Houve retração em volume, valor e na diversificação da pauta, conforme os dados do Ministério da Agricultura.
A exportação de produtos agropecuários do Brasil para a Venezuela diminuiu no período em que Nicolas Maduro governou o país. É o que apontam os dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura. Os números de 2013 para cá mostram retração de volumes, receitas e de diversificação da pauta exportadora brasileira. Ainda que, com alguma volatilidade, em nenhum momento as vendas do setor voltaram aos níveis do início da década passada.
Em 2013, os embarques somaram US$ 2,63 bilhões, com 1,54 milhão de toneladas, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária. A retração começa já em 2014 e se aprofunda em 2015, com quedas acentuadas nos principais segmentos.
A partir de então, as exportações passam a oscilar em níveis mais baixos, com recuperações pontuais que não se sustentam ao longo do tempo. Em 2025, considerando o período de janeiro a novembro, o total exportado alcançou US$ 513,5 milhões, com 948 mil toneladas.
O recuo é mais evidente nos segmentos que concentravam grande parte do comércio bilateral. Em animais vivos (exceto pescados), as exportações passaram de US$ 554,8 milhões, com 234,4 mil toneladas, em 2013, para US$ 9,5 milhões e 698 toneladas em 2025.
As carnes, que figuravam entre os principais itens da pauta em 2013, com US$ 1,22 bilhão e 329 mil toneladas, sofreram retração já em 2014, aprofundada em 2015. Nos anos posteriores, os embarques permaneceram em níveis baixos e irregulares, encerrando 2025 com US$ 1,14 milhão e 560 toneladas.
Outros segmentos relevantes quando Maduro chegou ao poder também perderam espaço ou deixaram de aparecer de forma contínua na pauta exportadora. Sucos, derivados específicos de cacau, produtos oleaginosos (exceto soja) e alimentos processados passaram a ter presença residual ou intermitente nos últimos anos. O resultado foi uma diminuição do número de setores ativos, com maior concentração.
Exportações de produtos agro do Brasil para a Venezuela
| 2013 | 2019 | 2025 (jan/nov) | |||||||||||
| Produto/segmento | Volume (t) | Valor (US$ milhões) | Volume (t) | Valor (US$ milhões) | Volume (t) | Valor (US$ milhões) | |||||||
| Carnes | 329.074,00 | 1.220,00 | 0 | 0 | 560,05 | 1,140 | |||||||
| Animais vivos (exceto pescado) | 234.424,00 | 554,8 | 14,5 | 5,9 | 698 | 9,5 | |||||||
| Bebidas | 5.600,00 | 193,7 | 3.320 | 18,5 | 3.800 | 44,8 | |||||||
| Produtos florestais | 88.900,00 | 111,95 | 13,5 | 15,06 | 39.200 | 36,53 | |||||||
| Produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos | 1.200,00 | 1,1 | 2,7 | 2,5 | 17.500,00 | 15,1 | |||||||
| TOTAIS |
Fonte Agrostat – Ministério da Agricultura
Entre os segmentos que mantiveram o fluxo, mesmo em escala menor, estão as bebidas, com exportações que recuaram de US$ 193,7 milhões e 5,6 mil toneladas em 2013 para US$ 44,8 milhões e 3,8 mil toneladas em 2025. Os produtos florestais passaram de US$ 112 milhões e 88,9 mil toneladas para US$ 36,5 milhões e 39,2 mil toneladas no mesmo intervalo, preservando volumes relativamente mais elevados que os de proteínas animais.
O grupo de produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos aparece como exceção. As exportações avançaram de US$ 1,1 milhão, com 1,2 mil toneladas, em 2013, para US$ 15,1 milhões e 17,5 mil toneladas em 2025, ampliando participação na pauta ao longo dos anos.
Importações limitadas
As importações agrícolas do Brasil provenientes da Venezuela ocorreram em escala limitada e com variações ao longo do tempo, associadas a operações específicas. Esses movimentos não indicavam tendência estrutural de expansão, mas demonstravam alguma alternância entre anos de maior e menor fluxo, e restritos a poucos produtos.
O grupo de cacau e seus produtos aparece de forma recorrente como o principal item importado, respondendo pela maior parte do valor nos anos em que há maior movimento. Em diversos períodos, esse segmento concentra praticamente a totalidade das importações agrícolas.
Outros produtos, como bebidas, hortícolas e itens agrícolas específicos, surgem de forma pontual ao longo dos anos, com valores reduzidos. Vários segmentos permanecem zerados por longos períodos, reforçando a baixa diversidade da pauta.
Em 2013, o Brasil importou US$ 8,9 mil, segundo dados do Agrostat. Já em 2014 e 2015, há um aumento pontual, para US$ 500,1 mil e US$ 617,1 mil, respectivamente.
Entre 2016 e 2019, as importações passam a oscilar em uma faixa relativamente estreita, com valores anuais entre US$ 478 mil a US$ 575 mil, acompanhando flutuações semelhantes no volume.
A partir de 2020, os dados mostram novas altas. Em 2021 e 2022, o valor importado supera US$ 1 milhão, enquanto em 2024 atinge cerca de US$ 1,57 milhão, o maior patamar desde 2013.
Em 2025, as importações voltam a recuar, para US$ 526,6 mil, com 526,6 toneladas (Globo Rural)






