Exportação de algodão do Brasil bateu recorde em março

Pluma brasileira teve bom desempenho em mercados que, a princípio, apresentavam obstáculos.

O Brasil exportou 347,8 mil toneladas de algodão bruto em março, o maior volume já registrado para o mês. As vendas cresceram 45,4% no volume e 33,6% na receita se comparado com março de 2025, quando as exportações somaram US$ 530,1 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

Em nota, a entidade destacou que o desempenho pode ser considerado surpreendente, uma vez que março não é um mês marcado por grandes quantidades enviadas ao exterior.

“Um recorde de embarques em março desmonta o velho mito de que a capacidade de embarque brasileira se dá de setembro a dezembro. No final do terceiro trimestre, cravamos 350 mil toneladas de algodão exportado, que é muito positivo para o país”, afirmou, em nota o presidente da Anea, Dawid Wajs.

Para ele, o resultado também representa uma recuperação após o desempenho mais contido de fevereiro, quando chuvas nas regiões produtoras dificultaram a logística. “Estes resultados demonstram nossa recuperação forte agora em março”, acrescentou.

Destinos

Segundo a Anea, um dos aspectos mais positivos dos embarques de algodão em março foi o desempenho em mercados que, a princípio, apresentavam obstáculos. A Índia, que encerrou o regime tarifário especial de importação em dezembro, manteve volumes relevantes de compra.

“Surpreendente a posição da Índia, mesmo sem a isenção da importação, comprando bastante algodão do Brasil. Isso mostra que o nosso algodão fincou presença na indústria indiana, e que estamos efetivamente conquistando novos mercados”, avaliou Wajs. A Índia respondeu por 11,9% das exportações do mês.

A China, que recentemente abriu uma cota de importação de 300 mil toneladas, seguiu firme como principal parceiro comercial, respondendo por 29,5% dos embarques de março. “A China vem seguindo firme, sendo responsável por basicamente um terço das exportações do Brasil na safra 2026”, destacou o presidente da Anea.

Bangladesh, apontado como o maior importador mundial de algodão, manteve uma presença expressiva, absorvendo 16% dos embarques brasileiros em março e foi o segundo maior destino do mês.

Em meio às turbulências do comércio internacional, com rearranjos tarifários, tensões geopolíticas e incertezas nos acordos comerciais globais, a Anea avalia que o Brasil segue bem posicionado no mercado global de algodão.

“Mais uma vez, nesse turbilhão de tarifas e tratados comerciais globais, o Brasil vai indo bem, porque, apesar de não ter acordo com ninguém, a gente também não briga”, pontuou Wajs (Globo Rural)

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