longe geograficamente do conflito, o comércio exterior brasileiro passa a trabalhar com prazos mais longos, maior volatilidade e pressão sobre as margens”, avalia.

O especialista em trigo da consultoria Safras & Mercado, Élcio Bento, também reitera que os caminhos das cargas ficarão mais longos com a suspensão das rotas estratégicas do Estreito de Ormuz e do Canal de Suez. “Há impacto direto e quase imediato no custo do frete internacional de trigo”, exemplifica.

Segundo os especialistas, o custo do frete marítimo está diretamente relacionado com os valores das commodities, pressionando toda a cadeia produtiva. Campos enfatiza que o desvio de navios para o Cabo da Boa Esperança diante da suspensão de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, além de aumentar a distância da rota, recai imediatamente sobre o preço do frete marítimo internacional.

“Quando os armadores deixam de utilizar as rotas mais curtas e passam a contornar a África, o tempo de trânsito aumenta significativamente, o consumo de combustível sobe e isso é repassado ao valor final do frete”, explica Campos. A aplicação de sobretaxas de risco de guerra e adicionais emergenciais também entram na nova conta dos exportadores (CNN Brasil)

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