Exportações de gado vivo voltam a superar 1 milhão de cabeças

  • Receitas com vendas externas somam US$ 1,05 bilhão, 26% a mais do que em 2024
  • País participa com 24% das exportações mundiais, seguido de Austrália e Canadá

O Brasil voltou a superar a marca de 1 milhão de gado vivo exportado em 2025. Isso deu ao país a participação de 24% nas exportações mundiais desse mercado.

A transação internacional de gado em pé atingiu 4,3 milhões de cabeças no mundo, um número, no entanto, inferior ao de 2024, que foi de 5,5 milhões, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Pelos números da consultoria Athenagro, com base nos dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as receitas obtidas com as vendas superaram US$ 1 bilhão. Em quantidade, a exportação de gado vivo foi a 1,05 milhão de cabeças, 26% a mais do que em 2024; em receitas, o valor atingiu US$ 1,05 bilhão, uma injeção média de R$ 5,84 bilhões na economia.

Ainda com base na Athenagro, o país obteve US$ 2,36 bilhões nos últimos três anos, com a colocação de 2,63 milhões de gado vivo no mercado externo.

É um avanço muito grande em relação aos anos de pandemia de 2021 e 2022, quando a transação comercial estava restrita, principalmente pelo preço do gado e pelo custo do frete marítimo. Naqueles dois anos, as receitas foram de US$ 261 milhões, com a exportação de 257 mil animais.

A exportação de gado em pé nem sempre é bem aceita, tanto por associações de defesa de animais como por parte da indústria frigorífica.

As associações destacam o longo percurso e as condições de remoção dos animais. Já os frigoríficos, em defesa própria, afirmam que a exportação de carne processada geraria um valor agregado maior para o país.

Essa modalidade de mercado, no entanto, favorece os produtores. Em regiões em que a presença de frigoríficos é menor, a comercialização de gado vivo dá maior sustentação aos preços pagos aos pecuaristas. Além disso, por questões religiosas ou por exigências próprias de manuseio da carne, alguns países preferem a compra do gado vivo.

O Pará é o líder nas exportações. Com receitas de US$ 575 milhões no ano passado, ficou com 55% do valor obtido pelo país. Rio Grande do Sul, São Paulo, Tocantins e Paraná vêm a seguir.

Já a Turquia foi a principal importadora, com compras de US$ 335 milhões em 2025. Marrocos, Iraque, Egito e Líbano completam a lista dos principais compradores. Até a Venezuela entrou nessa lista, com gastos de US$ 2 milhões. O país vizinho já foi muito importante para esse mercado brasileiro. De 2012 a 2014, 80% das receitas com as exportações de gado vivo pelo Brasil vinham da Venezuela.

Após o Brasil, os maiores exportadores mundiais de gado em pé são Austrália e Canadá, ambos com 740 mil animais colocados no mercado externo.

O RECUO DE TRUMP

Os dados de inflação dos Estados Unidos, divulgados nesta terça-feira (13/1) pelo Bureau of Labor Statistics, mostram o porquê Donald Trump voltou atrás nas taxas impostas a alguns produtos alimentícios do Brasil.

A inflação dos alimentos subiu 0,7% em dezembro nos Estados Unidos, em relação a novembro, acumulando 3,1% em 12 meses.

Carne bovina e café, dois produtos de elevado consumo, e que os Estados Unidos dependem muito do Brasil, receberam pesadas tarifas no segundo semestre de 2025. Por isso, foram os que mais impulsionaram o custo de vida dos americanos.

A carne bovina teve elevação média de 16,4% em 2025. Alguns cortes de maior preferência dos americanos chegaram a ficar 18% mais caros. Com rebanho reduzido e queda na produção, os Estados passaram a depender mais das importações, principalmente de carne magra, destinada à produção de hambúrguer.

O café, outro item de grande consumo no mercado americano, e que o país necessita de importações, também pesou no bolso do americano. Segundo o órgão responsável pela inflação, o café em pó teve alta de 20% nos supermercados no ano passado.

O de uso instantâneo subiu ainda mais, ficando 28% mais caro. Os americanos importam 23 milhões de sacas de café, e 33% desse volume saiu do Brasil em 2024. No ano passado, conforme dados até outubro, a participação brasileira caiu para 25%.

A inflação geral dos americanos subiu 0,3% em dezembro, acumulando 2,7% em 12 meses (Folha)

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